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Rita da Nova

Sex | 23.11.18

Os livros da Rita // O Pequeno Amigo, Donna Tartt

Descobri Donna Tartt no ano passado, com o primeiro de três livros que escreveu - A História Secreta. Como partilhei na altura aqui pelo blog, foi uma leitura intensa e demorada. Apesar de ter gostado da escrita, não morri de amores pela história. No início deste ano decidi dar uma oportunidade a O Pintassilgo e li-o quase todo num fim-de-semana grande. Foi um dos livros deste ano, definitivamente.

 

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Andei durante meses em busca de O Pequeno Amigo, o filho do meio da autora. Uma curiosidade sobre ela: em 26 anos escreveu apenas três livros, o que dá uma média de um livro a cada dez anos. Isso explica que os seus livros sejam enormes e, sobretudo, absorventes. O Pequeno Amigo deixou de ser editado em Portugal e, por muito que me sinta à vontade para ler em inglês, sei que com Donna Tartt seria aumentar a carga dos livros.

 

O livro estava mais perto de mim do que achava, exactamente na casa da Luísa (irmã do Guilherme). Pedi-o emprestado e demorei quase dois meses a lê-lo. A culpa não foi só do livro: eu ando mais cansada e sem vontade de fazer grande coisa quando chego a casa. Mesmo nos fins-de-semana que reservei para ler, só me apetecia dormir e foi isso que fiz. Mas bom, acho que posso dizer que a história não tomou o rumo que eu esperava.

 

A premissa é excelente: Robin, o filho mais velho de três, é encontrado enforcado numa árvore perto de casa aos nove anos. Harriet, a irmã mais nova dele que na altura do assassinato ainda é bebé, decide investigar o que se passou e descobrir o responsável pelo crime quando tem 12 anos. Juntamente com o seu amigo Hely, começa a delinear uma estratégia para se vingar do principal suspeito.

 

Eu achei que a narrativa iria resvalar para a descoberta do real assassino, mas é antes uma história sobre vingança e a forma como esta é um motor para as nossas acções. Talvez por isso tenha ficado um bocadinho aquém das minhas expectativas. Seja como for, é uma história extremamente bem escrita - Donna Tartt a ser Donna Tartt. É sombria, imprevisível e com uma construção de personagens quase perfeita. Não há uma personagem deste livro que não esteja pensada ao detalhe, mas Harriet é a minha favorita.

 

Havia imensas raparigas na escola mais bonitas que Harriet e mais simpáticas. Mas nenhuma delas era tão esperta nem tão corajosa. Com tristeza, pensou nas muitas qualidades dela. Sabia falsificar letras - a letra dos professores - e elaborar notas de desculpa de aspecto adulto como uma profissional; sabia fazer bombas com vinagre e soda cáustica, e imitar vozes ao telefone.

 

Se O Pequeno Amigo me tocou tanto quanto O Pintassilgo? Não. Mas é uma narrativa muito bem construída e que vale a pena ler. Eu aconselho que vão preparados para altos e baixos e para alguns momentos mais sofridos. Mas tirando isso, vale a pena. Quem desse lado já leu este livro?

 

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Tudo o que eu já escrevi sobre os livros da Donna Tartt, para ler aqui:

 Os livros da Rita // A História Secreta

> Os livros da Rita // O Pintassilgo, Donna Tartt

 

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O Pequeno Amigo by Donna Tartt

Avaliação: 8/10

Semelhante a: A História Secreta e O Pintassilgo da mesma autora

Qui | 22.11.18

Sou uma Cool Cousin!

Andava eu muito bem a pesquisar coisas sobre Copenhaga (restaurantes, claro) para preparar a viagem do meu aniversário, quando encontrei uma plataforma chamada Cool Cousin. A ideia desta rede social, vou chamar-lhe assim, é muito original: em vez de o site reunir informações e dicas sobre diferentes cidades, são as pessoas locais que se inscrevem e criam o seu próprio mapa com recomendações.

 

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A Cool Cousin tem representação em cidades A a Z (de Adelaide a Zurich) e é uma forma incrível de conhecer os melhores sítios da cidade como se tivéssemos lá um “primo fixe” a morar. É que, para além de vermos as recomendações dos diferentes “primos”, podemos também enviar-lhes mensagens privadas a perguntar alguma coisa em concreto.

 

E porque é que eu vos estou a contar isto?

Depois de ter dado tanto uso à plataforma durante o planeamento da viagem a Copenhaga - e de já ter andado a cuscar vários mapas para as próximas -, percebi que podia tornar-me uma Cool Cousin de Lisboa. Inscrevi-me sem grande expectativa de ser aceite, honestamente. Achei sempre que as pessoas que representam Lisboa já são demasiado fixes e que eu não iria acrescentar nada de novo.

 

Mas um dia cheguei ao meu e-mail e tinha a confirmação de que estava quase a tornar-me uma! Para verem o quão a sério são levadas as recomendações dos diferentes primos, marcaram uma sessão fotográfica comigo para complementar o meu perfil. A Ana Marta (que, coincidência gira, está bastante ligada à comédia e já por várias vezes fotografou o meu homem em palco) foi o meu match fotográfico e divertimo-nos muito a passear pela LX Factory.

 

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Com as fotografias quis mostrar dois sítios que adoro e que, frequentemente, fazem parte dos meus fins-de-semana: a livraria Ler Devagar e o Brigadeirando (brigadeiros de chocolate negro e flor de sal, socorro!). No meu mapa podem encontrar vários outros locais que acho imperdíveis em Lisboa. Sim, a maioria são sítios para comer e comprar livros, mas vocês também já sabem o que é que a casa gasta.

 

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Posto isto, ide explorar a plataforma! Recomendo muito para quem gosta de descobrir sítios menos turísticos nos destinos para onde viaja. Depois contem-me se gostaram, sim?

 

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[Todas as fotografias deste post são da autoria da Ana Marta.] 

Qua | 21.11.18

Palavras Cruzadas // O pior Natal de sempre

Estamos a 34 dias da véspera de Natal, pouco mais de um mês. É só de mim ou falta demasiado tempo e que há coisas que ainda não se justificam? A saber: decorações, compras e músicas natalícias por todo o lado. Dezembro é o mês oficial de Natal, malta, porque é que decidimos antecipar a coisa para os finais de Outubro? Que mal fizemos nós?

 

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Se hoje em dia sou um autêntico Grinch e acho esta antecipação toda um grande disparate, quando era miúda o caso era bem diferente. Em Outubro já começava a fazer listas do que queria pedir pelo Natal; em Novembro chegavam os catálogos e anúncios de brinquedos e eu reformulava a lista; no primeiro dia de Dezembro não cabia em mim de excitação. O pior, mesmo, era ver os presentes a acumular-se debaixo da árvore sem poder abrir um que fosse. Pegava neles, abanava, apalpava e colocava-os junto ao ouvido para tentar adivinhar o que estava lá dentro - e, na maioria das vezes, acertava. Esta capacidade de perceber o que me vão oferecer antes de me oferecerem (e de, consequentemente, estragar a surpresa tanto para mim como para a outra pessoa) é algo que me persegue até aos dias de hoje.

 

Mas adiante. O cúmulo desta vontade de abrir prendas de Natal antes de tempo aconteceu num ano em que, tanto eu como o meu primo, convencemos a minha Tia e a minha Avó a abrir um presente por dia até à véspera de Natal. Um Calendário do Advento à séria, como podem perceber. Tanto lhes azucrinámos a cabeça que lá nos deram permissão para escolher um embrulho por dia e desfrutar, não sem antes nos avisarem que, se abríssemos os presentes todos, não teríamos nada para desembrulhar à meia-noite de dia 24.

 

Quem é que quer saber da véspera de Natal se pode ser Natal durante vários dias? Durante uma semana tivemos o MELHOR NATAL DE SEMPRE! Todos os dias, depois de jantar, íamos até à árvore e escolhíamos um. Até que chegou a consoada e, depois de jantar, não tínhamos nada para abrir. A família lá trocou presentes, vimos o papel de embrulho a amontoar-se pelo chão. Sorrisos, abraços, caras de surpresa. E nós os dois sem um único motivo de alegria - estávamos tão desesperados que, acreditem, um embrulho com meias bastaria.

 

Escusado será dizer que o melhor Natal de sempre passou, em poucos minutos, a ser o pior Natal de sempre. Nunca mais antecipámos o Natal e fomos muito mais felizes assim.

 

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Este é o 25º post da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com o P.A., mas vocês também estão mais do que à vontade para pegar nos temas e escrever sobre eles. O tema desta semana foi lançado por ele, o que significa que é revenge time! Para a próxima edição proponho escrevermos sobre o melhor presente que poderíamos receber este Natal (só para continuarmos no espírito natalício).

Ter | 20.11.18

Restaurantes // Treestory

Nunca fui à Geórgia, mas soube logo que estava num local verdadeiramente georgiano quando entrei no Treestory. Não tanto pela decoração, muito semelhante ao que vemos actualmente em qualquer café ou restaurante minimamente cuidado, mas pelo facto de quase só se ouvir falar georgiano. Aliás, durante o jantar que lá tivemos fomos, durante algum tempo, os únicos portugueses.

 

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Sabemos que um restaurante é autêntico quando os locais lá vão, não é assim? E parece que este restaurante não é só conhecido junto dos georgianos, uma vez que já tinha ouvido falar muito dele. As opiniões eram contraditórias: algumas pessoas diziam muito bem, outras nem por isso, e nada como ir lá e comprovar por mim mesma. Até porque a famosa tarte de queijo e ovo em forma de barco andava a inundar o meu feed de Instagram e parecia sempre deliciosa.

 

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Mas já lá vamos, comecemos pelo início. Fomos muito bem atendidos desde início - o staff é todo muito simpático e faz um esforço genuíno por falar português connosco (e, ainda, de nos explicar como se diz correctamente o nome dos diferentes pratos). Pedimos duas entradas: um Sortido de Pkhali, Beringela e Cenoura, muito fresco e aromático, e uma Gebzalija com Pão, basicamente o paraíso na terra para loucos por queijo (eeeeeeuuuu!). Basicamente são uns rolinhos de queijo com molho de leite, acompanhados por uns pãezinhos de milho acabadinhos de fazer.

 

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Continuámos cheios de força para os pratos principais (o Guilherme vinha cheio de fome e, claramente, exagerámos no pedido). Como não poderia deixar de ser, pedimos a famosa Khachapuri da Araja, uma tarte quente no forno recheada com ovo e queijo derretido. A ideia é misturar o queijo com o ovo enquanto está quente e desfrutar da combinação. Uma coisa é certa: eu comia disto todos os dias.

 

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Logo a seguir veio a Kubdari com Carne, mais uma tarte quente. Esta é fechada e muito fininha, recheada com carne e especiarias. Eu só comi um bocadinho, já estava 1000% satisfeita, por isso acabámos por trazer quase todo este prato para casa. Já perdi a vergonha de trazer restos, sabem? Às vezes é um disparate e quantidade de comida que sobra e que é simplesmente deitada para o lixo. Ainda por cima dentro da minha mochila cabe quase tudo, por isso nem é preciso andar com a caixinha nas mãos.

 

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Está visto que não pedimos sobremesa, mas fiquei com algumas coisas debaixo de olho e acho que vamos regressar brevemente. Até porque o Treestory é um dos restaurantes Zomato Gold, em que é oferecido um prato na compra de outro (no fundo, é só uma desculpa para repetir a Khachapuri da Araja…). Vocês já conheciam este restaurante ou já experimentaram comida da Geórgia? Vamos, quero saber!

 

Treestory Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato