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Rita da Nova

Qua | 08.07.20

Dois anos de casamento

Faz hoje 5 anos que nos conhecemos e 2 que casámos. Já aqui vos falei muito sobre o nosso casamento e acho que as coisas que fui escrevendo no blog são uma boa documentação de como a minha perspectiva mudou ao longo do tempo. Se há uns anos não acreditava no casamento e no que ele representa, com o casamento de amigos e a própria evolução da minha relação com o Guilherme, a minha perspectiva mudou muito.

 

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Ao dia de hoje, nada me faz mais sentido do que termos casado - quero que o Guilherme possa tomar conta de mim e dos nossos assuntos quando ou se eu não tiver capacidade para o fazer. Confio-lhe a minha vida e casarmos foi a derradeira prova disso. Para além disso, como já fui falando por aqui, foi a festa mais bonita e mais nossa de sempre - e tenho sempre vontade de repetir todos os anos.

 

Quer tenham chegado agora aqui ao blog, quer já sejam "da casa", deixo-vos o episódio desta semana do nosso podcast Terapia de Casal, onde falamos deste dia, explicamos como foi diferente de um casamento tradicional e contamos algumas histórias engraçadas:

 

 

E deixo-vos também outras coisas que fui escrevendo sobre o casamento em geral (e o nosso em particular):

> Até que a morte os separe

> O nosso casamento

> Um ano de casamento

 

E agora vou ali para a beira da piscina com o meu marido 💜

Sex | 03.07.20

Os livros da Rita // The People in the Trees, Hanya Yanagihara

The People in the Trees é o primeiro livro de Hanya Yanagihara, a autora de um dos livros da minha vida - A Little Life -, que devem estar fartos de me ver recomendar por aí. Comprei-o com algum entusiasmo já durante a quarentena, mas depois folheei-o e a primeira impressão foi a de ser demasiado científico para o meu gosto. Então, deixei-o andar por cá umas semanas, até que pedi ao Guilherme para escolher o que eu devia ler a seguir e ele escolheu este.

 

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Apesar de ainda estar presa à Hanya Yanagihara do A Little Life, não demorei muito a entrar no livro - embora tenha uma fonte mínima, como é apanágio da autora. Ora bem, este livro é parcialmente inspirado na história de Daniel Carleton Gajdusek, mas completamente alterada e colocada num contexto imaginado pela escritora. Conta-nos, então, a história de Norton Perina, uma figura reconhecida no mundo da medicina (vencedor de um Nobel até) pela descoberta de uma tartaruga que confere imortalidade aos indígenas que a comem, na ilha inventada de Ivu'ivu, na Micronésia.

 

Tanto na sinopse, como nas primeiras páginas do livro, é-nos contado que Norton Perina vê a sua reputação arruinada por acusações de abuso sexual de menores (menores esses que ele levava da ilha de Ivu'ivu para os Estados Unidos, adoptava e criava). Começamos por ler um prefácio de Dr. Ronald Kubodera, muito amigo de Norton Perina, que promete divulgar as memórias escritas pelo protagonista enquanto está na prisão e, ao longo destas memórias, Kubodera vai acrescentando alguns pensamentos e factos nas notas de rodapé. The People in the Trees é quase um livro dentro de um livro, algo que eu adorei.

 

O livro não é tanto sobre estes acontecimentos que nos são dados à partida (a descoberta da tartaruga e dos seus efeitos quando consumida, as estadias de Perina em Ivu'ivu ou até as acusações de abuso sexual), mas mais sobre como tudo se interliga e a moralidade de tudo isto. Hanya Yanagihara fez uma coisa que adoro: pôs-nos a ver a narrativa da perspectiva do vilão, da pessoa que fez coisas condenáveis e com as quais não concordamos. Mas será que depois de vermos as coisas deste ponto-de-vista não compreendemos como as coisas chegaram até aqui?

 

I found myself thinking that perhaps there was something inexorable about the way events unfolded, as if my life--which had begun to seem something not my own but rather something into which I found myself blindly toppling--was indeed something living, that existed without my knowledge but that pulled me along in its strong, insistent undertow.

 

Outra coisa que adorei no livro foi todo o mundo que a autora criou: a ilha de Ivu'ivu e as tribos que a habitam, a tartaruga e os seus efeitos… é tudo descrito como se de facto existisse. Se A Little Life prima por criar um mundo íntimo muito rico, The People in the Trees tem a capacidade de nos transportar para locais que nós juraríamos que existem mesmo.

 

Ainda assim, sinto que a narrativa se demora demasiado em pormenores e partes da vida de Perina que não são assim tão interessantes ou importantes para compreender a história - há muitos momentos em laboratório ou até na ilha que achei repetitivos. Pelo contrário, quando chegamos à parte das adopções, da vida com estas crianças (às vezes dezenas delas ao mesmo tempo) e das acusações que lhe são feitas, achei que não ficou tão explorado como eu gostaria. De qualquer das formas, não posso não recomendar esta leitura - se gostam de obras que vos fazem reflectir sobre a vossa moralidade, então têm que ler este livro!

 

Quem desse lado já tinha ouvido falar? Ficaram com curiosidade de ler? 

 

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The People in the Trees por Hanya Yanagihara

Avaliação: 8/10

Semelhante a: Lolita, Vladimir Nabokov

Qua | 01.07.20

Música para o mês // Julho

Olá, Julho! Sou só eu que estou especialmente motivada com a chegada deste mês? Como alguns devem saber, eu nunca fui a maior fã do Verão, mas parece que esta coisa de estar meses fechada em casa muda mesmo uma pessoa - e não é que possa ser muito diferente, mas tenho dois fins-de-semana grandes marcados no Alentejo, longe do mundo, e só isso consegue dar-me algum alento.

 

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Ao mesmo tempo, uma parte de mim sente uma nostalgia dos festivais de Verão - logo este ano, que ia ser em grande. Mas a música ainda está cá e, curiosamente, a que vos trago hoje é recente. Há dois anos, mais ou menos por esta altura, estava finalmente a ver Jessie Ware ao vivo no EDP Cool Jazz, a minha primeira ida ao festival de propósito para finalmente assistir a um concerto dela (uns anos antes tinha havido um cancelamento no Alive e outro no Mexefest, já nem me lembro bem). E foi um dos melhores concertos da minha vida: intimista e bonito, com a linda da Jessie a mandar-nos largar a cadeira e ir para perto dela no final.

 

Se estas “músicas para o mês” servem para alguma coisa, é precisamente para nos relembrar estes momentos bons - mesmo que não tenha a certeza de quando poderemos viver coisas parecidas, pelo menos sei que esta música (e todo o álbum novo, na verdade) vai fazer-me companhia até ao Alentejo:

 

 

Ain't enough to say that I think of you

Words can never do the things that I need them too

Tell me when I'll get more than a dream of you?

'Cause a dream is just a dream

And I don't wanna sleep tonight

 

Do anything to make you stay

Do anything to start the day again

If I had everything my way

We'd travel back and forth and back again

 

If only I could let you go

If only I could be alone

I just wanna stay

In the moonlight, this is our time in the spotlight

 

E vocês, que música dedicariam a Julho e que planos têm para este mês? Contem-me tudo!

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