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Rita da Nova

Qua | 11.11.20

In Defence of Food, Michael Pollan

Há alguns anos - provavelmente três ou quatro - vi na Netflix o documentário Cooked, em que o criador Michael Pollan mostra como o acto de cozinhar os alimentos transforma não apenas os ingredientes, mas as pessoas e comunidades que se juntam à volta da comida. A série documental tem quatro episódios, divididos pelos quatro elementos e, consequentemente, as quatro formas de alterar os alimentos (fogo, água, terra e ar).

 

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Gostei tanto que, na altura, encomendei alguns livros dele para compreender melhor a forma como encara a alimentação, os ingredientes e a sua importância na forma como nos relacionamos uns com os outros. E porque é que só vos falo disto agora? Porque só agora, a propósito do tema de Novembro d’Uma Dúzia de Livros, é que decidi pegar em In Defence of Food: An Eater’s Manifesto e lê-lo com a calma que merece.

 

Uma das coisas que é preciso ter atenção - e o próprio autor refere isso várias vezes - é que os estudos em que se baseia para escrever o livro (e as conclusões que retira deles) se centram muito no universo dos Estados Unidos da América que, como sabemos, comem de uma forma muito diferente da nossa. Ainda assim, a indústria alimentar norte-americana (como outros aspectos da cultura deste país) acabam por nos chegar e influenciar de certa forma. Li, depois, muitas críticas à forma como o autor simplifica estes estudos para manipular o conteúdo do livro e nos levar a certas conclusões, mas como não sou estudiosa destes temas não consigo ter essa noção clara.

 

He showed the words “chocolate cake” to a group of Americans and recorded their word associations. “Guilt” was the top response. If that strikes you as unexceptional, consider the response of French eaters to the same prompt: “celebration.

 

Obviamente que houve coisas no livro com que não concordei, mas gostei muito da abordagem mais centrada nos alimentos como algo que nos liga uns aos outros e à cultura do que apenas como a soma de vários nutrientes. Michael Pollan dá-nos uma noção muito breve da história desses nutrientes e de como eles foram sendo percebidos (e demonizados) ao longo do tempo, consoante o que fazia sentido para a indústria alimentar na altura.

 

If you’re concerned about your health, you should probably avoid products that make health claims. Why? Because a health claim on a food product is a strong indication it’s not really food, and food is what you want to eat.

 

O livro termina com alguns mandamentos do autor relativamente ao que comer e como comer - tentar não comer algo que não apodreça, comer maioritariamente alimentos não processados, comer à mesa (e a secretária não conta), etc. Mais do que passar agora a seguir estas regras a 100%, sinto que foi importante ler sobre o tema para me relembrar de algumas regras básicas, que são importantes para que nos alimentemos de forma correcta.

 

Quem desse lado já ouviu falar de Michael Pollan, pelo documentário ou pelos livros? Têm por hábito ler sobre estes temas?