Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Rita da Nova

Sex | 22.02.19

Os livros da Rita // Little Fires Everywhere, Celeste Ng

Quando comprei o Little Fires Everywhere sabia muito pouco sobre a história e até a autora, Celeste Ng. Dizem que não devemos julgar um livro pela capa, mas esta atraiu-me tanto que não fui capaz de não comprar. E ainda bem.

 

little-fires-everywhere-celeste-ng-2.jpg

 

Primeiro que tudo, é um livro sobre famílias e sobre a forma como estas são tão diferentes - não apenas na sua composição, mas sobretudo nas dinâmicas que se criam entre as pessoas. Celeste Ng conta-nos histórias de várias famílias: uma família monoparental, uma família mais tradicional, um casal que tenta adoptar um bebé - tudo isto passado num bairro extremamente organizado e aparentemente perfeito.

 

Para mim, mais do que isso, foi um livro sobre outras duas coisas: maternidade e coincidências. Maternidade pelo foco que é dado à relação de Mia com Pearl, as duas personagens centrais deste livro, mas também por abordar a questão da adopção. Uma mãe que adopta consegue amar da mesma forma que uma mãe biológica? Mesmo eu, que tenho pouca afinidade com o tema, consegui ligar-me bem às emoções e sentimentos que a autora tenta passar.

 

To a parent, your child wasn’t just a person: your child was a place, a kind of Narnia, a vast eternal place where the present you were living and the past you remembered and the future you longed for all existed at once.

 

For her it was simple: Bebe Chow had been a poor mother; Linda McCullough had been a good one. One had followed the rules, and one had not. But the problem with rules, he reflected, was that they implied a right way and a wrong way to do things. When, in fact, most of the time there were simply ways, none of them quite wrong or quite right, and nothing to tell for sure which side of the line you stood on.

 

Toda a narrativa é feita de coincidências. Começamos o livro e a autora conta-nos logo que a casa dos Richardson, a tal família tradicional, ardeu. E que é tudo culpa da filha mais nova do casal, a ovelha negra da família. O que é que isso tem a ver com a chegada de Mia e Pearl ao bairro de Shaker Heights, no Ohio? Uma série de coincidências que vocês terão que descobrir ao ler o livro!

 

Tinham-me dito que - pelo menos ao início - era uma leitura difícil de engrenar, mas eu achei exactamente o contrário. Quem já leu o livro, o que achou? Contem-me tudo nos comentários!

 

_________

Little Fires Everywhere by Celeste Ng

Avaliação: 8/10

Qui | 21.02.19

Uma Dúzia de Livros // Março: um livro clássico

Vamos ler os clássicos? Italo Calvino dizia que um livro clássico é aquele que nos diz sempre algo, que nunca nos deixa indiferente e cuja mensagem continua durante muito tempo a ecoar dentro da nossa cabeça. Eu gosto desta definição porque nos dá liberdade de considerar a importância dos livros pela relação que criamos com eles e não tanto pela opinião que outras pessoas têm.

 

patrick-tomasso-71909-unsplash.jpg

 

Como sempre, não há grandes regras aqui. Escolham o tipo de clássico que vos apetecer - seja algo que gostam de ler ou, pelo contrário, um livro que esteja fora da vossa zona de conforto. Confesso que ainda não sei bem o que ler, estou indecisa entre duas coisas muito diferentes: aproveitar o Catch-22 que tenho lá por casa ou iniciar-me finalmente em Harry Potter.

 

Que livros vão ler? Durante o dia de hoje vou enviar a newsletter a relembrar o tema, bem como algumas sugestões de leituras para quem (como eu) está sem ideias ou ainda não sabe bem.

Qua | 20.02.19

Palavras Cruzadas // Dia dos Namorados é quando um casal quiser

Desde que namoramos, eu e o Guilherme passamos o Dia dos Namorados fora de Portugal. E vocês podem pensar que somos mesmo devotos desta data e nos comprometemos a fazer uma viagem para a assinalar. Não querendo desiludir-vos, nós não somos assim tão românticos - só coincide mesmo com as nossas viagens de início de ano.

 

priscilla-du-preez-1357659-unsplash.jpg

 

É curioso ver como o acto de festejar este dia é o mesmo em todos os países por que passámos: em Espanha, nos Estados Unidos, em Cuba e, agora, na Argentina. Bem sei que, à excepção dos Estados Unidos, também só passámos o Dia dos Namorados em destinos muito calientes, mas será mesmo preciso termos uma “tradição” tão igual em todo o lado? Até os Natais diferem de país para país, minha gente.

 

Não me interpretem mal: eu não acho errado oferecer-se flores, peluches do tamanho das namoradas, anéis ou jantares caros. Parece-me óptimo que se assinale o amor, que se fale dele, que se manifestem coisas que normalmente estão escondidas pela rotina no dia-a-dia. Só que, se o fizermos todos no mesmo dia, não estamos a celebrar aquilo que torna o nosso namoro ou o nosso casamento tão únicos e diferentes. Tão especiais.

 

Eu e o Guilherme conhecemo-nos num dia 8. Casámos num dia 8. Os dias 8 são especiais para nós - gostamos de jantar fora e de fazer planos especiais. De certeza que cada casal tem as suas particularidades e os seus momentos importantes de assinalar. A minha proposta é que encontremos o nosso próprio dia dos namorados, seja ele todos os dias ou uma vez a cada dois anos. Mas que seja nosso, só nosso.

 

____

Este é o 31º post da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com o P.A., mas vocês também estão mais do que à vontade para pegar nos temas e escrever sobre eles. Para estarmos a falar do Dia dos Namorados uma semana depois de acontecer, é claro que a ideia deste tema foi dele. Para a próxima semana, que tal escrevermos sobre um animal que nos diz algo?

Qui | 14.02.19

Restaurantes // Madame Petisca

Num dos nossos primeiros encontros, eu e o Guilherme jantámos no Madame Petisca - que fica mesmo ao lado do miradouro do Adamastor e tem uma vista incrível sobre o rio. Ficámos horas e horas à conversa e perdemos conta das horas - tanto que nos pediram educadamente que saíssemos quando se estavam a preparar para fechar o restaurante. Desde então nunca mais lá tinha ido jantar, só fazer brunch, mas dou sempre este sítio como referência para um jantar a dois.

 

dac-helena-coelho-9460.JPG

 

Curiosamente, foi mesmo esta a escolha da Helena Coelho para o último Dividimos a Conta e soube-me bastante bem recordar a experiência. A vista continua incrível e pareceu-me que a carta estava mais evoluída e com coisas diferentes. Tal como o nome indica, ali o objectivo é petiscar e partilhar (e por isso é que aconselho sempre para dates).

 

Neste jantar tínhamos pedido para provar os petiscos mais saudáveis da carta, logo as escolhas foram mais à base de peixe. A acompanhar o Ceviche de Salmão com Côco chegaram três cocktails sem álcool: o Madame Chic (morango, laranja e manga), o Mademoiselle (banana, oreo, half and half) e o Citrus vs. Berries (frutos vermelhos, laranja e limão).

 

dac-helena-coelho-9292.JPG

dac-helena-coelho-9315.JPG

 

A refeição continuou com um dos meus favoritos da noite, o Tataki de Atum com Geleia da Madame, que era suave e picante em doses semelhantes. Também tivemos a oportunidade de experimentar a Salada de Legumes Grelhados com Bulgur, que veio trazer um toque de leveza interessante à refeição.

 

dac-helena-coelho-9326.JPG

dac-helena-coelho-9342.JPG

 

Por fim, terminámos com o Petisco da Semana - que, por ser exclusivo, não podíamos deixar de provar. Imaginem o seguinte: uma carne que foi a estufar lentamente durante quase um dia. Era assim mesmo o Rabo de Boi com Banana-pão Frita, num molho com alperce. Se gostam de carne, deviam mesmo pedir ao Madame Petisca que voltassem a fazer este petisco só para vocês.

 

dac-helena-coelho-9349.JPG

 

Embora tivéssemos pedido os petiscos mais saudáveis, nenhuma de nós quis sair dali sem provar pelo menos uma sobremesa. E, com sorte, há uma coisa chamada Pijama da Madame, que reúne um bocadinho de cada uma das melhores sobremesas da casa, a saber: a Delícia de Café e Maracujá, o Brownie com Matcha, a Mousse de Chocolate Trifásica e o Doce de Bolacha. Confesso que os meus favoritos foram o brownie e a mousse, por isso são aqueles que recomendo que provem numa ida a este restaurante.

 

dac-helena-coelho-9453.JPG

 

E sim, confirma-se: quase três anos depois, continua a ser um excelente sítio para um jantar a dois. Quem desse lado é que já conhecia?

 

Madame Petisca Restaurante, Bar e Terraço Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato