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Rita da Nova

Ter | 27.07.21

Becoming, Michelle Obama

Sim, este é o post em que vos revelo que me rendi aos audiolivros. Há algum tempo que andava para experimentar, assim como andava há bastante tempo para ler o Becoming, de Michelle Obama, e então pensei – por que não juntar o útil ao agradável e ouvir este livro a ser-me narrado pela autora? Posso dizer-vos que fiquei apaixonada por tudo: por ter a voz dela a contar-me o livro nas viagens de carro, pela história dela e pela maneira como a escreveu. 

 

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Estava no meu primeiro ano de faculdade quando Barack Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América, o primeiro Presidente negro da história do país, e lembro-me de acompanhar as eleições e o seu primeiro mandato com o entusiasmo de quem estava a começar a pensar como uma adulta, a informar-se sobre o mundo e a construir a sua própria posição sobre os mais diversos temas. Sempre gostei da Michelle Obama, por vezes sem saber bem ao certo do que é que gostava, por isso tinha mesmo muita curiosidade em ler este seu livro de memórias. 

 

Nele acompanhamos Michelle desde os seus primeiros anos de vida, na parte sul de Chicago. Gostei muito de todas as partes em que descreve o esforço que os pais fizeram para que tanto ela como o irmão estivessem em pé de igualdade com as outras crianças – eram tratados de uma forma muito adulta e aprenderam desde cedo sobre responsabilidade. Vamos conhecendo uma Michelle trabalhadora, motivada e focada na carreira. 

 

É muito interessante ver a forma como a própria Michelle mudou quando conheceu Barack, quando começou a acompanhar as demandas políticas dele, quando se torna mãe, quando se torna Primeira-Dama e, por fim, quando deixa de o ser. Identifiquei-me muito com esta ideia de becoming, de nos estarmos constantemente a tornar coisas diferentes em momentos diferentes das nossas vidas. 

 

For every door that’s been opened to me, I’ve tried to open my door to others. And here is what I have to say, finally: Let’s invite one another in. Maybe then we can begin to fear less, to make fewer wrong assumptions, to let go of the biases and stereotypes that unnecessarily divide us. Maybe we can better embrace the ways we are the same. It’s not about being perfect. It’s not about where you get yourself in the end. There’s power in allowing yourself to be known and heard, in owning your unique story, in using your authentic voice. And there’s grace in being willing to know and hear others. This, for me, is how we become.

 

Ouvi este livro no Kobo através da app que há para o telemóvel (onde também é possível ler os livros que tivermos na nossa conta). Como vos disse, fiquei rendida aos audiolivros, embora ache que vá ser mais fácil para mim acompanhar este tipo de livros (não-ficção, memórias, biografias) do que propriamente ficção. Tenho mais dificuldade em ficar presa a livros de não-ficção, mas com esta experiência percebi que talvez este seja o formato certo para mim. Entretanto já comecei a ouvir o Know My Name, de Chanel Miller, e estou a confirmar estas suspeitas todas. 

 

Agora vocês: leram este livro? E costumam ouvir livros? Se sim, quais me recomendariam? 

Sex | 23.07.21

Uma Dúzia de Livros // Agosto: um livro veranil

Se estão a ler isto perto de uma piscina ou num areal, é sinal de que estão de férias – e que melhor altura para nos dedicarmos à leitura? Aqui deste lado não haverá férias em Agosto, provavelmente vou apenas tentar trabalhar durante uns dias fora de Lisboa, que sempre dá para aproveitar um pouco e dar uns mergulhos à hora de almoço e final do dia. 

 

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Eu não preciso de muitas desculpas para ler – acredito que a maioria de vós também não –, mas saber que já vamos com oito meses cumpridos d’Uma Dúzia de Livros dá-me um quentinho cá dentro, não vou mentir. E, por falar em quentinho, é claro que o tema do mês de Agosto teria de ser um livro veranil. Também têm a sensação de que há livros que, claramente, foram escritos para ler em estações do ano específicas? Por exemplo: associo thrillers ao Inverno e romances mais leves ao Verão, mas acabo por ir misturando tudo ao longo do ano. E vocês, como é que fazem? 

 

Porque nem sempre é fácil encontrar a leitura certa para os dias passados ao sol (usem protector!), reuni algumas listas para vos ajudar a decidir o vosso livro para Agosto: 

 

> Os 31 (quase) melhores livros para ler no Verão, do Diário de Notícias;

> As promoções de Verão da Wook, pode ser que encontrem alguma coisa (e mais barata);

> 24 Books to Read this Summer, do New York Times; 

> Summer Reading: the 50 hottest new books everyone should read, do The Guardian. 

 

Eu só tenho dois modos, neste desafio de leitura: ou não faço ideia do que ler, ou já estou super decidida. Este mês estou no segundo modo e sei que quero muito ler Malibu Rising, de Taylor Jenkins Reid. Comprei-o no Kobo mal saiu, há umas semanas, porque adorei a experiência de ler Daisy Jones & the Six, o que me faz querer conhecer melhor a autora. E desse lado, já há escolhas? 

 

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Ainda não sabes o que é o Uma Dúzia de Livros?

É uma mistura entre clube e desafio de leitura onde, a cada mês, lemos um livro dentro de um tema. Cada pessoa tem liberdade para escolher o livro que melhor se encaixa em cada mês e temos um grupo no Goodreads onde vamos trocando impressões sobre as nossas leituras. Vêm sempre a tempo de se juntar!

Qui | 15.07.21

Autobiografia Não Autorizada, Dulce Maria Cardoso

Já disse isto várias vezes e não me canso de repetir: é impossível colocar em palavras a admiração que sinto pela Dulce Maria Cardoso. E, depois de ler o seu novo livro, Autobiografia Não Autorizada, passei a gostar ainda mais da mulher por detrás da escritora – se é que isto faz sentido. 

 

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É certo que eu esperaria que o próximo livro dela fosse o segundo volume de Eliete, que li no ano passado e adorei. Porém, soube-se que a mãe dela precisou de apoio e que a escrita do livro ficou meio atrasada por causa disso. De qualquer das formas, este foi uma excelente alternativa para matar saudades da escrita da autora. Admito que nunca tive o hábito de ler as crónicas que escreve na Visão, mas depois de Autobiografia Não Autorizada passarei a fazê-lo. 

 

O livro é, no fundo, uma colectânea de algumas das crónicas que foi escrevendo para a revista e que ganham esta forma de uma quase autobiografia. Gostei que fosse muito actual, isto é, que os textos escolhidos já considerassem esta época de pandemia, sem, no entanto, descurar alguns mais intemporais que nos levam directamente para a infância de Dulce Maria Cardoso. 

 

É muito interessante ver como a autora tem uma auto-consciência enorme, ao mesmo tempo que faz por não se levar muito a sério. Por outro lado, foi bom perceber também as diferentes inspirações para os livros que foi publicando, tanto aquelas que vêm da sua vida pessoal, como as que lhe surgem do mundo e dos outros. Acho que é bom conhecer os escritores por detrás dos livros que adoramos – às vezes podemos desiludir-nos, mas não é o caso com a Dulce Maria Cardoso. 

 

Pronto, aqui a fan girl vai-se calar! Há por aí mais admiradores desta escritora? Se sim, já leram esta colectânea?

Qua | 14.07.21

Notas Sobre o Luto, Chimamanda Ngozi Adichie

Não é novidade que a pandemia que vivemos há quase um ano e meio mudou muita coisa nas nossas vidas, mas também teve impacto em aspectos de que eu nunca me tinha lembrado. Por exemplo: nunca teria pensado no que é perder um pai, que está noutro país, em pleno pico dos acontecimentos. Como me sentiria nessa situação? O lado prático da morte de alguém, que já de si soa desumano, ganha uma carga ainda mais impessoal quando temos de lidar com as coisas pelo Zoom. 

 

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Foi ao ler o Notas Sobre o Luto, de Chimamanda Ngozi Adichie, que dei por mim a pensar nestas coisas todas e na sorte que foi não ter perdido ninguém no meio desta situação toda. A autora estava nos Estados Unidos quando o pai faleceu subitamente em junho do ano passado, na Nigeria. A distância que caracteriza estes tempos tomou, então, um papel ainda mais determinante. 

 

Escrevo sobre o meu pai no pretérito e não consigo acreditar que escrevo sobre o meu pai no pretérito. 

 

Estas Notas Sobre o Luto são um conjunto de textos muito emocionais, não apenas sobre a perda do pai, mas também sobre tudo aquilo que o pode manter ainda um pouco vivo. Gostei muito de ler a Chimamanda neste registo mais pessoal – algo que já tinha aflorado em Todos Devemos Ser Feministas, mas que aqui se tornou ainda mais evidente. 

 

Os textos são curtos e de leitura fácil, apesar do tema, por isso recomendo muito que peguem nele eventualmente – quem sabe entre duas leituras maiores? Há por aí mais fãs da Chimamanda que agarram tudo o que ela escreve? 

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