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Rita da Nova

Qui | 20.12.18

Uma Dúzia de Livros // Janeiro: um livro escrito por uma mulher

Janeiro está quase, quase aí e é tempo de escolhermos os primeiros livros para este desafio e clube de leitura! Numa altura em que o poder das mulheres está mais vincado do que nunca, por que não começar o ano a ler as palavras que escrevem? A regra é simples: só têm que escolher um livro escrito por uma mulher, lê-lo e depois falar sobre ele.

 

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Podem escolher livros de qualquer género e optar por ler algo dentro dos vossos gostos ou, pelo contrário, desafiarem-se a ler algo que normalmente não leriam. Está completamente do vosso lado. Amanhã ao final do dia sai a primeira newsletter de Uma Dúzia de Livros, a relembrar o tema. Poderão também encontrar algumas sugestões de livros, autoras e a data do primeiro encontro presencial.

 

Que ideias de livros pairam por aí? Se quiserem ainda participar nesta iniciativa, apressem-se a enviar-me os vossos e-mails!

Qua | 19.12.18

Palavras Cruzadas // A minha passagem de ano ideal

Há quem sonhe em viajar para destinos exóticos ou estar presente celebrações tão conhecidas como a passagem de ano da Madeira, do Rio ou de Sydney. Há quem goste de festejar até ser dia, com muita dança e álcool à mistura. Há aqueles que não dispensam bater panelas, comer passas, sincronizar a televisão para o countdown final. Sem esquecer os que usam cuecas azuis novas e os que gostam de dar um beijo no amor da sua vida quando o ano vira.

 

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Seja como for, todos queremos divertir-nos e passar uma noite memorável, certo? Errado. Eu adorava poder passar esta tão apinhada noite em casa, de pijama, no sofá. Agarrada aos meus gatos e a um livro, sem ter que ouvir o fogo de artifício que ninguém pediu e assusta toda a gente. Nos últimos anos tenho conseguido chegar a um meio-termo: normalmente a passagem de ano é cá por casa, com amigos, boa comida e jogos de tabuleiro. Depois da meia-noite, cada um escolhe se quer ficar ou ir para uma festa qualquer.

 

Ainda tenho o sonho de passar o ano como passo todos os dias, mas para já é um bom compromisso. E vocês? São dos que gostam de uma boa farra ou preferem a calma do lar? Contem-me tudo nos comentários!

 

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Este é o 27º post da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com o P.A., mas vocês também estão mais do que à vontade para pegar nos temas e escrever sobre eles. O tema desta semana foi ideia dele (e é por isso que estamos a falar da passagem de ano tão cedo). Isto significa que o tema da próxima semana será lançado por mim. Deixa cá ver: "Se eu soubesse o que sei hoje", parece-te uma boa frase para começar?

Ter | 18.12.18

Os livros da Rita // Born a Crime, Trevor Noah

I grew up in South Africa during apartheid, which was awkward because I was raised in a mixed family, with me being the mixed one in the family. My mother, Patricia Nombuyiselo Noah, is black. My father, Robert, is white. Swiss/German, to be precise, which Swiss/Germans invariably are. During apartheid, one of the worst crimes you could commit was having sexual relations with a person of another race. Needless to say, my parents committed that crime. In any society built on institutionalized racism, race-mixing doesn’t merely challenge the system as unjust, it reveals the system as unsustainable and incoherent. Race-mixing proves that races can mix—and in a lot of cases, want to mix. Because a mixed person embodies that rebuke to the logic of the system, race-mixing becomes a crime worse than treason.

 

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Como podem perceber por este excerto, Trevor Noah nasceu fruto daquilo que era considerado crime durante o Apartheid: a mistura entre raças. Ao longo das páginas deste livro, Born a Crime, conta-nos várias histórias de como foi crescer assim durante este regime com a ajuda de uma mãe incrível.

 

Para quem, como eu, só o conhecia de sítios como o The Daily Show ou alguns espetáculos de stand-up comedy, ler todas estas histórias incríveis fez-me ter ainda mais admiração e respeito pelo talento dele. Não só escreve mesmo muito bem, como consegue contar-nos os episódios mais tristes e mais horríveis sem deixar de ter graça. Ao mesmo tempo, explica-nos alguns dos fundamentos do Apartheid e algumas das regras implícitas que se criaram durante essa altura.

 

We tell people to follow their dreams, but you can only dream of what you can imagine, and, depending on where you come from, your imagination can be quite limited.

 

The hood was strangely comforting, but comfort can be dangerous. Comfort provides a floor but also a ceiling.

 

Li muitos bons livros este ano, mas este foi definitivamente o melhor. Não apenas pela qualidade da escrita, mas sobretudo pela forma como nos faz viver cada um dos momentos narrados na primeira pessoa. Não deixa de ser curioso que, não sendo muito fã de não-ficção, me tenha rendido completamente a este livro.

 

Se só puderem ler um livro nos próximos tempos, por favor leiam este. É duro, comovente e demasiado engraçado - tudo ao mesmo tempo e de forma perfeitamente natural. Quem desse lado já leu? O que acharam?

 

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Born a Crime by Trevor Noah

Avaliação: 10/10

Semelhante a: I Know Why the Caged Bird Sings de Maya Angelou

Seg | 17.12.18

Brunch do Mundo // Sul de África

Depois de ter lido o Born a Crime do Trevor Noah (que se passa na África do Sul e sobre o qual prometo falar-vos amanhã), achei uma coincidência engraçada que o novo menu do Brunch do Mundo representasse o Sul de África. De todo o continente, só fui a Madagáscar e, portanto, todas as experiências gastronómicas contam para sentir que conheço África.

 

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Começo por vos dizer que este novo menu me surpreendeu bastante e superou o último, inspirado na Ásia Central. Estava à espera de pratos pesadões, cheios de condimentos, mas encontrei uma mistura interessante de sabores e algumas apostas arrojadas. Para abrir o apetite, esperava-nos um cesto com Pão Tigre e outro com Pão Mopotohayi, com uma consistência semelhante a bolo e um sabor parecido ao do pão de leite.

 

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A acompanhar toda a refeição esteve o Botswana, representado por um Sumo de Rooibos, Maçã e Citrinos. É bastante leve e só levemente adocicado, o que faz com que seja um bom complemento a todos os sabores do menu. Por falar em sabores, o prato mais estranho talvez seja a Sopa de Espinafres e Tangerina, inspirada no Lesoto. Bem sei que pode não fazer muito sentido introduzir citrinos numa sopa que, para além de espinafres, ainda leva arroz, mas basta provar para perceberem que tudo funciona na perfeição.

 

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Como de costume, ainda tivemos direito a explorar mais dois pratos salgados. Do Uganda vem o Rollex, mas por incrível que pareça tem pouco de diamantes e ostentação. Trata-se de um wrap com ovo por dentro, muito típico da street food deste país. O nome é uma derivação da palavra rolled egg. Já da Somália, com inspirações do Médio Oriente devido à proximidade geográfica, surge o Fatayer de Queijo. Foi um dos meus pratos favoritos pela mistura incrível entre queijo feta e ervas aromáticas.

 

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A primeira sobremesa é já um clássico Brunch do Mundo, presente desde a primeira temporada. São as Panquecas de Leite com Crumble de Canela e Creme de Kiwi, inspiradas na gastronomia da África do Sul e na obsessão que os sul africanos têm por panquecas. Confesso que é um dos meus all time favourites. Para contrabalançar, chamou-se a Guiné Equatorial, representada pela Granola de Amendoim e Gengibre com Creme de Abacaxi e Banana. Já agora: as granolas do Brunch do Mundo dão óptimos presentes de Natal para aquelas pessoas que adoram comer e viajar. Podem comprá-las pelo Facebook e tudo!

 

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Agora que terminámos a pausa comercial - e que estamos prestes a chegar ao fim desta viagem -, é tempo de vos falar do último prato. Inspirada nos ingredientes que mais se produzem nas Seychelles, a Tarte de Côco e Banana tinha tudo para eu torcer o nariz. E torci, de facto. Não sou fã de côco nem de banana, mas já não é a primeira vez que o Brunch do Mundo me faz mudar de ideias. Não é que A-DO-REI esta sobremesa?

 

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Lá está: na comida como nas viagens, o melhor mesmo é abrir a mente e não rejeitar nada à partida. E é isso que tenho a agradecer a este brunch, que a cada novo menu tenta dar a conhecer países e comidas que, de outra forma, não nos passaria pela cabeça visitar. Eu já estou curiosa relativamente à próxima edição e se ficaram também, é acompanhar pelo Facebook e Instagram - e ter a sorte de ser dos primeiros a enviar um e-mail quando as datas forem reveladas. Vemo-nos lá?