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Rita da Nova

Qui | 03.02.22

Adults, Emma Jane Unsworth

Ainda se lembram da minha incursão pelas livrarias de Edimburgo, no final do ano passado? Encontrei o Adults, de Emma Jane Unsworth, em destaque em quase todas. Fiquei cheia de vontade de o trazer, mas acabei por me controlar e trazer apenas os outros que já fui mostrando por aqui ou pelo Instagram. Entretanto encontrei-o cá, numa visita rápida à Fnac antes de ir ao cinema, e decidi que iria finalmente trazê-lo — e li-o quase tão depressa quanto o comprei, já que foi um dos que fizeram parte da Maratona de 12h de leitura, que eu e a Joana fizemos para o Livra-te.

 

adults-emma-jane-unsworth.jpg

 

Tal como disse no episódio, fez-me lembrar um Everything I Know About Love da Dolly Alderton, mas ficcionado. Também tem certas semelhanças com o Queenie, não apenas no humor britânico que está presente em toda a narrativa, mas na história. Resumindo: Jenny tem 35 anos e, aparentemente, uma vida nos eixos — tem um trabalho interessante, casa própria em Londres e, embora tenha acabado um namoro há pouco tempo, tem vários amigos. Mas será que é mesmo tudo assim tão bom?

 

Logo no início do livro percebemos que Jenny vive demasiado online: preocupa-se demasiado com as coisas que publica, fica obcecada com a quantidade de likes e está constantemente a ver perfis de mulheres que considera perfeitas, tentando aproximar-se delas. Narrado sempre da perspectiva desta personagem, podemos dizer que é um livro bastante honesto sobre o que é considerado um “percurso de sucesso” hoje em dia, sobre a pressão excessiva que o digital põe em cima de nós, sobre a forma como nos estamos a tornar cada vez mais egoístas.

 

“That’s what the mid-thirties should be about, after all: constant self-interrogation. Acquiring the courage to change what you can, and the therapist to accept what you can’t.”

 

Apesar de achar que a premissa é boa, e de haver ali vários momentos interessantes (como a ideia de a melhor amiga de Jenny estar claramente farta dela e precisar de “um tempo”), senti sempre um exagero que não abona a favor do livro — acho que ninguém é tão auto-consciente como esta personagem. Aliás, se ela fosse mesmo tão consciente das suas acções como parece, por que raio continuaria a comportar-se de uma forma tão egoísta? Pareceu-me que começa muito bem, mas depois acaba por não desenvolver da melhor forma. Seja como for, é uma leitura divertida, mais que não seja porque a mãe da Jenny é uma personagem hilária.

 

Já ouviram falar da autora ou do livro? Fui pesquisar e acho que ainda não tem nenhum traduzido para português.