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Rita da Nova

Sab | 21.10.17

Polpetta: almôndegas artesanais e à séria

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Há, dentro de mim, um alter ego italiano que de vez em quando vem ao de cima. Normalmente em situações como: dizer pistáquio em vez de pistáxio, ter um ataque de nervos quando me dizem que os gelados da Santini são os melhores do mundo ou quando preferem pizzas feitas em Portugal às verdadeiras pizzas italianas. Também acontece quando peço uma bruschetta (também se lê brusquetta e não brusxeta) num restaurante - fico logo à espera que dê asneira.

 

Quando entrei no Polpetta, um espaço modesto no Regueirão dos Anjos, não estava à espera de reencontrar os verdadeiros sabores italianos. Sabia que o restaurante tinha uma cozinha inspirada neste país, afinal polpetta significa almôndega em italiano, mas ia com as expectativas muito em baixo. Levei logo uma estalada de luva branca assim que dividi uma Bruschetta com Mozzarella com o Guilherme e percebi que estava no ponto: o pão não demasiado duro, temperado com azeite e alho como se quer, com uma mozzarella fresquíssima.

 

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A Ana e o João escolheram a de presunto e não me pareceu que se tivessem arrependido. É que, no Polpetta, aconteceu uma coisa que é raro acontecer: correu tudo bem à primeira. Fomos atendidos por uma colaboradora amorosa, fizemos escolhas perfeitas e acertaram com o Zomato Gold sem termos que mandar a conta para trás vinte vezes (como já me aconteceu).

 

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Neste restaurante tudo é simples: a decoração é reduzida ao essencial, bem como a ementa. Há algumas entradas (foi daí que pedimos as bruschettas) e depois podemos escolher o tipo de almôndegas (vaca, porco, frango ou de batata doce com vegetais), o molho que queremos (iogurte, pesto, tomate ou cogumelos) e o acompanhamento (puré de batata, pasta fresca, polenta frita, legumes assados, salada, couscous ou batatas rústicas). As combinações são infinitas e convidam, desde logo, a um regresso rápido para podermos experimentar tudo.

 

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Mas também há algumas sugestões do Chef que me pareceram interessantes, embora tenha decidido brincar um bocadinho com a carta. Às almôndegas de frango acrescentei molho de cogumelos, extra de mozzarella (peçam também se gostarem de queijo) e acompanhamento de legumes assados. Meus amigos, vocês não imaginam a delícia que era este prato. Raramente me acontece, mas acabei de comer e pensei imediatamente em que dia poderia voltar a comer aquilo de novo. Logo eu, que nunca liguei muito a almôndegas.

 

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Para a mesa vieram as mesmas almôndegas de frango com pesto e legumes assados, numa outra versão com molho de tomate e salada e, ainda, as almôndegas vegetarianas com pesto e polenta. Ficámos todos muito satisfeitos com os nossos pedidos - a verdade é que não há nada a apontar quando sentimos que a comida é o mais caseira possível, feita com carinho e cuidado.

 

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E quando eu achava que este pequeno restaurante, pelo qual não dava nada quando entrei, não conseguia surpreender-me mais, eis que me tentam com um cheesecake de caramelo salgado. Ora, para perceberem o impacto que isto teve em mim precisam de saber que cheesecake é a minha sobremesa favorita e que eu sou louca por caramelo salgado. Pareceu-me a combinação perfeita e era-o de facto.

 

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Há muito tempo que não saía genuinamente satisfeita e agradavelmente surpreendida de um restaurante. Promete ser daqueles sítios onde ir em noites de Inverno, quando nos apetece algo reconfortante, mas não há vontade de cozinhar. Ainda por cima fica tão perto de casa que dá para regressar a pé e desmoer.

 

Conhecem o Polpetta? Se não, está mais do que recomendado. Toca a ir desfrutar de um belo prato de almôndegas e agradecem-me depois.

 

Polpetta - Almondegaria Artesanal Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Sex | 20.10.17

Frankie Hot Dogs: cachorros com tudo e mais alguma coisa

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Há coisa de um ano decidi ir almoçar, a um sábado, ao Frankie Hot Dogs do Campo Grande. Para quem nunca ouviu falar, é um sítio especializado em cachorros quentes, com as mais variadas combinações de ingredientes no topo. E quando eu digo "mais variadas combinações" quero dizer "cachorros com tudo e mais alguma coisa". Quando, ainda dentro do carro, vi a fila à porta que dava a volta ao edifício, desisti e fui a outro lado. Desde então, nunca mais tinha tentado a minha sorte.

 

Ontem, em consequência de um jantar com amigos, decidimos experimentar o Frankie do Saldanha. Fica mesmo junto a uma das entradas do Técnico (do lado do Arco do Cego) e quando chegámos não havia filas à porta. “Bom prenuncio”, pensei. Quando entramos no restaurante não nos apercebemos da sua dimensão. Funciona com sistema de pré-pagamento logo à entrada, daí ser fácil acumular filas de espera.

 

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Depois de pedirmos, descemos para uma espécie de cave e fiquei surpreendida com a quantidade de mesas que tem. É um espaço mesmo muito giro, todo decorado com tijolo e elementos inusitados - como regadores e pistolas de gasolina a servir de candeeiros, plantas a cair do teto e mesas de diferentes géneros. O único senão é ser demasiado barulhento.

 

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Apesar de termos demorado algum tempo a fazer o nosso pedido, ainda não nos tínhamos sentado quando os cachorros começaram a chegar. Para a mesa veio um Veggie, dois Boss, um Texas, um Italian e eu pedi um Cherry Dog. Gostei muito do pão, muito diferente daquilo a que associamos o pão de cachorro - era mais maciço e com o sabor a fazer lembrar uma baguette. Achei a salsicha meio de plástico e não me soube a frango, como era suposto ser. Ainda assim, gostei muito do sabor que o balsâmico, o tomate cherry e o queijo feta deram ao cachorro.

 

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Experimentei as duas saladas como acompanhamento e achei que tinham pouco molho de tempero, por isso a determinada altura senti-me a comer apenas alface. As batatas fritas com queijo por cima fazem babar só de olhar e são 100% ideais para uma fotografia do Instagram, mas provei-as e o sabor desiludiu um bocadinho.

 

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Acho que o facto de ser tão barato, rápido e ter um atendimento muito mais simpático do que o normal dos restaurantes de fast-food é o que torna o Frankie tão popular. Isso e a proximidade a escolas e faculdades, claro. No geral não foi uma má experiência, mas depois de ver tantas fotografias pelas redes sociais, confesso que esperava um bocadinho mais.

 

Já visitaram o Frankie? O que acharam dos cachorros? Contem-me tudo aqui nos comentários!

 

Frankie Hot Dogs Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Ter | 17.10.17

Sim, dei um Workshop de Escrita Criativa

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No outro dia revelei-vos que me tinha enchido de coragem e para, finalmente, abrir o meu próprio Workshop de Escrita Criativa. Quando o fiz, não estava à espera que esgotasse num instante, nem planeei abrir uma segunda data no fim-de-semana seguinte. Mas aconteceu.

 

Não consigo explicar-vos a felicidade que o sábado passado me trouxe. Consegui reunir, na mesma mesa, oito pessoas com amor pela escrita e pelas palavras; e, durante um dia inteiro, estivemos apenas focados em escrever. Umas vezes saíram textos melhores, outras vezes saíram coisas menos boas, mas o propósito foi cumprido: dedicar um dia a desbloquear a escrita. Podem ler as impressões do David, um dos participantes, aqui

 

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E, por falar nisso, o que dizer da minha primeira turma de Escrita Criativa? Foram certamente as melhores cobaias que poderia ter tido: interessados, participativos, com vontade de ouvir e de partilhar as palavras que foram saindo dos exercícios. Para além disto, a minha Ana e a Sofia (as Olívias) trataram de tornar o dia ainda mais especial, com uma Lunch Box, um coffee break e bebidas que nos refrescaram ao longo do dia.

 

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De uma coisa tenho a certeza: o próximo workshop, que decorre já no domingo, não será o último. Sinto que encontrei uma maneira de me aproximar das pessoas através de algo que amo - a escrita. E acho que foi isso que me deixou mais feliz e realizada.

 

Teriam vontade em participar se eu abrir mais datas? E pelo Porto, há interessados?

Seg | 16.10.17

Mezze: um restaurante sírio muito especial

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As Mezze são, nada mais nada menos, do que pratos para partilhar. O equivalente aos nossos petiscos ou às tapas espanholas nos países de Leste, Balcãs partes da Ásia Central. Mas “Mezze” é também o nome do primeiro restaurante sírio de Lisboa, criado com um propósito muito maior do que apenas fazer negócio.

 

No dia em que fui conhecer este sítio, no Mercado de Arroios, um amigo teve que ir guardar lugar na fila que se começa a formar pouco antes das 19h, a hora de abertura. O Mezze não faz reservas, mas se forem por volta deste hora conseguem safar-se bem. À primeira vista, é um restaurante como qualquer outro ali daquele edifício: o balcão e a cozinha ocupam o lado direito da sala e, bem no centro, fica uma mesa comprida com espaço para um grupo grande ou para vários grupos mais pequenos.

 

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Aquilo que o torna tão diferente é o facto de lá trabalharem dez refugiados sírios, que com a ajuda da associação Pão a Pão têm agora uma vida um pouco mais normal. Com a simples abertura de um restaurante tentaram começar a resolver um problema maior do que a necessidade de acolhimento dos refugiados - a sua reintegração.

 

E, deixem-me que vos diga, todas as pessoas que nos atenderam nessa noite já têm um português perfeitamente compreensível e mostram uma disponibilidade gigante para nos explicar os pratos e o funcionamento da carta. É incrível ver a força que o ser humano tem quando, depois de passar por períodos negros e de provação, consegue ter a oportunidade de se agarrar novamente à vida.

 

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O que mais nos prende no menu, para além das opções deliciosas, é o relato desta história e de como é possível fazermos coisas boas uns pelos outros. Depois de a lermos e relermos, decidimos finalmente começar a pensar no que comer. A carta está dividida em seis menus pré-definidos e em pratos a la carte, mas como queríamos provar um pouco de tudo cada um escolheu um menu. Antes de me decidir, pedi um Sumo de Tamarindo, que acompanhou a refeição durante toda a noite.

 

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Optei pelo Menu 2, vegetariano, que trazia Tabbouleh (salada de salsa picada, bulgur, tomate, cebola e hortelã), Baba Ganoush (puré de beringela assada com tahini, xarope de romã e especiarias), Hummus (pasta de grão com tahini e creme de sésamo), Moussaka (beringelas no forno com tomate e especiarias) e Khubz (pão sírio). Estava tudo tão bem feito, tão delicioso, que tive de pedir outro Khubz para acabar de limpar os pratos todos. Adoro Baba Ganoush e nunca tinha provado um assim, com pedaços grandes de beringela e romã.

 

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Para a mesa, escolhas de outros menus, vieram também outros pratos: Fatoush (salada mista com pão árabe estalado), Meshawi (espetadas de borrego com molho de iogurte e outras de frango), Kebseh (arroz fumado com pimentos), Kibbeh (bolinhos fritos de carne de vaca, bulgur e especiarias) e Shorbet Adas (sopa de lentilhas).

 

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Não podíamos ir embora sem provar o lado mais doce da cozinha do médio oriente, com uma Baklava de Pistáchio que apesar de muito doce estava mesmo muito boa.

 

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A conta não ficou muito barata, mas também não nos poupámos em pedir vinho e mais pão sempre que necessário. Ainda assim, sabem aquelas contas que não custam nada pagar, porque sabemos que o dinheiro servirá para fazer bem? Foi essa a sensação com que saí do Mezze e o objectivo com que voltarei a entrar sempre que me apetecer comer boa comida num ambiente caseiro.

 

Mezze Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato