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Rita da Nova

Ter | 12.01.21

Fósforos e Metal sobre Imitação de Ser Humano, Filipa Leal

Eu não leio muita poesia, mas sempre que leio penso porque é que não leio mais. Provavelmente isso também vos acontece com um género específico e, para mim, a poesia é um território meio estranho, que não acompanho mas que me surpreende sempre. Este Fósforos e Metal sobre Imitação de Ser Humano, de Filipa Leal, foi uma dupla surpresa – primeiro, foi-me oferecido vai fazer agora um ano, com muito carinho e sem eu estar à espera; depois, esperou pacientemente cá em casa até eu decidir pegar-lhe no último dia de 2020 e adorei. 

 

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Além de ser um “manual para a entrada nos 40”, segundo a própria autora, é também uma tentativa de passar para a poesia uma espécie de exposição de escultura imaginária. A autora criava estas esculturas na sua cabeça e associava-lhes uma história em forma de poema. O resultado são pequenos fragmentos do que podemos considerar uma “vida normal”, com amores, desamores, ilusões e desilusões. 

 

Filipa Leal tão depressa nos mostra aquilo que sente no momento, numa antecipação em relação ao futuro, como nos leva até à infância e às memórias das férias passadas em Vigo – as idas ao El Corte Inglés e tudo o que lá comprava em pequena. A leitura deste livro foi uma experiência muito intimista, quase como se estivesse a conversar com alguém que conheço bem. E vou deixar aqui um dos meus poemas favoritos deste livro: 

 

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Mesmo que, como eu, não sejam muito de ler poesia, este livro vale muito a pena. Já conheciam a autora? Confesso que foi só quando recebi este livro que a conheci.