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Rita da Nova

Sex | 10.01.20

Os livros da Rita // Jesus Cristo bebia cerveja, Afonso Cruz

Jesus Cristo bebia cerveja, de Afonso Cruz, foi o livro que trouxe de 2019 para acabar de ler este ano. Não pensem que é porque é demasiado complicado de ler (pelo contrário!). Eu é que me esqueci dele no trabalho nos dias de Natal, então comecei outro para aproveitar os dois dias de leitura. Recomecei este há uns dias e provou ser mais um dos livros amorosos do autor.

 

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Começa logo pela premissa: Rosa, uma jovem alentejana, e Professor Borja, de 70 e poucos anos, decidem fazer cumprir o sonho da avó de Rosa - ir à Terra Santa. Só que não têm dinheiro e Antónia já está muito velhota para a conseguirem deslocar até lá. Então decidem transformar a aldeia de uma inglesa rica em Jerusalém, com toda a logística que isso implica.

 

Para além de muito divertido, este livro consegue também ser bastante profundo em alguns momentos - como, aliás, é uma das marcas de Afonso Cruz.

 

De cada vez que deixamos de ser percebidos, morremos. Quando somos enterrados deixamos de ser percebidos por toda a gente, mas quando os outros já não olham para nós, ficaram condenados para um número limitado de pessoas, a uma morte em tudo idêntica à outra. A nossa morte não acontece quando somos enterrados, acontece continuamente: os dentes caem, os joelhos solidificam, a pele engelha-se, os amigos partem. Tudo isso é a morte. O momento final é apenas isso, um momento.

 

Mais do que uma história engraçada sobre uma neta que quer garantir o último desejo da avó, Jesus Cristo bebia cerveja é uma reflexão bonita sobre a morte e o amor - e sobre como, muitas vezes, os dois andam ligados.

 

Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos.

 

Quem desse lado já leu este Afonso Cruz? Gostei muito, muito! O próximo que quero ler é Nem Todas as Baleias Voam!

 

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Jesus Cristo bebia cerveja por Afonso Cruz

Avaliação: 8,5/10

Ter | 07.01.20

Os livros da Rita // Surfacing, Margaret Atwood

Acabei o ano e comecei 2020 a ler o Surfacing da Margaret Atwood, autora do conhecido The Handmaid’s Tale. Comprei-o numa das idas a Londres e não me lembro bem do que me levou a pegar nele: provavelmente foi a sinopse na contracapa, que nos conta logo que a personagem principal regressa a um local da infância depois do desaparecimento do pai, para tentar encontrá-lo.

 

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Foi a minha segunda leitura da autora e admito que ainda não sei bem se gostei ou não. Digamos que, para mim, começa bastante melhor do que acaba. Se, ao início, estamos perante uma jovem mulher que vai, com a ajuda do namorado e dois amigos, procurar um fim para a relação com o pai (ela vai procurá-lo, mas está mais ou menos convencida de que ele já está morto), mais para o fim começa a ser um bocadinho shangri-la para o meu gosto. Acho que a autora quis que ficássemos a pensar se são de facto coisas paranormais que acontecem ou se é da cabeça da personagem principal, mas não me convenceu.

 

Uma coisa é certa, Margaret Atwood escreve incrivelmente bem e consegue mesmo levar-nos a conhecer os desejos e os pensamentos mais profundos das personagens. Escrever na primeira pessoa ajuda, obviamente, mas é também por causa de passagens como estas que eu o afirmo:

 

I’m fond of him, I’d rather have him around than not; though it would be nice if he meant something more to me. The fact that he doesn’t makes me sad: no one has since my husband. A divorce is like an amputation, you survive but there’s less of you.

 

I watch him, my love for him useless as a third eye or a possibility. If I go with him we will have to talk, wooden houses are obsolete, we can no longer live in spurious peace by avoiding each other, the way it was before, we will have to begin. For us it’s necessary, the intersection of words; and we will probably fail, sooner or later, more or less painfully.

 

Em resumo, aconteceu-me uma coisa estranhíssima com este livro: não estava propriamente a adorar, mas a certa altura também não conseguia parar de ler. Já vos aconteceu isto com algum livro? E já tinham ouvido falar deste da Atwood?

 

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Surfacing por Margaret Atwood

Avaliação: 5,5/10

Sex | 03.01.20

Uma Dúzia de Livros // Janeiro: um livro que ficou por ler em 2019

Quem está com imensa vontade de mais um ano com o Uma Dúzia de Livros? Euuuuu! Se estão também, por que não falar um bocadinho do tema de Janeiro? Se forem como eu, de certeza que foram fazendo uma lista de livros para ler completamente desproporcional em relação ao tempo que efectivamente têm para ler. Se ficou pelo menos um livro por ler do ano passado, Janeiro é o mês!

 

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Como este tema é muito pessoal, não vos consigo partilhar aqui recomendações de livros como costumava fazer pela newsletter, mas tenho a certeza que, assim que viram o tema, vos surgiu logo um livro na cabeça. Estou certa? No meu caso, foi Jesus Cristo Bebia Cerveja, do meu adorado Afonso Cruz. Comecei a ler em Dezembro, mas depois esqueci-me dele quando fui passar o Natal a casa da minha Avó, então comecei a ler outro… agora sim, quero voltar!

 

E já que Janeiro é o mês de arrumar o que ficou desarrumado em 2019, vamos encontrar-nos no dia 18 de Janeiro, pelas 16h, n'A Sala, para discutir os livros de Novembro e Dezembro da edição d'Uma Dúzia de Livros do ano passado! Conto convosco?

Qui | 02.01.20

Verbo para o mês // Janeiro

Olá, Janeiro, seu lindo! Vamos lá começar este ano em bom? Já sabem que eu não sou nada de achar que um novo ano é um começar de novo a 100%, mas entro neste ano cheia de energia e vontade de fazer acontecer. Depois de um último trimestre de 2019 cheio de mudanças e cansaço, quero mesmo muito voltar à forma habitual.

 

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O verbo que escolho para reger este mês é muito geral, mas também é muito verdadeiro. Ora vejam lá:

 

re·gres·sar

verbo intransitivo

1. Voltar, tornar ao ponto de partida.

verbo transitivo

2. Fazer voltar.

 

Ontem, com o vídeo de resumo do ano passado, apercebi-me de que não fui uma única vez ao Porto! Como assim? Para compensar, começamos o ano com um regresso à cidade (o Guilherme vai actuar e eu junto-me num fim-de-semana). Ainda não sei bem o que vamos fazer por lá, mas deixem-me sugestões de sítios para brunch e restaurantes, sim?

 

E depois há outros regressos planeados, como o do Uma Dúzia de Livros, que terá nova edição em 2020! Desse lado, que regressos terá o vosso ano? Contem-me tudo nos comentários!