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Rita da Nova

Seg | 24.08.20

Uma Dúzia de Livros // Setembro: um livro relacionado com música

Vamos lá a saber: quem continua com a motivação em altas para os temas mensais d’Uma Dúzia de Livros? 2020 pode estar a ser péssimo para algumas coisas, mas está a ser óptimo para por as leituras em dia e, nos últimos tempos, tenho lido mais do que um livro para cada tema. Espero que continuem tão entusiasmados quanto eu e que estejam com vontade de agarrar o mote de Setembro - um livro relacionado com música.

 

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Não sei onde estava com a cabeça quando me lembrei desta ideia, já que não me lembro de ter muitos livros relacionados com música - mas na altura fez-me sentido este mood para o regresso à rotina (mal sabia eu que iriamos ter a rotina toda baralhada). Seja como for, vou aproveitar para FINALMENTE ler o Norwegian Wood, do Haruki Murakami. Depois do balde de água fria que foi ler A Morte do Comendador, espero que o meu querido Murakami não me desiluda com este!

 

Se ainda não sabem bem o que ler dentro deste tema de Setembro, trago-vos as habituais fontes de inspiração: o Book Riot fez uma lista com 50 livros sobre música que devem ler (de ficção e não ficção), o The Guardian fez um Top 10 de novelas musicais e o nosso querido Goodreads tem uma lista infindável com livros de ficção relacionados com música. Não faltam escolhas, aviso já!

 

Posto isto, quais são os vossos planos de leitura para Setembro - dentro e fora d’Uma Dúzia de Livros?

Sex | 21.08.20

Porto Santo // Quatro dias paradisíacos

Expectativa: 2020 é um ano péssimo, não vai dar para ir a lado nenhum...

Realidade: eu a ir conhecer uma série de novos sítios em Portugal.

 

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Mais alguém sente o mesmo? Está bem, tive que desmarcar a viagem à Islândia em Abril, que já estava bem planeada, mas tive a sorte de ver tudo reembolsado. Com as restrições às viagens, acabámos por ter mais vontade de viajar cá dentro. Depois de aproveitarmos alguns dias pelo Alentejo (Castro Verde e depois Estremoz), decidimos ir ter um uns amigos ao Porto Santo. E, agora que voltei, pergunto-me como é que não tinha ido lá mais cedo.

 

Por isso, o post de hoje serve essencialmente dois propósitos: por um lado, ajudar-vos a perceber como se está a processar esta coisa de viajar em tempos de pandemia; por outro, dar-vos vontade de conhecer o Porto Santo e mostrar-vos alguns dos sítios lindos que visitei por lá.

 

COVID-19 e viagens, como fazer?

Uma das vantagens de viajar para as ilhas portuguesas, seja o arquipélago da Madeira ou dos Açores, é que ambos os Governos Regionais têm uma parceria com o CEDOC – Centro de Estudos de Doenças Crónicas, o que vos permite fazer o diagnóstico antes de partirem e de forma totalmente gratuita. Basta agendarem o teste no site, que eles recomendam as melhores datas consoante o dia em que viajarem - perfeito, não é?

 

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A maior vantagem deste sistema em relação a fazerem o teste no aeroporto de destino, para além de não pagarem nada, é que recebem o resultado antes de viajar (o meu demorou umas 10h) e não precisam de cumprir quarentena obrigatória à chegada. Antes de viajarem devem também registar-se e preencher todos os campos neste site, para que seja só preciso mostrar um QR Code antes de sair do aeroporto.

 

Achei o sistema bastante simples, sendo que, à excepção do teste, tudo é feito online e de forma intuitiva e simples. Vamos em Setembro para os Açores e também já temos o teste marcado para uns dias antes da viagem! No navio Lobo Marinho, que apanhámos do Funchal para o Porto Santo, também vi as pessoas a cumprir as distâncias de segurança e o uso da máscara sem problemas.

 

 

E o Porto Santo, vale a pena?

Se vale! Chamam-lhe a Ilha Dourada e é isso que podem esperar: praia óptima, com a melhor água onde já estive - é assim quentinha, mas refrescante ao mesmo tempo. Os nossos amigos tinham-nos avisado que a ilha dá uma grande moleza e não é que é verdade? Não é que estivesse demasiado calor, mas parece que o corpo descansa mal chegamos lá e só nos apetece comer, dormir e mergulhar.

 

Mas não pensem que não há coisas para fazer no Porto Santo! O ideal é irem passeando pela ilha e irem fazendo praia onde calha. Nós ficámos alojados no Vila Baleira, então acabámos por ir muito à Praia do Porto Santo, mas também adorei conhecer a Praia da Lagoa e a Praia da Ponta da Calheta - esta última é mais pequenina e tem umas rochas que lhe dão muita personalidade. Sabiam que a areia da ilha tem propriedades medicinais? É muito fininha e agarra-se a tudo (acho que trouxe o suficiente comigo para criar uma mini praia), mas ajudou-me bastante a acalmar as feridas da psoríase.

 

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A zona norte da ilha é mais rochosa, mas mesmo assim é possível dar uns mergulhos. Há várias opções: podem ir até ao Porto das Salemas durante a maré baixa para mergulharem nas piscinas naturais (tornou-se minha parte favorita da ilha!), podem passar pelo Porto dos Frades, pelos Morenos ou pelo Zimbralinho (tive pena de não mergulhar aqui, mas fomos só de passagem).

 

 

A Vila Baleira, que na realidade é uma cidade, também vale a pena uma visita, sobretudo para provarem uma Lambeca (juro que vi filas a formar-se ainda antes da hora do almoço). Não vos prometo que sejam os melhores gelados do mundo, mas garanto que os Porto-Santenses adoram e que vão precisar de pelo menos duas provas para conseguirem tirar algumas conclusões. Por falar nisso, comi um polvo incrível no restaurante Torres e adorei tudo o que comi no João do Cabeço - não se deixem intimidar pelas filas e fiquem lá para comer o bolo do caco verdadeiro, umas lapas e um picado.

 

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Foram quatro dias completos, mas teria ficado muitos mais. Foram as mini-férias perfeitas, que equilibraram bem a dinâmica de conhecer coisas novas e descansar. Ajudou muito ter os nossos amigos, que conhecem a ilha de uma ponta à outra e nos levaram aos melhores sítios. Garanto que tudo o que lerem aqui foi aprovado por eles e é de confiança. Ficou a promessa de regressar para o ano em Setembro/Outubro, porque pelos vistos a ilha continua com um tempo incrível e metade das pessoas.

 

Quem desse lado conhece ou gostava de conhecer o Porto Santo? O que me recomendam numa próxima ida lá?

Qui | 20.08.20

Educated, Tara Westover

Educated, da Tara Westover, foi um daqueles livros que se revelou um sucesso logo nos primeiros encontros d’Uma Dúzia de Livros. A opinião era unânime: este relato autobiográfico devia mesmo ser lido e rapidamente se tornou uma das melhores leituras do ano de quem falava dele. Como podem calcular, tinha as expectativas em altas e sei que isso, por vezes, pode ser mau sinal - é comum achar que um livro vai ser incrível a acabar por me desiludir.

 

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Mas o Educated é tão bom que superou quaisquer expectativas que eu pudesse ter. Eu sabia mais ou menos a premissa: Tara, a autora, conta como é crescer numa família Mórmon e todo o processo de deixar as suas raízes para se inscrever na Universidade. Sabia também que tudo era contado do ponto de vista dela, mas não fazia ideia da forma empática e bonita como fala da família. Apesar de não concordar com a forma como vivem, sobretudo com o pai, consegue mostrar-nos a lógica por detrás das acções deles - afinal, os Mórmons preparam-se para o fim dos dias e, em consequência disso, pretendem tornar-se o mais independentes possível. Isso inclui não depender de coisas simples como médicos ou da distribuição de electricidade e água, por exemplo.

 

Podem calcular que alguns membros da família acabam por não reagir muito bem quando Tara manifesta vontade em deixar a família para estudar. Enfrenta alguma resistência por parte do pai, que começa a tornar-se progressivamente mais radical, o que faz com que se afaste totalmente e sofra as consequências psicológicas desse afastamento.

 

Everything I had worked for, all my years of study, had been to purchase for myself this one privilege: to see and experience more truths than those given to me by my father, and to use those truths to construct my own mind. I had come to believe that the ability to evaluate many ideas, many histories, many points of view, was at the heart of what it means to self-create. If I yielded now, I would lose more than an argument. I would lose custody of my own mind. This was the price I was being asked to pay, I understood that now. What my father wanted to cast from me wasn’t a demon: it was me.

 

Não vos vou contar mais porque acho que é daqueles livros que vale mesmo a pena ler. Normalmente as memórias não são o meu género favorito, mas este livro parecia quase ficção, pela forma envolvente como está escrito. Faz-nos reflectir sobre coisas que, pelo menos eu, sempre tomei como garantidas - sobre o acesso à informação e educação, sobre o que faria se não tivesse o apoio das pessoas que amo, sobre o que temos que abdicar para crescer e trilhar o nosso caminho.

 

Se não conheciam o livro, por favor vão pesquisar. Se já tinham ouvido falar, por favor ponham na vossa lista para ser lido. Se até o têm em casa ou sabem que o querem ler, não percam mais tempo e peguem já nele. Prometo que não se vão arrepender!

 

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Educated por Tara Westover

Avaliação: 9/10

Ter | 11.08.20

The Truman Show

Começámos finalmente a nossa empreitada dos Filmes em 2ª Mão. Se não sabem do que estou a falar, eu e o Guilherme vamos ver filmes clássicos e/ou obrigatórios que nos falharam por algum motivo. Podem ver a lista (em constante actualização) neste post, sendo que há uns que eu não vi, outros que ele não viu e ainda alguns que passaram ao lado dos dois.

 

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O primeiro filme a inaugurar este novo ritual dos fins-de-semana foi The Truman Show (1998), de Peter Weir e protagonizado pelo Jim Carrey. Conta a história de Truman Burbank, um homem que nasceu e viveu toda a vida dentro de um programa de televisão sem ter conhecimento disso. Vive na Ilha de Seahaven, um estúdio de televisão gigantesco com centenas de actores que vão compondo as relações na vida de Truman - a mulher, o melhor amigo, os colegas de trabalho. Tudo foi criado para acompanhar Truman desde o nascimento e, potencialmente, até à sua morte.

 

A certa altura vamos percebendo que nem toda a gente no exterior concorda com a ética do programa, havendo quem tente entrar em directo para avisar Truman do que se passa. São esses momentos e alguns erros da produção que vão mostrando a Truman que aquela realidade pode não ser tão real assim. Não vou desenvolver mais, não vá haver alguém aí que não tenha visto e não quero estragar a experiência.

 

Fiquei com pena de não ter visto o filme mais cedo, acho que na altura teria tido mais impacto e os twists seriam mais surpreendentes. Ainda assim, adorei - tem, para além da premissa, dois ingredientes que o tornam num daqueles filmes que valem mesmo a pena para mim: uma história meio dramática com apontamentos de humor aqui e ali.

 

Há alguém desse lado que também não tenha visto? Está na Netflix, não precisam de se preocupar em chegar a ele por outras vias. Quem já viu, o que achou?