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Rita da Nova

Ter | 17.11.20

This is Going to Hurt, Adam Kay

Eu não sei o que vocês têm andado a ler este ano, mas não podem deixar 2020 acabar sem terem lido This is Going to Hurt, de Adam Kay. Sabem aqueles livros que são profundamente engraçados, ao mesmo tempo que têm uma carga emocional grande? Este é um deles. Adam Kay é, actualmente, comediante e guionista, mas em tempos foi médico no NHS (o sistema nacional de saúde do Reino Unido) e, ao longo desses anos de trabalho, foi compilando um diário onde relata diferentes episódios e experiências com pacientes.

 

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A certa altura, Adam Kay opta por especializar-se em ginecologia e obstetrícia e é aí que as suas entradas de diário se tornam ainda mais estranhas e divertidas, com a quantidade de histórias que conta (algumas só meio esquisitas, outras muito divertidas e algumas bastante emocionais. Numa crítica à forma como o Serviço Nacional de Saúde britânico é gerido, o autor admite que muitas das coisas que ali conta são novidade para muitas pessoas da vida dele, como amigos e família, porque o trabalho sempre lhe ocupou todo o tempo e disponibilidade mental.

 

So I told them the truth: the hours are terrible, the pay is terrible, the conditions are terrible; you’re underappreciated, unsupported, disrespected and frequently physically endangered. But there’s no better job in the world.

 

É um livro cheio de empatia, em que as histórias menos felizes são tratadas com respeito, apesar do tom humorístico que Adam Kay optou por seguir. Pelas histórias que conta, sinto que se perdeu um bom médico, mas tenho a certeza que o Reino Unido ganhou um bom comediante. Este livro lê-se muito bem e vai fazer-vos rir alto e soltar aquela ocasional lágrima (que belo retrato para a vida, han?).

 

I notice that every patient on the ward has a pulse of 60 recorded in their observation chart so I surreptitiously inspect the healthcare assistant’s measurement technique. He feels the patient’s pulse, looks at his watch and meticulously counts the number of seconds per minute.

 

Descobri entretanto que também está editado em português, por isso não têm desculpas! Quem desse lado já tinha ouvido falar de (ou lido) This is Going to Hurt?

Qua | 11.11.20

In Defence of Food, Michael Pollan

Há alguns anos - provavelmente três ou quatro - vi na Netflix o documentário Cooked, em que o criador Michael Pollan mostra como o acto de cozinhar os alimentos transforma não apenas os ingredientes, mas as pessoas e comunidades que se juntam à volta da comida. A série documental tem quatro episódios, divididos pelos quatro elementos e, consequentemente, as quatro formas de alterar os alimentos (fogo, água, terra e ar).

 

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Gostei tanto que, na altura, encomendei alguns livros dele para compreender melhor a forma como encara a alimentação, os ingredientes e a sua importância na forma como nos relacionamos uns com os outros. E porque é que só vos falo disto agora? Porque só agora, a propósito do tema de Novembro d’Uma Dúzia de Livros, é que decidi pegar em In Defence of Food: An Eater’s Manifesto e lê-lo com a calma que merece.

 

Uma das coisas que é preciso ter atenção - e o próprio autor refere isso várias vezes - é que os estudos em que se baseia para escrever o livro (e as conclusões que retira deles) se centram muito no universo dos Estados Unidos da América que, como sabemos, comem de uma forma muito diferente da nossa. Ainda assim, a indústria alimentar norte-americana (como outros aspectos da cultura deste país) acabam por nos chegar e influenciar de certa forma. Li, depois, muitas críticas à forma como o autor simplifica estes estudos para manipular o conteúdo do livro e nos levar a certas conclusões, mas como não sou estudiosa destes temas não consigo ter essa noção clara.

 

He showed the words “chocolate cake” to a group of Americans and recorded their word associations. “Guilt” was the top response. If that strikes you as unexceptional, consider the response of French eaters to the same prompt: “celebration.

 

Obviamente que houve coisas no livro com que não concordei, mas gostei muito da abordagem mais centrada nos alimentos como algo que nos liga uns aos outros e à cultura do que apenas como a soma de vários nutrientes. Michael Pollan dá-nos uma noção muito breve da história desses nutrientes e de como eles foram sendo percebidos (e demonizados) ao longo do tempo, consoante o que fazia sentido para a indústria alimentar na altura.

 

If you’re concerned about your health, you should probably avoid products that make health claims. Why? Because a health claim on a food product is a strong indication it’s not really food, and food is what you want to eat.

 

O livro termina com alguns mandamentos do autor relativamente ao que comer e como comer - tentar não comer algo que não apodreça, comer maioritariamente alimentos não processados, comer à mesa (e a secretária não conta), etc. Mais do que passar agora a seguir estas regras a 100%, sinto que foi importante ler sobre o tema para me relembrar de algumas regras básicas, que são importantes para que nos alimentemos de forma correcta.

 

Quem desse lado já ouviu falar de Michael Pollan, pelo documentário ou pelos livros? Têm por hábito ler sobre estes temas?

Ter | 10.11.20

Star-Crossed, Minnie Darke

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa muito racional e céptica em quase tudo, até que chegamos aos signos do zodíaco. Se há uns anos era completamente avessa a tudo isso, nos últimos tempos tenho-me interessado muito por astrologia e é uma área que investigo bastante. Por isso, quando uma amiga me falou do Star-Crossed, de Minnie Darke, apostei nele para a leitura seguinte.

 

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Neste livro, a autora conta a história de amizade (e amor) entre Justine e Nick. Ela é completamente céptica em relação à astrologia e ele é o oposto, uma vez que usa os horóscopos escritos por um certo astrólogo para tomar decisões importantes na sua vida. Estes dois extremos são amigos de infância, que se reencontram quando já são jovens adultos e pelo menos Justine percebe que há ali algo mais do que uma simples amizade. Como trabalha na revista Star, percebe que, talvez os horóscopos que lá são publicados sejam a forma de chegar até ele.

 

Because love like this wasn’t something you could make happen. It was a magic spark, and you just had to hope that somehow, somewhere, sometime, you would be there when the match struck the flint.

 

Ao editar o signo de Nick (Aquário) nas várias edições, Justine vai não só tendo influência nas decisões que ele toma, mas também acaba por ter impacto numa série de outras vidas que se entre-cruzam e modificam sem ter noção disso. Gostei muito desta parte do livro, em que personagens secundárias nos vão sendo apresentadas e vamos ligando os pontinhos entre elas, mais à frente no livro. Também gostei bastante do facto de os capítulos seguirem a estrutura do zodíaco (cada capítulo é referente a um signo e, na transição entre signos, a autora criou capítulos mais focados nas tais personagens secundárias de que estava a falar).

 

Roma said, ‘For me, it’s a way of acknowledging that there are forces acting upon us, every day, every hour, that could make our choices auspicious, or doom our plants to failure. That we decide, and act, and react, from within a great web of competing powers.’

 

Também gostei de outros pequenos pormenores, como as personagens serem sempre apresentadas através do seu signo e respectivas características - pelo menos para curiosos do zodíaco como eu, sempre é uma forma diferente de caracterizar personagens. Ainda assim, achei o livro demasiado longo e com momentos que não interessavam assim tanto. Em certos momentos, interessei-me bem mais pelas narrativas paralelas do que pela narrativa central, por isso acho que os amores e desamores de Nick e Justine são levados a uma exustão que não seria necessária para que o livro passasse na mesma a mensagem que quer passar.

 

Aqui está um claro exemplo de livros que opto por comprar no Kobo porque desde início sei que é só um daqueles para limpar o palato entre leituras mais demoradas ou exigentes. Apesar de bem mais demorada do que contava ser, foi uma leitura tranquila e simples - e eu sinto que que às vezes também é preciso ler livros assim para não perdermos a motivação na leitura. Quem desse lado já tinha ouvido falar deste Star-Crossed? Contem-me tudo nos comentários 👇

Sex | 06.11.20

Como organizar estantes de livros?

Um dos objectivos de arrumação que tinha aqui para casa era o de encontrar uma forma de organizar os meus livros nas estantes. Mais do que isso, já há muito tempo que queria saber exactamente quantos livros tenho e perceber quais tinha lido e quais estavam por ler. Se forem como eu, vão perceber aquela urgência de comprar livros que, de vez em quando, se apodera de nós e nos faz ignorar as dezenas de outros livros que estão à espera para serem lidos.

 

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Pensei bastante sobre o tema, uma vez que há várias formas de organizar livros: por cores, por géneros, por lidos/não lidos, etc. Eu encontrei aquela que me dá mais satisfação de olhar e, ao mesmo tempo, me ajuda a encontrar mais facilmente os livros que procuro - por ordem alfabética de apelido de autor. Sim, como se vivesse numa livraria ou numa biblioteca, mas também nunca neguei que seria um sonho tornado realidade.

 

Para além de os organizar todos nas estantes, quis também criar um excel onde estão todos registados. Incluí campos como título, nome e apelido do autor, em que divisão da casa os arrumei, se já os li e se estão emprestados (e, se sim, a quem). Criei filtros que me ajudam a organizar por cada um destes campos, assim a consulta fica facilitada. Para a organização em si, foi preciso tirar os livros todos das estantes e fazer pequenas pilhas com as letras do alfabeto (todos os autores com apelido começado por A, por B, por C, etc). Isto ajudou a catalogar mais rapidamente e, depois, tornou mais fácil o processo de os recolocar nas estantes. Como tive ajuda de uma amiga, o processo demorou cerca de 2h30, com algumas pausas - recomendo que chamem um amigo doido por livros para vos dar uma mãozinha!

 

Aprendi algumas coisas com este pequeno (grande) exercício de arrumação:

 

> Tenho quase 500 livros em casa (492 no momento em que escrevo este post, para ser precisa);

> Há imensos livros por ler cá em casa, que fui esquecendo porque fui comprando outros. Agora vou fazer um esforço por ler o que tenho cá em casa antes de andar aí feita maluca a gastar mais dinheiro em livros;

> Tinha a certeza de que tinha alguns livros, como o Ensaio Sobre a Cegueira e o 1984, mas devem ter-se perdido pelo caminho ou devem ter sido emprestados sem retorno;

> Havia alguns livros repetidos cá em casa, sobretudo resultado de eu e o Guilherme termos juntado os nossos livros quando fomos viver juntos. Acabei por fazer uma venda nas Instagram Stories e já todos têm uma nova casa!

 

Não sei se já tinham pensado em encontrar um método novo de organização dos vossos livros, mas eu recomendo vivamente porque, pelo menos para mim, foi bom para ter uma noção mais real do que tenho em casa e a passar a saber exactamente onde está o quê. Tenho a certeza de que isto me vai ajudar a fazer escolhas mais conscientes no futuro - e, consequentemente, a poupar dinheiro.

 

Que método de arrumação usam aí por casa ou qual gostariam de adoptar? Contem-me tudo nos comentários!