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Rita da Nova

Ter | 10.10.17

Foodprintz: receber os ingredientes do Outono

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Já vos disse que adoro feriados a meio da semana? É claro que calham sempre mais a jeito se forem à sexta ou à segunda, mas devo dizer-vos que este 5 de Outubro que passou me soube pela vida.

 

Inicialmente tinha tirado a sexta-feira de férias, para fazermos uma mini-viagem cá dentro. Mas depois a vida deu algumas voltas e acabei por retirar o dia (mais um que sobra para as férias grandes que quero fazer em Fevereiro), por isso ficámos apenas a aproveitar a calma típica e o calor menos típico da cidade nesta altura. Após uma ida prolongada ao ginásio, socorremo-nos da Zomato para decidir onde almoçar.

 

A parte menos boa dos feriados a meio da semana é que nos baralham o relógio biológico. Estava tão convicta que era domingo, que procurei instintivamente locais para fazer brunch. Foi então que, na lista de restaurantes Zomato Gold, encontrei o Foodprintz.

 

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Situa-se na zona do Rato e, mais do que um café, gosta de se afirmar como uma comunidade centrada na sensibilização para a cozinha vegetariana e vegan, na educação para o bem-estar e no respeito pelo meio-ambiente. Nesse sentido, não poderiam faltar as aulas de yoga, meditação e mindfulness. Embora tenha lá ido apenas com o intuito de almoçar, a verdade é que este sítio nos transmite uma calma muito boa, mesmo a condizer com a minha vontade de aproveitar aquele dia desgarrado de Verão.

 

Apesar disso, o Foodprintz recebeu-nos com a inauguração da carta de Outono - porque, mais ou menos disfarçado, ele já chegou. Foi por dois ou três minutos que perdemos a oportunidade de experimentar o menu de brunch, mas devo dizer que as opções de almoço não deixaram nada a desejar. E o menu está recheado de ingredientes que eu adoro!

 

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O Guilherme pediu a sopa do dia, um creme de cor avermelhada intensa que combinava beterraba, batata doce e ameixa. Percebem o que dizia sobre os ingredientes outonais? Mas esperem, que ainda fica melhor! Eu aventurei-me na salada do mês, chamada Autumn in the City, com espinafres, abóbora, cenoura, nozes tostadas e “queijo” feta de amêndoa, tudo regado com agave. Há qualquer coisa de maravilhoso na combinação entre os sabores e as cores da comida de Outono.

 

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O Hooray Tempeh foi o outro prato a vir para a mesa e impressiona logo pela apresentação. É um hambúrguer de tempeh com sabor a chouriço, servido com tomate seco, abacate, salada e um wrap de beterraba.

 

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Não havia forma de deixar o Foodprintz sem provar o tão aclamado Bolo de Chocolate e Abacate, e devo dizer-vos que é mesmo muito bom. Leve, fresco e sem açúcares, é a forma perfeita de encerrar um almoço como este. O nosso lado guloso levou-nos a pedir também uma Cookie de Manteiga de Amendoim e Caramelo, também muito boa, mas que não se conseguiu destacar depois do bolo cru.

 

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Já tinham ouvido falar deste espaço? Se procuram novas opções vegetarianas na cidade e ainda não conhecem o Foodprintz, então de que é que estão à espera? Durante a semana tem menus de almoço muito em conta e o brunch que vi na mesa do lado também tinha muito bom aspecto!

 

Foodprintz Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Seg | 09.10.17

#RitaNaRotaDoBrunch // Em modo Clandestino

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Há uma espécie de regra implícita lá em casa: temos que fazer brunch em pelo menos um dos dias do fim-de-semana. E, como podem calcular, eu ando sempre em busca de novos sítios - mais do que isso, de sítios diferentes - para que essa refeição não seja sempre a mesma coisa.

 

Andava há meses com o Brunch Clandestino debaixo de olho, mas não havia maneira de conseguir marcar. Ora porque as vagas desapareciam imediatamente, ora porque já era tarde quando me lembrava de tentar a minha sorte. Mas aconteceu este fim-de-semana.

 

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Para quem ainda não ouviu falar deste brunch, o nome não engana: não há cá ficha de restaurante na Zomato e tanto o local como a hora só se sabem no dia anterior, via e-mail. As marcações são feitas por e-mail e as datas são anunciadas através do Facebook e do Instagram. Ao início havia apenas seis lugares disponíveis por cada dia, mas agora já há espaço para dez pessoas.

 

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O Brunch Clandestino senta desconhecidos à mesa com o objectivo de os tornar um bocadinho mais conhecidos após aquelas duas horas de partilha da comida que está em cima da mesa. Isto porque, assim que chegamos, a comida já está quase toda em cima da mesa - falta o prato principal, que por ser quente está a acabar de ser feito na cozinha.

 

A ideia é que possamos começar a refeição por onde nos apetecer: seja pela sobremesa ou pela focaccia, pelo iogurte com granola ou pelo ovo estrelado, brioche recheado e frittata que compunham o prato principal da edição deste fim-de-semana.

 

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Esta coisa de conhecer pessoas novas não resultou a 100% comigo, não só porque ia na companhia do Guilherme, como encontrei a Isabel do Foodie Friend (um blog que está a começar, mas que já é um dos meus favoritos nestas lides da comida), a Inês Brandling que está por detrás da conta de Instagram Lisboa.Come (de que já vos tinha falado aqui) e o Paulo, que conheci no aniversário do Chévere a convite da Zomato.

 

Ficámos ali, em amena cavaqueira, mas fomos os nossos piores inimigos. Já se sabe o que acontece quando se juntam foodies, bloggers e instagrammers na mesma mesa: invariavelmente, por causa das mil e quinhentas fotografias, vamos acabar a comer tudo frio. Aceitámos o castigo de comer o brioche recheado já meio frio e seco, o que estragou um bocadinho a experiência. De resto, foi bom ir comendo sem regra nem pressa, que é assim que se quer ao fim-de-semana. Só senti falta de mais coisas doces na mesa, mas isso sou eu que não resisto a uma ou várias sobremesas.

 

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Se gostam de fazer brunch, mas já estão fartos de ir sempre aos mesmos sítios, então fiquem atentos e arrisquem em experimentar uma coisa diferente. E não se preocupem, que ninguém vos vai ficar com um rim.

 

Já conheciam o Brunch Clandestino? Que outros sítios com um conceito diferente me aconselham?

Dom | 08.10.17

Fim-de-semana em Lyon // Dia 2

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Nunca fui daquelas pessoas que espera até à meia-noite para fazer anos: deito-me quando tenho sono e acordo quando tenho que acordar. Mesmo que isso signifique aproveitar menos horas de aniversário, a verdade é que é mais especial acordar e sentir que o dia é meu.

 

Tínhamos planeado - com alguma antecedência até - fazer um brunch demorado no APIALES, mais uma dica preciosa da Vera. Foi também ela quem me explicou que, nesta cidade, há um amor tão grande pela comida que tudo é comprado fresco. É por isso que convém marcar mesa num restaurante com alguns dias de avanço - não tanto porque podemos correr o risco de não ter mesa, mas porque os Chefs preferem comprar tudo diariamente e à conta.

 

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Sabia que ia gostar da experiência no APIALES, só não sabia que iria gostar tanto. Nunca mais daqui saía se vos falasse pormenorizadamente de cada prato, mas é importante que saibam algumas coisas sobre este sítio. Em primeiro lugar, o menu de brunch é fixo e igual para todos, mas muda semanalmente e é testado durante os dis úteis, ao almoço. É quase um best of daquilo que o restaurante foi servindo durante a semana.

 

Receberam-nos com uma Mimosa e uma Sopa de Milho, Trigo Sarraceno e Bacon Crocante. O primeiro prato (e o meu favorito) era composto por Ovo Escalfado com Couve-flor e Baunilha e uma Salada de Leguminosas. Ainda antes de podermos escolher um bolo ou torta da vitrine, ainda provámos uma Truta com Caril de Legumes. Um brunch à séria, portanto, que me deixou na disposição certa para aproveitar o dia da melhor forma.

 

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Vocês já me vão conhecendo e têm, certamente, a noção de que eu sou uma control freak, sobretudo no que às viagens diz respeitos. É bem verdade - não consigo partir para uma viagem ser ter noção daquilo que quero ver, dos restaurantes onde quero comer e das livrarias que quero visitar. Ainda assim, nesta ida a Lyon, permiti-me relaxar. É claro que não consegui ir a 100% em estilo livre e sabia que queria ver algumas coisas, mas não me obriguei a seguir um plano.

 

Assim, começámos a tarde a subir até ao Jardin des Curiosités para termos acesso à vista mais bonita da cidade de Lyon. Não estou a brincar, é mesmo maravilhosa e tivemos sorte de apanhar o céu completamente descoberto. E sabem o que é mais impressionante? É que pouca gente conhece este sítio, por isso não só há pouca gente, como dificilmente encontram turistas lá. Ficámos durante largos minutos a admirar a vista e eu senti que valeu bem a pena a subida íngreme até lá chegar.

 

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A caminho da Basílica de Fourvière - que, para quem conhece Paris, é uma Sacré-Cœur em miniatura - passeámos um pouco pelo Théâtre Gallo-Romain, que é uma paragem obrigatória para quem gosta de história e, sobretudo, da época romana. 

 

Estava tanto calor que decidimos abrigar-nos um pouco dentro da própria Basílica. Assim que lá entramos, e para nosso espanto, damos de caras com uma cerimónia religiosa indiana. Não sei ao certo do que se tratava, mas percebi que era uma celebração católica um pouco fora do normal. Se o interior da basílica já é impressionante, foi ainda mais bonito vê-la assim, cheia de gente num festejo diferente.

 

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Depois disto, honestamente, fomos andando. Sem grandes pressas nem planos. Descobrimos a Passerelle des quatre vents e descemos lentamente até à zona histórica de Lyon.

 

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A Place Saint-Jean e área envolvente são o mote perfeito para nos perdermos nas ruas de Lyon. Tudo aqui tem um ar amoroso e calmo, muito por culpa dos edifícios em tons terra. Esta é, possivelmente, a parte mais turística da cidade, mas mesmo assim não senti que fosse impossível andar. Quer dizer, pelo menos até chegar à porta da gelataria Terre Adélice.

 

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A fila era enorme e crescia a olhos vistos, mas o gelado valeu cada segundo de espera. Já no ano passado tinha tido um bolo de aniversário diferente e, apesar de o deste ano não chegar aos calcanhares de um Space Cake comido em Amesterdão, tenho que admitir que foi muito divertido soprar uma vela numa bola de gelado de abóbora e castanha.

 

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Depois de cantar os parabéns (rápido, antes que o bolo derretesse), ainda demos um saltinho ao Musée Miniature & Cinéma, que reune uma série de cenários conhecidos do cinema… em miniatura! Não entrámos mesmo no museu, mas à entrada há uma exposição grátis que já dá para ter uma ideia do que podemos encontrar. O resto da tarde foi passado a respirar a atmosfera de Lyon, sobretudo na zona de Bellecour - Hôtel Dieu e de Croix Rousse, dois barros que embora não sejam centrais, se visitam muito bem a pé e são também muito característicos.

 

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O jantar, num dos restaurantes que fica mesmo ao lado do sítio onde tínhamos jantado na noite anterior, foi simplesmente perfeito. Fazia muito calor, por isso o empregado do Chez Lucien perguntou-nos se nos queríamos sentar no terraço. Fê-lo em francês, obviamente, como aliás aconteceu toda a nossa comunicação durante o resto da noite. Podia falar-vos de tudo o que comi, mas só quero dizer-vos isto: a minha sobremesa tinha figos cozidos em vinho do Porto, com gelado de amêndoa e eu não acredito que haja, no mundo, algo mais perfeito do que isto.

 

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Soube-me muito bem obrigar-me a ter calma e a aproveitar o dia sem estar a pensar nas mil e uma coisas que não estava a visitar ou a conhecer. Lyon foi uma cidade muito simpática comigo: acolheu-me muito bem e ajudou-me a receber os 26 anos numa nota muito tranquila e positiva. Mas não pensem que acabou! Ainda vos trarei o terceiro dia deste fim-de-semana prolongado, que foi rico em aventuras e passagens secretas.

 

Até lá, deixo-vos uma pergunta: que formas criativas têm de festejar aniversários?

Sex | 06.10.17

SOI: um banquete de street food asiática

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Nunca fui à Ásia - nem é, em termos de viagens, a minha prioridade nos próximos tempos -, mas é uma das cozinhas de que mais gosto. Sei que quando decidir começar a explorar este continente, vão ser experiências muito boas do ponto de vista gastronómico. Por isso, quando abrem novos restaurantes asiáticos em Lisboa, ficam sempre na minha lista de sítios a ir.

 

Fiz uma entrada a pés juntos quando fui conhecer o SOI, o novo sítio da moda para comida asiática. Fui recebida com um cocktail cujo elemento principal era o leite de côco - e eu não consigo gostar de nada que tenha o sabor desta fruta. Prometeram-me uma nova bebida sem côco e ela chegou: era um mocktail de maçã e canela, muito leve mas fresco.

 

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Como aqui o conceito é o de servir street food asiática, tinha a ideia de que iria entrar num espaço mínimo e com pouco espaço para sentar. Achava até que as mesas iriam ser para partilhar entre diferentes grupos de pessoas, mas não. É até relativamente espaçoso, com mesas maiores ou mais pequenas consoante o tamanho da festa. Também não é escuro, como estou habituada a que sejam os espaços com este tipo de cozinha e conceito.

 

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Éramos um grupo grande e, mesmo quando é suposto que partilhemos comida, é sempre complicado acertar em algo que agrade a toda a gente. Colocámo-nos completamente nas mãos do staff e pedimos que nos trouxessem aqueles que já são considerados os melhores pratos, apesar de o restaurante ter apenas dois meses de existência. Estas especialidades existem e não são poucas.

 

Nas entradas, para começarmos a entrar no mood do SOI, tivemos direito ao Spicy Edamame, que gostaria que fosse um pouco mais picante, algo que já não posso dizer das Korean Chicken Wings - bem cozinhadas, picantes e suculentas. Foi, possivelmente, a minha entrada favorita. Provámos ainda as Money Bags, recheadas com cogumelos, e os Tacos Bhuna Gosht (com caril de borrego, iogurte e hortelã), dois pratos que impressionam tanto na apresentação como na combinação de sabores.

 

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Ainda faltavam duas entradas e eu já estava a ficar cheia - problemas de ter um estômago pequeno, mas muita vontade de comer. Chegou um Ceviche de Camarão com Salada Thai, da qual provei apenas um bocadinho, já que não sou fã de camarão cru. E, para terminar, os maravilhosos Bao de Pato. Aqui não me contive e comi dois em momentos diferentes, mas confesso que aquele que vinha acabado de fazer estava muito melhor do que o primeiro que comi.

 

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As espetadas também são uma das estrelas da carta do SOI e pudemos experimentar as três: Frango Teriyaki, Porco Satay e de Camarão. Mesmo não gostando especialmente de carne de porco, achei-as muito boas - mas não tão boas quanto as de frango.

 

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Eu sei o que estão a pensar: “mas isto nunca mais acaba?”. Meus amigos, ainda faltam os pratos principais. A dividir por todos, claro, para cumprir o conceito do restaurante, mas sobretudo para podermos aguentar esta empreitada até ao fim. Da secção Wok on Fire chegaram os Pad Thai (de vegetais, de frango e de camarão), o Udon de Caranguejo e o Arroz Frito do Mar. Estavam todos muito bons e, segundo pessoas que já viajaram pela Ásia, alguns destes pratos estavam iguaizinhos aos que se podem comer por lá. O meu favorito foi o Udon de Caranguejo, já que era o prato mais picante e inesperado.

 

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Ainda antes de chegarmos à parte mais doce de todo este banquete, tivemos direito a cheirar e provar um Green Thai Curry - honestamente, um prato demasiado intenso para mim, mas com o arroz de acompanhamento a servir para ajudar a limpar o palato.

 

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Depois de tantos e tão diferentes sabores - alguns explosivos, outros sempre intensos -, precisávamos de sobremesas que aliviassem esta batalha que os diferentes ingredientes estavam a travar nas nossas bocas e que dessem sinal de que eram horas de ir embora. Afinal, sentimo-nos à mesa por volta das 20h30 e só nos levantámos perto da 1h da manhã.

 

Estava, desde o início da refeição, louca para provar o Matcha Brownie, mas infelizmente já não havia. Ainda assim, os Sorvetes (de yuzu, de ananás hortelã e caju, de maracujá e líchias e, o meu favorito, de morango e manjericão) eram tão frescos e leves, que foram uma óptima nota final para este jantar com ares de ceia. Para além disso pude experimentar um Panacotta Cheesecake (quiçá, a melhor junção de sobremesas de sempre), com sésamo e maracujá.

 

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Provei muita coisa no SOI? Provei. Mas acreditem que ficaram muitos outros pratos e combinações de ingredientes para provar e explorar. Ainda não está perfeito, mas se nestes dois primeiros meses de existência já é um restaurante com qualidade e um serviço impecável, tenho a certeza que é um daqueles sítios que promete ir surpreendendo ao longo do tempo.

 

Já conheciam este sítio? Ou ficaram com curiosidade para experimentar?

 

SOI Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato