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Rita da Nova

Sex | 08.05.20

Os livros da Rita // Eliete, Dulce Maria Cardoso

Eu já sei o que estão a pensar: leram “Dulce Maria Cardoso” no título e têm a certeza de que me vou desfazer em elogios. Estão errados? Não, não estão. O tema deste mês d’Uma Dúzia de Livros é um livro português e eu vi isso como uma desculpa para ler finalmente Eliete, o livro mais recente da autora. Foi uma das minhas compras na Feira do Livro do ano passado e ainda não tinha tido tempo para lhe pegar.

 

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Eliete conta a história de uma mulher com esse nome, que chegou agora à meia-idade e se depara com aquilo a que podemos chamar de “vida normal”. Aliás, é mesmo esse o subtítulo do livro - “a vida normal”. O pai de Eliete morreu cedo e essa é uma sombra que paira sempre na narrativa, já que é uma das coisas que define aquilo que a personagem é. Mas não só essa relação: também a relação atribulada com a mãe, o sentimento de dívida que tem para com a avó paterna que adoece, o relacionamento insípido que tem com o marido e uma barreira invisível que não consegue ultrapassar relativamente às duas filhas.

 

Na meia-idade, o tempo das escolhas já tinha passado, escolher pertencia à adolescência, ao início da idade adulta, ia para ciências ou humanidades?, experimentava drogas?, fazia ou não a vontade da pila do Marco? Aceitava um emprego de merda ou esperava por aquele que merecia?, ia viver ou não com o Jorge?, deixava ou não de tomar a pílula?, a adrenalina da escolha, a angústia da tomada de decisão pertenciam a um passado remoto. Agora já nada havia para escolher, nem para decidir, a vida estava embalada, não era fácil travá-la, não era fácil desembrulhá-la.

 

Dulce Maria Cardoso fala-nos da meia-idade que se vive nos dias de hoje, com o Facebook e o Tinder como ferramenta para lidar com eventuais frustrações amorosas, por exemplo. Ainda não tinha lido um livro dela que falasse directamente dos dias de hoje e que capturasse tão bem a essência do que é envelhecer nesta era da tecnologia. E mesmo que eu ainda não esteja nesta altura da minha vida, consegui relacionar-me muito com o livro porque conheço pessoas próximas que viveram momentos muito semelhantes aos que Eliete vive neste livro.

 

Pelo que sei, é apenas o primeiro volume da história de Eliete - até porque o final nos deixa com uma descoberta estranha (e incrível ao mesmo tempo) e sei que quem leu vai precisar muito de ter mais desenvolvimentos neste enredo. E eu fico feliz porque sei que Dulce Maria Cardoso estará algures a escrever um livro maravilhoso - como sempre.

 

Impressões sobre Eliete, quem tem? Quero saber o que acharam!

 

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Eliete by Dulce Maria Cardoso

Avaliação: 8,5/10

Ter | 05.05.20

Os livros da Rita // A Morte do Pai, Karl Ove Knausgård

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que ouvi falar do Karl Ove Knausgård: estávamos numa edição do meu workshop de Escrita Criativa e os livros dele foram tema. Confesso que não sigo muito a literatura nórdica, mas fiquei logo interessada em conhecer um bocadinho mais sobre a obra dele - sobretudo o conjunto de 6 livros a que chamou “Min Kamp” (A Minha Luta).

 

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Comprei o primeiro volume - A Morte do Pai - na Feira do Livro de há dois anos, mas foi ficando por ler. Até que a quarentena chegou, eu estou a despachar livros a uma velocidade superior ao normal e decidi pegar-lhe. O que me atraiu foi a crueza que usa para falar da sua própria vida e, neste volume em específico, como a relação com o pai o afectou. O livro é autobiográfico, mas não necessariamente cronológico porque é importante irmos tendo estes contrapontos entre o Karl Ove da adolescência e o Karl Ove da idade adulta.

 

Gostei muito do conceito do livro, mas confesso que não tanto da concretização. Não sei se foi a tradução, mas houve partes em que ele perdeu completamente o meu interesse - explorou demasiado a vida de adolescência dele, a relação com a música, mas não consegui criar empatia com essa parte da história. Achei-o aborrecido em certas partes, até. No entanto, a partir do momento em que o pai de Karl Ove morre, consegui criar uma ligação com ele e com aquilo por que estava a passar.

 

O livro está escrito de uma forma bastante fria, mesmo quando fala de sentimentos e isso é algo que facilmente se atribui à escrita nórdica. Ainda assim, na segunda metade do livro, tem momentos profundamente emocionais e eu assei fascinante como é que se consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo - distante, mas empático. A Morte do Pai ainda não me convenceu a 100%, mas pelo sim, pelo não, tenho cá o segundo volume traduzido para inglês e hei-de pegar-lhe brevemente para tirar as teimas.

 

Desse lado, quem já leu algo de Karl Ove Knausgård? O que acharam?

 

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A Morte do Pai by Karl Ove Knausgård

Avaliação: 7,5/10

Sex | 01.05.20

Música para o mês // Maio

Olá, Maio! Acho que nunca estive tão ansiosa pela chegada de um novo mês - e não porque tenha alguma coisa de especial para fazer, mas porque sinto que Maio vai trazer uma vaga de tranquilidade de que já estamos a precisar. Bem sei que ainda é preciso ter muitos cuidados e que nada está garantido, mas só o facto de a vida começar lentamente a voltar ao normal já me dá algum alento.

 

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Maio é também o mês em que faz um ano que esta rubrica mudou de formato. Quem acompanha o blog há mais tempo saberá que já teve várias ideias: primeiro era só um resumo do mês que passou e uma lista de planos que tinha para o mês que entrava, depois passou a ser uma lista de três coisas e, mais recentemente, um verbo para ditar o rumo do mês. Faço por mudar estes posts de ano a ano e, sem mais demoras (e como já perceberam pelo título), aqui fica o novo formato:

 

Uma música para o mês. Uma música que represente o espírito e aquilo que desejo para os dias que estão a chegar. E não poderia deixar de ser uma mensagem de esperança e de vontade que tudo corra bem.

 

 

Let's make this happen, girl

We're gonna show the world that something good can work

And it can work for you

And you know that it will

 

Let's get this started, girl

We're movin' up, we're movin' up

It's been a lot to change, but you

Will always get what you want

 

Oiço sempre esta música em dias importantes para mim - no começo de um novo trabalho ou projecto, num dia de mudança de casa, etc. Pela letra e o ritmo, lembra-me sempre que tudo vai correr bem e que vou conseguir que tudo resulte para mim. Neste caso, é o que desejo a todos nós neste mês de Maio - que algo de bom aconteça.

 

E vocês? Se tivessem que dedicar uma música a Maio, qual seria?

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