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Rita da Nova

Sex | 05.06.20

#BlackLivesMatter e livros sobre o tema

Como é que posso ajudar? É a pergunta que não me tem saído da cabeça. Como é que eu, do alto do privilégio de ser uma mulher branca, sem problemas na vida, posso ajudar? Confesso que andei dias a matutar nisto e depois, ao olhar para as estantes da sala, tudo fez sentido.

 

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Uma das coisas que sei que posso fazer é partilhar fontes de informação e conhecimento para ajudar aqueles que não sabem bem o que dizer ou pensar sobre um problema de séculos. Desenganem-se os que acham que isto é uma luta de um grupo específico de pessoas - isto é uma luta de todos.

 

Não leio muita não-ficção, como vocês sabem, mas todos os livros que vos sugiro neste post são demasiado inspirados na realidade para serem postos de lado neste momento. Todos eles me ajudaram a ter noção de muitas coisas: do privilégio de ser branca, da realidade tão diferente que outras pessoas vivem, das coisas a que têm que se sujeitar para terem uma vida minimamente decente. Espero que vos sejam úteis, também:

 

> Born a Crime, Trevor Noah (book review)

> To Kill a Mocking Bird, Harper Lee

> I Know Why The Caged Bird Sings, Maya Angelou (book review)

> Gather Together In My Name, Maya Angelou

> Purple Hibiscus, Chimamanda Ngozi Adichie (book review)

> Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie (book review)

> The Color Purple, Alice Walker (book review)

 

Que livros sentem que falta nesta lista? Sei que ainda está muito incompleta e que há muitos livros que ainda posso ler para me informar mais sobre o tema!

Qua | 03.06.20

Os livros da Rita // Sharp Objects, Gillian Flynn

Gillian Flynn é rainha do thriller e dos plot twists. Ainda não tinha lido nada dela, mas tinha visto a adaptação ao cinema de Gone Girl e lembro-me de ficar presa. Peguei finalmente no Sharp Objects, o primeiro livro da autora, a propósito do tema de Junho d’Uma Dúzia de Livros - um livro adaptado ao cinema ou televisão. Andava há que tempos para ver a série na HBO, mas não queria fazê-lo antes de ler o livro.

 

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A premissa é aparentemente simples: Camille Preaker, repórter num jornal em Chicago, é enviada para Wind Gap, onde nasceu e cresceu, para cobrir o assassinato de uma rapariga e o desaparecimento de outra. Isso faz com que fique provisoriamente em casa da mãe, com quem não mantinha contacto. Camille confronta-se de novo com coisas que preferiu esconder e evitar: a morte da irmã mais nova há uns anos, a personalidade neurótica da mãe, a irmã mais nova que entretanto nasceu de outro pai, uma infância difícil e conturbada.

 

Sometimes I think illness sits inside every woman, waiting for the right moment to bloom. I have known so many sick women all my life. Women with chronic pain, with ever-gestating diseases. Women with conditions. Men, sure, they have bone snaps, they have backaches, they have a surgery or two, yank out a tonsil, insert a shiny plastic hip. Women get consumed.

 

Camille rapidamente percebe que, para deslindar os crimes, terá que voltar a ligar-se à família, à cidade onde nasceu e a toda a bagagem emocional que isso acarreta. Mais do que ser um livro sobre assassinatos e desaparecimentos, Sharp Objects é um livro sobre crescer numa família tóxica: sobre a maternidade e sobre afirmar o nosso domínio através do acto de ter e cuidar de filhos.

 

Não gostei apenas do tema, gostei também da forma crua como está escrito e da forma como Gillian Flynn nos vai dando informações ao longo do livro - nunca demasiado depressa, sempre no momento certo para irmos percebendo o que se passa ao mesmo tempo que a personagem principal. Fiquei muito fã da forma como escreve e talvez dê uma oportunidade a outros livros dela - qual recomendariam para continuar?

 

Quem desse lado já leu este livro e/ou viu a série? Vou começar a ver a série rapidamente, para depois poder comparar!

 

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Sharp Objects por Gillian Flynn

Avaliação: 9/10

Ter | 02.06.20

Música para o mês // Junho

Assim de repente, chegamos a meio do ano. Não preciso de dizer o quão atípico está a ser, acredito que todos vocês sintam o mesmo que eu. O conceito de passagem de tempo normalmente já é complicado de definir - às vezes acelera, outras abranda e nem sempre é coerente -, nesta fase que vivemos torna-se ainda mais imprevisível. Para mim, Maio passou num instante, mas nem por isso foi fácil. Achei que traria uma tranquilidade e confiança no futuro, mas não sinto que isso tenha acontecido como esperava.

 

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Para mim, Junho ainda vai ser um mês de estar por casa ou perto dela. Felizmente tenho a possibilidade e liberdade de continuar a trabalhar remotamente - nem sei se conseguiria ir já para um escritório fechado, confesso. Por outro lado, já encontrei a minha rotina por casa e acho que vai ser complicado voltar a mudar toda a minha vida. Por isso mesmo, a música para este mês é um pouco menos animada do que a de Maio, mas talvez tenha o mesmo nível de esperança que tudo corra bem.

 

 

I know it's hard

Only you and I

Is it all for me?

Because I know it's all for you

And I guess, I guess

It is only you, are the only thing I've ever truly know

So I hesitate, if I can act the same

For you

And my darlin', I'll be rooting for you

And my darlin', I'll be rooting for you

 

London Grammar ajudam-me a concentrar-me no trabalho e, admito, têm aquela vibe meio para baixo de que eu tanto gosto. Para além disso, as letras bonitas e a voz incrível da Hannah Reid fazem com que volte sempre a esta banda. E acho que esta música resume exactamente como acho que vou continuar a sentir-me nos próximos tempos: tem uma letra esperançosa, mas uma melodia triste - porque nem sempre tudo tem que ser coerente, não é mesmo?

 

Que música dedicariam a Junho e como vai ser a vossa rotina este mês?

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