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Rita da Nova

Ter | 12.03.19

Argentina // El Chaltén

Depois de ter regressado da nossa aventura de quase três semanas na Argentina, custa-me a acreditar que estivemos para não ir a El Chaltén. O nosso plano inicial era fazer uma day trip a esta terra a partir de El Calafate (de que vos falei na semana passada), mas depois de falarmos com algumas pessoas que lá tinham estado, percebemos que era um local para explorar com mais tempo.

 

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El Chaltén é uma terra bem mais recente do que muito boa gente: foi criada em 1985, com o objectivo de proteger a fronteira patagónica que separa a Argentina do Chile. Sendo a Patagónia um território partilhado entre os dois países, cujos limites ainda não estão completamente definidos, é muito comum que se adopte esta estratégia para assegurar que conseguem mais partes desta zona.

 

Esta é a cidade mais recente da Argetina e isso vê-se também no ambiente. Embora não seja muito grande nem tenha muita coisa, há sempre actividades a acontecer e a rua principal está cheia de restaurantes saudáveis e vegetarianos, de cervejarias artesanais e negócios mais sustentáveis. E o mais engraçado de tudo é que ainda há muita resistência ao wi-fi e à internet em geral - por isso, se procuram uns dias longe do resto do mundo, El Chaltén tem de estar na vossa rota.

 

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Aquilo que nos levou a esta cidade foi o facto de ser considerada a capital argentina do trekking, uma actividade que temos vindo a gostar cada vez mais de fazer. A bom da verdade, não é nada mais, nada menos do que andar em trilhos no meio da natureza e aqui torna-se especialmente bonito pela quantidade de montanhas, glaciares e lagos que podemos observar pelo caminho, até porque estamos em pleno Parque Nacional Los Glaciares. Nós fizemos cinco percursos em três dias e vou falar-vos sobre cada um com um pouco mais de detalhe:

 

 

Dia 1: Laguna Torre

O primeiro dia de trekking em El Chaltén foi o único em que apanhámos algum mau tempo. São cerca de 9km até chegarmos à Laguna Torre, que infelizmente não conseguimos ver tão bem quanto queríamos por estar muito nublado. Honestamente - e apesar de serem 18km ao todo - não achei um percurso fisicamente exigente, à excepção dos primeiros 3km (são a subir, o restante é bastante plano).

 

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Dia 2: Laguna Los Tres

Foi o ponto alto da viagem, definitivamente. Já nos tinham dito maravilhas e horrores (sim, ao mesmo tempo) sobre este percurso e pudemos atestar tudo. Ao contrário do dia anterior, tivemos uma sorte desgraçada com o tempo e acho que isso contribuiu para que eu tenha gostado tanto de fazer este caminho. Há duas formas de o fazer: podemos começar na vila, o que implica ir e vir pelo mesmo caminho, ou podemos apanhar um transfer até El Pilar e fazer a primeira parte do caminho pelo Rio Piedras Blancas. Nós optámos pelo segundo caminho e foi óptimo porque vimos sempre coisas diferentes.

 

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É um percurso maravilhoso e embora sejam 10km até chegarmos à lagoa, só o quilómetro final é que é do “démoino”. É apenas 1km, mas são 400 metros de altitude por um caminho cheio de pedras, algumas delas soltas. Foi uma das coisas mais exigentes que fiz na vida - e olhem que eu vou ao ginásio todos os dias. Mas chegar lá a cima e ver este cenário lindíssimo valeu cada dor nas pernas. Assim que cheguei lá a cima emocionei-me e desatei a chorar (o que provavelmente tem a ver com a adrenalina toda de subir aquilo tudo). Acreditem, foi possivelmente a coisa mais bonita que vi na vida e tenho pena que as fotografias não façam jus à paisagem. A seguir foi andar mais 10km até chegar à cidade e cair para o lado depois de comer umas empanadas e beber umas cervejas.

 

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Dia 3: Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores e Mirador de las Aquilas

No último dia em El Chaltén decidimos fazer alguns trilhos mais suaves, mas como fizemos três foi mais ou menos dar ao mesmo em termos de cansaço no final do dia. Seja como for, são três percursos interessantes para quem não se quer aventurar em coisas muito exigentes. O caminho do Chorrillo del Salto foi o que mais gostei, uma vez que no final vamos dar a uma cascata muito bonita. Os outros dois encontram-se à entrada da cidade e dão-nos uma vista panorâmica sobre El Chaltén.

 

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Resumindo: foram três dias muito intensos de caminhadas, mas foi possivelmente a parte da viagem que me vai deixar mais memórias. Soube-me muito bem passar estes dias imersa na natureza, a respirar ar puro e a ver as verdadeiras paisagens patagónicas, que de outra forma perderia. Quem desse lado conhece El Chaltén e tudo o que este destino tem para oferecer? Contem-me tudo nos comentários!

Seg | 11.03.19

Restaurantes // Ohana by Naz

Este mês, ao contrário do normal, vamos começar o Dividimos a Conta pelo fim. Ou seja, hoje falo-vos da experiência no restaurante que nos acolheu e na sexta-feira saberão então quem é pessoa convidada de Março, bem como tudo aquilo que falámos.

 

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Vai ser complicado falar deste espaço e da refeição que ali fizemos sem revelar quem se sentou comigo à mesa, até porque o Ohana by Naz partilha muitas características com a minha convidada - pronto, já sabem que é uma mulher (e que incrível que ela é). Mas bom, concentremo-nos naquilo que comemos, senão eu daqui a pouco já estou a contar mais do que posso para já!

 

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O Ohana by Naz é um restaurante com pratos ovo lacto vegetarianos e veganos, que tem o propósito de nos mostrar a versatilidade deste tipo de cozinha. Aliás, é tão versátil que funciona de três formas: ao almoço é um buffet onde podemos experimentar vários pratos, ao jantar tem serviço à carta e aos domingos é um brunch também em formato buffet. Em todos os casos, é possível provar recriações de pratos tradicionais de vários países, incluindo Portugal.

 

Como fica bastante perto do meu trabalho, já tinha experimentado uma vez ao almoço, mas confesso que gostei ainda mais do ambiente que se cria ao jantar. O espaço fica mais acolhedor e a carta, não sendo grande, traz também mais a sensação de comida de conforto. Por isso mesmo, não pudemos deixar de pedir duas entradas que gritam comfort food: as Chamussas de Vegetais e os Nachos com Salsa, Guacamole e Queijo - ambos deliciosos e excelentes acompanhamentos de início de conversa.

 

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Depois disso, separámos-nos e escolhemos coisas diferentes. Eu pedi um Hambúrguer Vegan, servido em pão pita e acompanhado de batatas doces (delicioso!), a Margarida foi pelo Strogonoff de Seitan com Batata Frita e a minha convidada escolheu as Pataniscas com Arroz Malandro, um prato de que gosta muito, mas raramente come. Confesso que mal vi as pataniscas a vir para a mesa fiquei logo com inveja - que aspecto maravilhoso!

 

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Voltámos a juntar pratos no final da refeição, quando optámos por escolher três sobremesas para dividir. Gostei muito do Pudim de Chia com Manga e da Mousse de Chocolate, que vem servida de uma forma muito gira, mas o Bolo de Banana ganhou a noite para mim. Voltava agora mesmo só por ele - e eu que nem gosto de banana!

 

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Aliás, voltava agora mesmo para repetir a refeição com esta companhia incrível, mas sobre ela falo-vos na quinta-feira. Para já, digam-me lá: quem já foi ao Ohana by Naz e quem adivinha o nome da convidada deste mês do Dividimos a Conta?

 

 

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O Ohana by Naz é um restaurante Zomato Gold, onde os aderentes têm direito a um prato na compra de outro. Se vos agrada a ideia comprar um prato ou uma bebida e ter outro grátis, subscrevam também a Zomato Gold com o código RITADA e tenham 25% de desconto!

 

[Todas as fotografias deste post são da autoria da Margarida Pestana.]

 

Ohana by Naz Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Sex | 08.03.19

Creative Mornings // Symmetry

Faz hoje uma semana que comecei o dia na Statup Guide, no Beato, a ser speaker nas CreativeMornings. Ok, muitas coisas novas numa só frase, vou tentar explicar tudo: a iniciativa CreativeMornings surgiu em 2008, em NYC, com o objectivo de criar um momento em que a comunidade criativa pudesse juntar-se e discutir variados temas. Se tudo isto começou numa cidade, em casa e apenas com café como combustível, quase 11 anos depois mudou muito - mas a essência permanece.

 

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As CreativeMornings acontecem numa sexta-feira, todos os meses, em 198 cidades. A ideia é que se discuta o mesmo tema de formas diferentes em todo o mundo. E Lisboa, claro, faz parte da lista. O tema do mês de Fevereiro foi “Symmetry” e a Elisa, a organizadora deste evento, convidou-me para falar um pouco de como encontro ordem e simetria das diferentes coisas que faço no dia-a-dia. A Startup Guide deu o espaço, havia um pequeno-almoço incrível, e lá aconteceu.

 

Comecei por dizer que estava muito nervosa, o que é bastante verdade. Normalmente disfarço bem, mas gosto pouco de falar sobre mim e era disso que esta manhã se tratava - de falar do trabalho que desenvolvo em várias frentes. Falei do curso de Ciências de Comunicação que tirei, com o intuito de me tornar jornalista; de como percebi que o jornalismo não era a minha forma favorita de contar histórias; das sucessivas tentativas que fiz com o blog até ele se transformar no que é hoje; da minha paixão crescente por contar histórias, escritas e fotográficas, à volta da comida; dos workshops de Escrita Criativa e d’Uma Dúzia de Livros, o clube/desafio de leitura que criei este ano.

 

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Acho que falei de mais coisas e a simetria, não sendo óbvia, está lá: tudo o que faço é com o intuito de contar histórias. E se, durante muitos anos, achei que contar histórias bastaria, há uns tempos percebi que era apenas um meio para um fim. Contar histórias, para mim, é uma forma de ultrapassar medos, de me abrir aos outros e de aprender com eles. Em última análise, resume-se tudo a isto: a perceber que não vale a pena tentar ser solitária neste mundo quando há tanto (de positivo) que podemos tirar dos outros.

 

Terminei a apresentação com algumas das formas que encontro para conjugar todas as coisas que faço - até porque os meus dias ainda têm 24 horas -, e gostava de as partilhar convosco também:

 

> Começo o dia a fazer alguma coisa por mim. No meu caso é ir ao ginásio bem cedo, algo que sei que vou certamente adiar se não fizer logo, mas no vosso caso pode ser dormir mais 10 minutos, tomar um bom pequeno-almoço, fazer uma caminhada ou ler uma página de um livro;

 

> Às vezes tenho que dizer “não”. Sei que não é tarefa fácil para a maioria das pessoas, mas é preciso distinguir bem o que queremos muito fazer daquilo que conseguimos efectivamente fazer;

 

> Tento lembrar-me porque é que comecei a fazer as coisas. É fácil duvidar das nossas capacidades e pôr os projectos em causa quando começamos a ficar cansados, as tarefas se acumulam e deixamos de ter tempo para nós. Ajuda-me muito parar e relembrar-me porque é que me meti nas coisas, qual a minha motivação e os objectivos que tinha;

 

> Sei que “tempo livre” pode significar coisas diferentes. Os momentos livres daquilo que é o nosso trabalho das 9h às 18h não são todos iguais: às vezes precisamos mesmo de descansar, mas há outras situações em que podemos pegar naquela ideia que ainda não desenvolvemos;

 

> Começo sempre com o fim em mente. Tenho que ter uma ideia muito clara do que é que as coisas me vão trazer, nem que seja apenas aprender alguma coisa ou alguém novo. Sem um objectivo ou motivo, rapidamente nos vamos frustrar;

 

> Percebi que não tenho que escolher. Se eu fosse só a Rita da agência em que trabalho, só a Rita deste blog, só a Rita que dá workshops de Escrita Criativa ou só a Rita d’Uma Dúzia de Livros, provavelmente iria sentir-me incompleta. Na realidade, eu não preciso de ser apenas uma desde que tenha um propósito em cada coisa que faço.

 

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Depois de ter partilhado esta lista de coisas que me ajudam a manter a simetria criou-se uma conversa óptima, que extravasou o tema e ainda bem. Foi uma manhã muito bem passada, por isso só tenho a agradecer o convite e a experiência às CreativeMornings a à Startup Guide! Vou voltar certamente, desta vez para estar no lugar do público a aprender com pessoas inspiradoras.

 

Quem já esteve numa destas manhãs e quem ficou com vontade de ir? Contem-me tudo!

 

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Todas as fotografias deste post foram gentilmente cedidas pelos fotógrafos das CreativeMornings LX e podem encontrá-las no Flickr oficial do evento.

Qui | 07.03.19

Os livros da Rita // The Haunting of Hill House, Shirley Jackson

Começo este post com um disclaimer: eu não sou pessoa de ver filmes ou ler histórias de terror. Não sou, não lido bem com o suspense e a incerteza de não saber bem quando e como vou ser assustada. Não só não consigo, como não quero tentar aprender a gostar. Costumo dizer que leio livros e vejo filmes e séries para expandir o meu imaginário, para aprender e, por vezes, para descontrair. Obrigada, mas não preciso de estar constantemente em tensão.

 

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Ora, nada faria prever que viesse a ler o Haunting of Hill House, da Shirley Jackson, mesmo depois de o ter comprado para oferecer ao Guilherme. Ele gostou tanto da série na Netflix, que eu decidi acrescentá-lo à minha lista de encomendas no Book Depository. Ele adorou, levou-o para a nossa viagem na Argentina e foi aí que eu o li. Não porque quisesse muito, mas porque já tinha lido todos os que levei.

 

Vamos ser honestos: o livro não assusta assim tanto como isso e a premissa da história é muito interessante. Depois de ter sabido da existência de uma casa assombrada, a Hill House, o psicólogo Dr. Montague decide estudá-la convidando pessoas que tenham, no passado, tido alguma experiência paranormal para irem passar uma temporada na casa. Tudo isto ganha uma camada mais divertida quando percebemos que o médico é muito céptico relativamente a tudo o que tenha a ver com assombrações.

 

Theodora, Luke e Eleanor são os felizes contemplados e ocupam a casa juntamente com o Dr. Montague. Têm os quatro perfis muito diferentes e os diálogos entre todos chegam a ter muita piada. Mas rapidamente percebem que a casa está a ameaçar a sua sanidade mental, sobretudo a de Eleanor - que é mais frágil e sozinha.

 

No live organism can continue for long to exist sanely under conditions of absolute reality; even larks and katydids are supposed, by some, to dream. Hill House, not sane, stood by itself against its hills, holding darkness within; it had stood so for eighty years and might stand for eighty more. Within, walls continued upright, bricks met neatly, floors were firm, and doors were sensibly shut; silence lay steadily against the wood and stone of Hill House, and whatever walked there, walked alone.

 

Confesso que foi precisamente a personagem da Eleanor que mais me irritou, não senti empatia nenhuma pelo passado dedicado à mãe doente e a solidão e sentimento de falta de propósito depois desta ter falecido. É inocente e deslumbrada, acha que a ida para uma casa destas vai mudar a vida dela e achei que o facto de ser a personagem principal destorceu um bocado a minha percepção do livro.

 

Seja como for, parece ser um clássico dos primórdios da literatura de terror e suspense, por isso se se interessarem pela temática acho que vale a pena uma leitura. A série na Netflix tem alguns pontos em comum, mas há bastantes coisas em que difere, por isso não há spoilers de uma versão para outra.

 

Quem desse lado já leu o livro ou viu a série? São fãs deste tipo de histórias?

 

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The Haunting of Hill House by Shirley Jackson

Avaliação: 5/10