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Rita da Nova

Qui | 11.03.21

Weather, Jenny Offill

Sabem aqueles livros que conseguem mesmo capturar a essência do que é estar vivo nos dias de hoje? Que não têm necessariamente uma história complexa e incrível, mas que ganham a nossa atenção pela carga humana que encapsulam e conseguem transmitir? Pois bem, Weather, de Jenny Offill, é precisamente um desses livros. 

 

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Escrito numa mistura entre prosa poética e pequenas entradas de diário (sem o ser assumidamente), leva-nos a acompanhar a vida de Lizzie em todas as suas componentes – é mãe, esposa, bibliotecária num campus universitário, irmã de um ex-viciado em drogas em recuperação, entre outras coisas. É quando é convidada por Sylvie, uma antiga mentora, para responder aos e-mails que recebe a propósito do podcast que grava e onde aborda o futuro da humanidade. 

 

Desta maneira, o livro acaba por tocar em vários temas que são importantíssimos nos dias de hoje – entre outros, o fim do mundo (mais ou menos apocalíptico), as alterações climáticas e a razão da nossa existência. Passando-se em 2016, não pode também deixar de endereçar o que as pessoas sentiram nos Estados Unidos depois da eleição de Donald Trump. A autora faz isto de uma forma muito interessante, em que a vida de Lizzie é sempre o foco e estes temas vão aparecendo à medida que a própria personagem se vai dando conta que está a envelhecer e, talvez, esteja a entrar numa fase totalmente nova da sua vida. 

 

My question for Will is: Does this feel like a country at peace or at war? I’m joking, sort of, but he answers seriously. He says it feels the way it does just before it starts. It’s a weird thing, but you learn to pick up on it. Even while everybody’s convincing themselves it’s going to be okay, it’s there in the air somehow. The whole thing is more physical than mental, he tells me. Like hackles? The way a dog’s hackles go up? Yes, he says.

 

Weather não mudou a minha vida, mas fez-me pensar muito nesta coisa de ficar mais velho e se haverá, de facto, uma relação entre o envelhecimento e ficarmos tendencialmente mais pessimistas. Lê-se bem, é curtinho e está extremamente bem escrito, com bastante sarcasmo, quase como se fossemos navegando nos pensamentos da personagem principal. Podem ler à vontade, que é bom! Já tinham ouvido falar?