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Rita da Nova

Qua | 09.01.19

Restaurantes // Mesa do Bairro

Sabem aqueles restaurantes que ficam muito perto de casa, mas que acabamos por nunca visitar? Não é que faltem oportunidades, parece apenas que estão tão perto que acabam esquecidos na lista de sítios onde ir. Foi isso que me aconteceu com o Mesa do Bairro. Já tinha falado várias vezes sobre ele ao Guilherme e dado como sugestão para jantares com amigos, mas acabou por nunca acontecer - até esta semana.

 

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O mais engraçado é que a ideia nem partiu de mim, embora eu tenha dito logo que sim. Fica a uns 10 minutos a pé de minha casa, pelo que pude fazer uma das coisas que mais gosto - ir jantar fora sem ter que tirar o carro do sítio ou ir de transportes. Até porque o passeio de regresso a casa sabe sempre bem, para desmoer a refeição.


Começando pelo início: quando entramos no Mesa do Bairro, que tem dois andares, temos acesso directo à garrafeira, que serve o restaurante e vende vinho para fora. Foi-nos explicado que, se comprássemos o vinho para o jantar ali e o levássemos para cima, conseguimos tê-lo a preço de garrafeira. A maioria dos estabelecimentos faria o contrário e tentaria vender-nos a opção mais cara, mas fiquei agradavelmente surpreendida com o conceito deste sítio.

 

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Depois de alguns conselhos e sugestões, lá pegámos numa garrafa de Soalheiro Branco - pela qual pagámos menos 10€ do que no restaurante - e subimos. O andar de cima é completamente dedicado ao restaurante e foi enchendo, o que eu não estaria à espera a uma segunda-feira. Enquanto enganávamos a fome com um cesto de pães, um queijinho, manteigas e patés, fomos escolhendo os pratos principais.

 

Para a mesa vieram: umas Bochechas de Porco Confitadas com Açorda de Coentros e Alho, um Brás de Camarão e uns Filetes de Peixe Fresco com Arroz de Amêijoas. Tinha tudo óptimo aspecto, mas eu andava a namorar o Atum Braseado com Puré de Feijão Frade há demasiado tempo para não o pedir. E estava ainda melhor do que aquilo que imaginei, acreditam?

 

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Tal como nos pratos, que são uma reinvenção da comida tradicional portuguesa, o Mesa do Bairro aplica esta diferença também nas sobremesas. O Creme Brulée de Chocolate Branco e Limão tinha bom aspecto, mas foi o Macaron com Requeijão de Seia e Doce de Abóbora, juntamente com o Pastel de Nata com Gelado de Canela que me chamara a atenção. Adorei o macaron, mas de facto o pastel de nata reinventado é tudo nesta vida e devem mesmo pedi-lo se lá forem.

 

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Como podem calcular, fiquei chateada comigo mesma por não ter ido ao Mesa do Bairro mais cedo porque é realmente uma excelente opção para quem quer comida portuguesa, mas está farto das coisas do costume. Para além disso, o espaço é aderente Zomato Gold, por isso a refeição fica mesmo em conta. Agora vá, quero saber: já conheciam este espaço ou ficaram com vontade de conhecer?

 

Mesa do Bairro Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Ter | 08.01.19

Madrid // Café Federal

Como partilhei por aqui (e como devem ter visto no Instagram), o primeiro fim-de-semana de 2019 foi passado em Madrid. É uma das minhas cidades preferidas para uma escapadela de fim-de-semana: é relativamente perto, os voos costumam ser bastante em conta se comprados com antecedência e há sempre coisas para fazer, mesmo que já lá tenhamos ido meia dúzia de vezes. Sim, acho que deve ter sido a minha sexta vez em Madrid e conheço sempre sítios novos.

 

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Desta vez fomos com amigos e brevemente prometo partilhar convosco alguns dos nossos passeios pela cidade - com vídeo incluído, pessoas, estou muito profissional! Mas, para já, quero falar-vos do Café Federal, um daqueles sítios que já conhecia de nome, mas a que nunca tinha ido. Embora tenha sido uma viagem em grupo, somos apologistas da máxima “amigo não empata amigo”, por isso na primeira manhã eu e o Guilherme acordámos cedo para tomar o pequeno-almoço e passear.

 

A caminho do Templo de Debod, uma parte da cidade que tinha ficado por visitar da última vez que lá tínhamos estado, acabámos por parar no Café Federal da Plaza de las Comendadoras. Tinha lido que o espaço enche bastante ao fim-de-semana, mas como chegámos relativamente cedo tivemos sorte. É relativamente grande e bastante amplo, com luz natural a entrar e uma decoração minimalista.

 

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Há várias opções para começar o dia: cereais, torradas, bruschettas, tostas, ovos, french toasts, panquecas, entre outros. Eu pedi umas Panquecas com banana e praliné de avelã que estavam absolutamente divinais, acompanhadas de um Golden Milk. Já o Guilherme preferiu ir para um prato salgado, com uma Bruschetta de Salmão, queijo creme e ovo escalfado, acompanhada por um Sumo biológico de maçã e um Cappuccino.

 

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Fiquei com muita vontade de paralisar aquela manhã durante umas horas, para ficar por ali perto da janela a devorar o Americanah, da Chimamanda Ngozi Adichie, o livro que estou a ler para o tema de Janeiro d’Uma Dúzia de Livros. A boa notícia é que há outros Cafés Federal em várias cidades espanholas, por isso posso repetir a experiência noutras viagens.

 

Enquanto não vos conto mais sobre este fim-de-semana, digam-me lá: que coisas gostavam de saber sobre Madrid? Deixem as vossas questões nos comentários!

Seg | 07.01.19

Restaurantes // Charlie Bistrô

Da primeira vez que tentei ir ao Charlie Bistrô bati com o nariz na porta. Era domingo, eu queria fazer brunch, mas ali só se serve esta refeição aos sábados. Com muita pena minha - e depois de já ter visto pratos cheios de bom aspecto através do Instagram - deixei para depois. Verdade seja dita, não deixei para muito depois: acabou por ser o último espaço da cidade que conheci em 2018.

 

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No dia 31 de Dezembro andámos às voltas para escolher um sítio onde almoçar e o Charlie acabou por se redimir do nosso primeiro encontro, abrindo-nos as portas para uma refeição tardia, mas reconfortante. Antes de falarmos sobre as nossas escolhas, algumas palavras sobre o espaço: amplo apesar de pequeno, natural apesar de estarmos no coração da cidade. A decoração está muito bem conseguida, em tons de verde e de madeira, transportando-nos para um local meio idílico e tranquilo.

 

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Abrimos o apetite com o sumo do dia, que era de morango e menta. Completamente natural, feito na casa, sem açúcares ou acrescentos pouco saudáveis. A melhor parte: vem servido com uma palhinha de bambu, 100% reutilizável e amiga do ambiente. É muito bom ver que cada vez mais espaços da cidade optam por garantir que os seus negócios são o mais sustentáveis e green possível. Way to go, Charlie!

 

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Depois de algumas voltas à ementa, lá nos decidimos. Eu pedi um Charlie Burger, composto por um hambúrguer de lentilhas vermelhas, abóbora menina, laranja, cenoura e molho agridoce, que vinha acompanhado por salada e batata doce. Gostei mesmo muito porque, ao contrário do que costuma acontecer com os hambúrgueres vegetarianos, este não era nada seco. E as batatas estavam mesmo crocantes! O Guilherme preferiu pedir um Salmão Crocante com Ratatouille, que tinha um aspecto delicioso. Segundo ele, fazia jus ao sabor.

 

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Ainda espreitei a vitrine com bolos e sobremesas, mas parecendo que não os pratos que pedimos eram bem compostos e não deixaram espaço para muito mais. Mas sem problema: agora que experimentei e gostei do Charlie, quero aproveitar um sábado de 2019 para ir lá conhecer o brunch. Quem é que desse já provou e pode dizer o que achou?

 

Charlie Bistrô Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Sex | 04.01.19

Os livros da Rita // Slaughterhouse 5, Kurt Vonnegut

É possível que nunca tenha partilhado isto convosco, mas eu tenho uma lista no telemóvel onde aponto vários clássicos que quero ler antes de morrer. Claro que depois acabam por ficar mais esquecidos, mas quando os encontro com bons descontos no Bookdepository compro para ler. O Slaughterhouse 5, escrito por Kurt Vonnegut, fazia parte desta lista infindável até que eu decidi lê-lo neste período natalício.

 

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Diga-se de passagem que é um livro muito pouco festivo, já que fala sobretudo da guerra e dos seus efeitos destrutivos. A ideia para escrever esta obra esteve parada durante duas décadas, sobretudo porque o autor tinha dificuldades em descrever aquilo que ele próprio viu quando representou os Estados Unidos da América durante a II Grande Guerra. Aliás, parte dos acontecimentos deste livro são inspirados na experiência dele (incluindo a estadia no Matadouro 5, que deu nome ao livro).

 

There are almost no characters in this story, and almost no dramatic confrontations, because most of the people in it are so sick and so much the listless playthings of enormous forces. One of the main effects of war, after all, is that people are discouraged from being characters.

 

É uma novela muito pequena, mas com uma narrativa muito pouco linear. Ao longo das suas páginas seguimos a personagem principal, Billy Pilgrim, em diferentes momentos da sua vida, não necessariamente temporalmente organizados. Tão depressa estamos com ele na guerra, como o acompanhamos na infância, como passamos para a sua suposta experiência com alienígenas. Pode parecer confuso, mas garanto que conseguem acompanhar tudo.

 

‘But you do have a peaceful planet here.’ 

‘Today we do. On other days, we have wars as horrible as any you’ve seen or read about. There isn’t anything we can do about them, so we simply don’t look at them. We ignore them. We spend eternity looking at pleasant moments - like today at the zoo. Isn’t this a nice moment?’

 

Num livro assumidamente anti-guerra, Kurt Vonnegut utiliza metáforas interessantes para explicar as consequências da guerra para quem a vive de perto e fala de temas relacionados, como a glorificação da guerra e o livre-arbítrio. Não se pode dizer que tenha mudado a minha vida, mas acho que vale muito a pena ler.

 

Quem é que desse lado já leu este livro? Recomendam-me outras obras do mesmo autor? Quais?

 

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Slaughterhouse 5 by Kurt Vonnegut

Avaliação: 7/10

Semelhante a: Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway