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Rita da Nova

Qui | 04.03.21

Goodfellas

Tinham saudades deste segmento sobre filmes aqui pelo blog, o Filmes em 2ª Mão? Bem sei que não o tenho actualizado, mas a realidade é que eu e o Guilherme temos passado pouco tempo juntos ao fim-de-semana e, à noite durante a semana, eu sou a pior companhia para ver filmes. Sim, admito, sou daquelas que adormece sem vergonha alguma – mas, em minha defesa, quando uma pessoa adormece não tem propriamente como avisar, não é? 

 

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No outro dia, porém, deu-se um milagre nesta casa: vimos o Goodfellas depois de jantar e eu aguentei-me até ao fim. Até achei estranho porque eu já tinha visto há muitos anos – este era uma das “falhas” do Guilherme –, por isso podia-me dar para estar mais encostada. Acho que isso mostra que continua a ser um bom filme, independentemente do tempo que passou desde que foi criado.

 

Para quem nunca viu, Goodfellas é o típico filme de máfia, realizado pelo Scorsese. Não é assumidamente o meu tipo de filme, mas acho que deste gostei porque foi dos primeiros que vi dentro do género. Basicamente conta a história de Henry (Ray Liotta), que desde jovem se insere na máfia e acaba por crescer lá dentro sem ter muitos escrúpulos nem preocupações sobre as coisas horríveis que o grupo faz. O que começa por ser um embelezamento da vida de mafioso acaba por se revelar bastante negativo e ter consequências directas na vida de Henry. 

 

Claro que, hoje em dia, o filme já não é particularmente incrível nas cenas mais agressivas, mas continua a ter diálogos e personagens muito bem construídas – gosto especialmente do papel do Joe Pesci, que ganhou inclusivamente um Oscar. A única coisa que eu dispensava era o papel estereotipado da mulher de Henry, Karen, que a certos momentos chega até a roçar a histeria. Não dei muita importância a este ponto da primeira vez que vi o filme, mas agora tornou-se até penoso de ver (acho que isso quer dizer que estou mais crescida, talvez?). 

 

De qualquer das formas foi uma experiência interessante rever, pelo que se ainda não atacaram este clássico, façam-no. Pode não ser a vossa praia, como não é a minha, mas é um bom filme e, na minha opinião, muito mais fácil de ver do que, por exemplo, o recente Irishman. Há aí alguém com vontade de (re)visitar o mundo da máfia Italo-americana? 

Qua | 03.03.21

The Black Flamingo, Dean Atta

Andava eu pelo TikTok quando descobri The Black Flamingo, de Dean Atta. Sinto que esta podia ser uma introdução para quase todos os meus posts ultimamente, mas esta rede tem sido mesmo uma boa fonte de inspiração para mim, a vários níveis. A rapariga que falou nele disse que era muito rápido e fácil de ler, bom para se ler entre livros maiores e que era uma das coisas mais amorosas que tinha lido ultimamente. Claro que fui a correr à loja do Kobo e, estando a 4€, não deu para não comprar. 

 

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Li-o de uma assentada num domingo, depois de ter terminado o que estava a ler na altura. Apetecia-me continuar a ler, mas não necessariamente começar a estar investida numa narrativa nova e demorada. Este livro é escrito em pequenos poemas, escritos para serem lidos no seguimento uns dos outros, com ilustrações que acompanham e ajudam a dar ênfase aos sentimentos que o autor quer transmitir. 

 

Conta-nos, na primeira pessoa, a história de Michael – uma criança (mais tarde adolescente e adulto), filho de uma mãe cipriota grega e de um pai jamaicano, a viver em Londres. Para além de ser um livro sobre raça e ter-se várias origens ao mesmo tempo, é também um livro sobre descoberta e aceitação da nossa própria sexualidade, sobre termos a capacidade de nos definirmos como algo inteiramente novo, que mais ninguém é. Mas, apesar de ser sobre tudo isto e mais algumas coisas, é também uma perspectiva inspiradora e tranquila sobre estes temas. 

 

Don’t.

Don’t come out unless you want to. Don’t come out for anyone else’s sake. Don’t come out because you think society expects you to.

Come out for yourself.

Come out to yourself.

Shout, sing it.

Softly stutter.

Correct those who say they knew before you did.

That’s not how sexuality works, it’s yours to define.

 

Fiquei muito apaixonada por este livro, achei-o muito querido e quero muito que muita a gente o leia. Às vezes, a melhor forma de nos confrontarmos com preconceitos é mesmo conhecer histórias que, apesar de ficcionadas, nos deixam alerta na mesma medida em que nos inspiram e nos deixam com um mood positivo. Não sei se me consigo explicar melhor do que isto, mas, a sério, leiam este livrinho. Eu vou querer comprar e edição física para poder apreciar as ilustrações a 100%, uma vez que o Kobo é a preto e branco. 

 

Já tinham ouvido falar sobre este livro ou sobre o autor? Vi quem tem outra colectânea de poemas chamada I Am Nobody's Nigger, que vou querer certamente ler. 

Ter | 02.03.21

Música para o mês // Março

Hey, Março, ainda bem que chegaste e que trazes contigo a Primavera. 

 

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Estes últimos dias de mais sol e calor têm-me deixado num mood muito positivo e optimista, por isso vê lá se agora não estragas tudo sendo um daqueles meses de Março cinzentões e cheios de chuva. Outra coisa que me tem ajudado muito é recuperar as rotinas do primeiro confinamento – que está quase a fazer um ano, como é que é possível? Com as rotinas vem a mesma disposição e, se tudo correr bem, não me deixo ir abaixo. 

 

Não sei se há grande coisa que vos possa contar em relação aos meus planos para este mês. Há alguns projectos a ganhar forma, mas ainda é cedo para falar deles – prometo fazê-lo assim que possa. Acho que estamos todos nesta lógica de um dia de cada vez, não é mesmo? Por falar em pequenas coisas que vão acontecendo, no outro dia, no regresso de fazer a minha visita semanal aos gatinhos do MEG, a rádio deu-me a conhecer a voz da Celeste. 

 

Ao início achei que era uma nova música da Adele e gostei de ouvir, mas depois percebi que não. As vozes são super parecidas, mas incrivelmente acho que até gosto mais da da Celeste. Quando cheguei a casa fui ouvir as letras com mais atenção e está aqui uma bela descoberta. Por isso, a música para este mês é esta: 

 

 

 

I touch your head to pull your thoughts into my hand

But now I can't

Say isn't it strange?

Isn't it strange?

I am still me

You are still you

In the same place

Isn't it strange?

How people can change

From strangers to friends

Friends into lovers

And strangers again

 

Chama-se Strange, é sobre a forma como as pessoas mudam, às vezes sem quererem ou fazerem por isso. E às vezes esta mudança não é palpável, apenas se sente. A música não tem grande ligação com o que desejo para este mês, mas acho que é uma espécie de ode às novas descobertas e à forma como as coisas novas nos podem ajudar a manter-nos sãos. Percebi depois que tem alguma coisa a ver com a série Bridgerton (que eu não vi), por isso provavelmente há desse lado alguém que a conheça. 

 

Todo o álbum Not Your Muse é maravilhoso e merece que lhe dêem uma oportunidade! Conheciam a artista? Como sempre lanço a pergunta: que música dedicariam a Março? 

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