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Rita da Nova

Sex | 04.02.22

The Year of Magical Thinking, Joan Didion

Se eu sabia que ia sofrer do coração quando lesse The Year of Magical Thinking da Joan Didion? Sabia. Se eu li na mesma? Li. Se eu sofri? Sofri, e não foi pouco. Neste livro de não-ficção, a autora relata o ano após a morte do marido, John Dunne, período esse em que a filha Quintana estava bastante doente (e chegou a estar em coma).

 

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Acho que por esta breve descrição podem perceber que, mesmo sendo bastante curto, não é um livro nada fácil de ler. Acho que nunca tinha sentido necessidade de sublinhar um livro como tive com este, cada frase me ficava mais gravada na memória do que a anterior. Felizmente, eu ainda não perdi ninguém que me é muito querido, por isso o luto ainda é uma coisa muito estranha para mim, e talvez por isso me fascine tanto ler sobre o tema.

 

Não sei o que faria se o Guilherme morresse assim, de repente; não sei o que faria nos dias seguintes, nem nos meses seguintes, nem nos anos seguintes. Mas sei que relatos como o de Didion, por mais duros que sejam de ler, ajudam a tomar consciência de que tudo é efémero, de que às vezes ficamos presos a merdices que não interessam para nada.

 

Como acho que toda a gente deveria ler este livro, que está traduzido para português (O Ano do Pensamento Mágico), deixo três das mil citações que guardei:

 

Grief turns out to be a place none of us know until we reach it. We anticipate (we know) that someone close to us could die, but we do not look beyond the few days or weeks that immediately follow such an imagined death. We misconstrue the nature of even those few days or weeks. We might expect if the death is sudden to feel shock. We do not expect the shock to be obliterative, dislocating to both body and mind. We might expect that we will be prostrate, inconsolable, crazy with loss. We do not expect to be literally crazy, cool customers who believe that their husband is about to return and need his shoes.

 

I remember thinking that I needed to discuss this with John. There was nothing I did not discuss with John. Because we were both writers and both worked at home, our days were filled with the sound of each other's voices. I did not always think he was right nor did he always think I was right but we were each the person the other trusted. There was no separation between our investments or interests in any given situation.

 

I could not count the times during the average day when something would come up that I needed to tell him. This impulse did not end with his death. What ended was the possibility of response. I read something in the paper that I would normally have read to him. I notice some change in the neighborhood that would interest him: Ralph Lauren has expanded into more space between Seventy-first and Seventy-second Streets, say, or the empty space where the Madison Avenue Bookshop used to be has finally been leased. I recall coming in from Central Park one morning in mid-August with urgent news to report: the deep summer green has faded overnight from the trees, the season is already changing. We need to make a plan for the fall, remember thinking. We need to decide where we want to be at Thanksgiving, Christmas, the end of the year. I am dropping my keys on the table inside the door before I fully remember. There is no one to hear this...

 

E falando em Joan Didion, a cuja escrita eu só cheguei agora, mas à qual já fiquei rendida, que outros livros dela me recomendariam?