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Rita da Nova

Ter | 11.05.21

Before the Coffee Gets Cold, Toshikazu Kawaguchi

Tenho mesmo que vos contar a história de como este livro veio parar cá a casa. Algures aqui no blog, provavelmente num post sobre as nossas leituras do Uma Dúzia de Livros, a Carla disse-me que queria ler o Before the Coffee Gets Cold, de Toshikazu Kawaguchi. Respondi quase imediatamente, porque também estava na minha lista e pedi-lhe que, depois, me dissesse o que tinha achado. Passado um bocado, recebo um e-mail da Carla, a dizer que, devido a algumas trocas e baldrocas com o BookDepository, tinha duas cópias e gostava de me enviar uma. 

 

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O livro chegou precisamente num dia em que eu não estava em Lisboa, mas assim que regressei da nossa semana de férias em Grândola, no início de Abril, fui logo buscá-lo aos correios. Esteve algum tempo pousado em cima da estante grande da sala, à espera de ser o próximo, por isso não resisti e fiz dele a minha leitura do fim-de-semana passado. 

 

Estava cheia de expectativas em relação ao livro, até porque tinha visto muito hype por aí, e talvez por isso não tenha correspondido à experiência de que estava à espera. Gostei de o ler, mas não mudou a minha vida e nem sei se me vou lembrar assim tanto dele daqui a uns tempos; será que isto faz sentido? Before the Coffee Gets Cold conta a história de um café, Funiculi Funicula, onde as pessoas podem viajar no tempo. Os visitantes café têm uma única oportunidade de ir ao passado ou ao futuro, mas há uma série de regras que devem cumprir. A mais importante é que têm que beber o café antes que fique frio, para garantirem que regressam ao presente em segurança. Para além disso, é-lhes sempre dito que nada do que façam nessa viagem no tempo altera a maneira como as coisas estão a acontecer no presente, pelo que muitas pessoas acabam por não achar relevante visitar outro momento. 

 

When in the presence of someone with whom you have a bond, and to whom you have entrusted your feelings, it is hard to lie and get away with it. The truth just wants to come flowing out. This is especially the case when you are trying to hide your sadness or vulnerability. It is much easier to conceal sadness from a stranger, or from someone you don't trust.

 

O livro está dividido em quatro partes, contando quatro histórias diferentes que se interligam porque as personagens acabam por se cruzar todas no café. A premissa e a forma como o livro está estruturado são muito interessantes, mas a escrita de Toshikazu Kawaguchi não me cativou. É que o autor tem um vasto currículo como dramaturgo, inclusivamente criou este livro como adaptação de uma peça de teatro, então acaba por ser demasiado explicativo – quase como se se tivesse esquecido que não estava a escrever para teatro. 

 

Resumindo, não é um mau livro, mas a meu ver não merece todo o hype que foi tendo nos últimos tempos. Deixo uma última nota às editoras deste mundo: se vão pôr um gato na capa de um livro, então, por favor, garantam que há gatos na história. Caso contrário, é publicidade enganosa e vão desapontar todos os leitores que também são cat people (e são muitos, garanto). 

 

Já leram este livro ou a sequela? O que acharam? Confesso que não fiquei com muita vontade de lhe pegar, parece-me que vai ser mais do mesmo. Estou certa ou devia dar uma oportunidade? 

Qui | 06.05.21

Apneia, Tânia Ganho

Comecei a ver o Apneia, de Tânia Ganho, um pouco por toda a internet no Verão passado e as opiniões foram unânimes desde o início – é um livro incrível, mas muito duro. Ora, quem já me vai conhecendo sabe que é tudo o que eu preciso de ouvir para pôr um livro na minha lista. E este esteve durante algum tempo até que, finalmente, peguei nele através da subscrição Kobo Plus. 

 

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Vi muitas reviews depois de o terminar, e quase todas partilhavam a sensação de que ler este livro é estar constantemente em apneia, com a respiração em pausa. Não podia concordar mais e acho que Tânia Ganho fez de propósito para nos deixar neste estado de suspensão, com a sensação de que qualquer coisa má está para acontecer. Para quem não conhece, Apneia relata o divórcio de Adriana e Alessandro, com foco na maneira como isso impacto o filho do casal, Edoardo. E embora o livro seja ficção, qualquer filho de pais separados (🙋‍♀️) se identifica com partes da história e do processo. 

 

“Desfeita”. Anos depois, ouve-se dizer “estou desfeita” e lembra-se de como ele a desfazia, a desmontava peça a peça, física e emocionalmente, reduzindo-a até restar apenas o defeito, a imperfeição, o medo. 

 

A questão aqui é que Alessandro não é a melhor pessoa do mundo e começa, aos poucos, a fazer uso do filho para endoidecer Adriana e fazê-la desistir da custódia da criança. O que poderia e devia ser um processo mais tranquilo, com o objectivo de criar as melhores condições para o futuro de Edoardo, rapidamente se transforma numa batalha agressiva. É claro que, aqui, os contornos desta história são bastante violentos, mas há aqui muito do que as crianças sofrem em qualquer separação – o medo de desiludir um dos pais, a necessidade de lhes dar exactamente a mesma quantidade de tempo e atenção, todas as pressões psicológicas de que são alvo. 

 

O tribunal impusera uma partilha equitativa do tempo entre pai e mãe, mas não tinha poderes para impor uma partilha equitativa do respeito entre esses mesmos pai e mãe. Era irrecuperável, o respeito; deixava um vazio impossível de preencher. 

 

Acho-o um relato tão real de várias vivências, que o final me caiu um pouco mal. Não quero trazer para aqui spoilers – e percebo que seja uma maneira de fazer justiça, nem que seja através da literatura –, mas gostava de um fim mais em linha com a realidade. 

 

É um livro facílimo de ler, mas muito complicado de digerir e, nisso, considero-o perfeito. É preciso muita mestria para escrever assim, não retirando importância a nada, mas deixando que as palavras mais simples sejam o veículo principal da mensagem. Honestamente, não sei como é que isso é possível e gostava de, um dia, conseguir chegar a este ponto na minha vida de escritora. 

 

Não precisam de ser pais, mães ou filhos de pais separados para compreender e apreciar este livro na sua plenitude, mas acho que ajuda muito se tiverem vivido alguma destas experiências. Recomendo mesmo muito esta Apneia, mas vão com cuidado porque é mesmo muito duro. Feito o aviso, quero saber: já tinham ouvido falar da autora ou do livro? Se sim, têm vontade de ler? 

Qua | 05.05.21

Os livros mais bonitos da minha estante (I)

Quando, na semana em que se celebrava o Dia Mundial do Livro, deixei uma caixinha de perguntas nas Instagram Stories, em busca de ideias de posts sobre livros para publicar por aqui, houve logo um que me saltou à vista – um post sobre capas bonitas. Fiquei logo entusiasmada por poder procurar os livros mais bonitos que tenho cá por casa, mas apercebi-me de que são imensos. 

 

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[Infelizmente, os CTT conseguiram estragar a capa deste...]

 

Isto para vos dizer que é provável que este post seja apenas o primeiro de vários, até porque para já apenas contemplei capas de livros físicos e tenho imensos no Kobo que só dão pena por isso mesmo, por não terem uma capa a sério. E como este post vai ser mais visual do que outra coisa, vou calar-me e deixar-vos com uma dose de book cover porn. De nada!

 

[O Ghosts é a minha leitura do momento; a minha colecção de Harry Potter com capas "adultas"; a capa do Just Like You é tudo na vida; e a colecção da Rachel Cusk mata-me sempre que olho para ela.]

 

[Não bastava ser um dos meus livros favoritos, A Little Life também é uma das minhas capas favoritas porque NYC; acho a capa do Convenience Store Woman super diferente; a edição que tenho de Half of a Yellow Sun (que ainda não li), é toda ela perfeita; e o que dizer desta colecção dos livros de Saramago, não é?]

 

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[Impossível não amar estas cores. Also, posso ir ler para a beira de uma piscina? Agradecida.]

 

Qual é a vossa favorita deste post? E que livros vossos escolheriam mostrar num post assim? Deixem tudo ali em baixo 👇

Ter | 04.05.21

Música para o mês // Maio

Olha, olha, se não é Maio a chegar aí, todo lindão. Espero que venhas com mais sol e calor do que Abril, que como sempre foi um mês meio bipolar. Ora estive à beira de uma piscina, de fato de banho, em Grândola, ora estive de mantas no sofá. Por isso, sim, vem e traz calor. 

 

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Na realidade, Maio é um mês de que costumo gostar e este, em concreto, traz algumas coisas boas. Desde projectos (ainda secretos) que estão numa fase de viragem importante, passando pelo aniversário do Guilherme e uns dias de viagem (cá dentro) no final do mês… tudo parece alinhar-se para que este início de desconfinamento seja bom e tranquilo. Se trouxer sol e descanso para a cabeça, melhor ainda. 

 

A condizer com as expectativas que tenho para Maio, chegou dia 30 de Abril um novo álbum da Duda Beat, artista brasileira que adoro. Aliás, só não a vi ao vivo em Lisboa porque coincidiu com a nossa viagem a Marrocos – parece que passou uma vida. Trago-vos uma das minhas músicas favoritas do álbum Te Amo Lá Fora, que também foi o primeiro single a ser lançado: 

 

 

 

Seu momento sempre na minha frente

Deu vontade de te procurar

Se perdeu, não, perdeu não

Peguei na tua perna e no braço pra te segurar

Se perdeu, não, perdeu não

Peguei na tua perna e no braço pra te segurar

 

Eu já sofri demais, já chorei

Mas não me entreguei, não

Me segurei contra esse amor

Que acabou comigo de vez

 

Tenho as novas músicas em loop desde sexta-feira passada e não promete acalmar. Se ainda não conhecem a Duda Beat, de que estão à espera? Vão a correr ao Spotify (ou à vossa plataforma de eleição) e oiçam as musiquinhas lindas que ela faz. Prometo que não se vão arrepender! 

E desse lado, quais são as expectativas para este mês? 

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