Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Rita da Nova

Sex | 09.06.17

Liztomania // Banda sonora de trabalho

Acredito que seja assim com muita gente, mas no outro dia reparei que trabalho melhor se estiver a ouvir determinado tipo de música. E que tenho quase um artista ou banda definidos para cada tipo de tarefa que faço durante o dia. Na verdade, para mim o Spotify é uma ferramenta de trabalho tão importante como um caderno e uma caneta.

Hoje decidi trazer-vos algumas das minhas playlists favoritas, na esperança que partilhem também algumas sugestões comigo.

liztomania

 

 

Para arrancar

Normalmente reservo a primeira hora do dia para me pôr a par do que está a acontecer no mundo e para ler artigos da área em que trabalho. É também a altura em que a música ajuda a acordar, por isso costumo aceitar as sugestões que o Spotify me dá através do Your Discover Weekly e do Release Radar. Se estiver mesmo a precisar de agitação, então oiço a playlist Good Vibes.

 

 

 

Velocidade de cruzeiro

Para aqueles momentos em que não preciso de pensar muito, mas preciso de estar concentrada, tenho quatro grandes favoritos: LANY, , The 1975 e Oh Wonder. São músicas relativamente animadas, mas não demasiado, por isso servem como bom pano de fundo de tarefas mais automáticas.

 

 

 

Escrita e concentração máxima

Só há uma banda que me ajuda a estar 100% embrenhada no processo de escrita - os London Grammar. Sim, bem sem que não são propriamente positivos e que, por vezes, a música deles chega até a roçar o depressivo. Mas o que é que hei-de fazer? As coisas tristes sempre me inspiraram mais e melhor do que a felicidade, sobretudo em processos de concentração ou quando preciso de escrever. Estou, aliás, em fase de countdown para o concerto deles no Super Bock Super Rock, já que nunca os vi ao vivo.

 

 

E vocês, que música gostam de ouvir enquanto trabalham? E, já agora, a que festivais de Verão vão este ano?

Ter | 06.06.17

Comer em casa? "A Rita não quer.”

Há uma piada – que, de tão idiota, nem devia chamar-se assim – em que o marido chega a casa e a mulher o recebe com um “Amor, hoje vamos jantar fora! Pus a mesa no quintal”. Com ou sem graça (definitivamente sem graça), a anedota dá força a uma ideia que me parece mais ou menos evidente: a maioria das pessoas gosta de ir comer fora.

Preferimos o cheiro a grelhados de alguns restaurantes ao Ambipur Fresh versão marca branca que comprámos para pôr na sala, não nos importamos de comer com talheres desinfectados (sabe-se lá como) naquelas mini máquinas de lavar loiça e – mais importante – pagamos uma conta exorbitante quase de lágrimas nos olhos, enquanto sacamos de uns míseros euros para deixar em cima do talão que veio até à mesa deitado num pratinho de metal.

Alguns de nós vão a restaurantes porque não sabem sequer distinguir um alho de uma cebola, outros fazem-no porque estão demasiado cansados para cozinhar, mas há ainda uma outra categoria, na qual admito inserir-me: aqueles que fazem refeições fora de casa porque simplesmente gostam. Ora, a história de como me tornei uma dessas pessoas – que embora saibam cozinhar e o façam com satisfação, têm ainda mais prazer em experimentar restaurantes – começa algures em meados dos anos 90.

Entre os quatro e os seis anos passei por aquilo a que a minha família, não sem uma pitada de irritação, chamou “ser um pesadelo para comer”. À hora de almoço não havia comida que passasse por esta goela e, como qualquer criança que se preze, conseguia levar a minha avante com especiais requintes de malvadez. A minha santa Avó já só comprava e preparava coisas que me agradassem, mesmo sabendo que o mais provável era ouvir um “a Rita não quer”.

mini-rita

 

 

Era vê-la a correr para o balcão da cozinha, a apertar o avental à cintura que nem um super-herói a colocar a capa, balbuciando promessas de conseguir salvar o dia. “Pronto, pronto, não faz mal, vamos lá arranjar qualquer coisa”.

- E uma bananinha com bolacha, assim tudo migadinho? Queres, Ritinha?

- Quero! – dizia eu, sorridente.

Cheia de falsas esperanças, convencida que daquela vez seria na mouche, a Super Avó agredia uma banana com um garfo bem pontiagudo, ao mesmo tempo que reduzia uma série de bolachas Maria em pó e misturava tudo com alguma agressividade nos punhos. Punha-me o prato à frente.

- A Rita não quer.

E a história repetia-se até ser hora de jantar. 

Ninguém se lembra muito bem de quando nem como surgiu a solução para este problema, mas a chave para me pôr a comer morava – literalmente – ao lado. Durante muitos anos morámos numa rua de vivendas geminadas, uma rua em que toda a gente se conhecia e se falava para além de um “bom dia” despachado.

 

Fui cobaia de todos os estratagemas alguma vez criados para conseguir pôr uma criança embirrante a comer. Utilizaram a técnica do avião, mas não havia meio de me convencerem a abrir a boca e a colher de Cerelac via-se obrigada a fazer uma aterragem de emergência dentro da tigela. Experimentou-se a táctica altruísta: “Vá, esta colherzinha é para o primo. Esta agora é para os meninos pobrezinhos. E esta colherzinha é para o periquito”. Se era para os outros, porque é que tinha de ser eu a engolir? Em desespero, ainda tentaram convencer-me pelo medo. Eu queria lá saber: o Papão e o “Homem do Trovão” que viessem, que eu lá estaria para os enfrentar.

 

Um dia (não se sabe qual), alguém (não se sabe quem) teve a feliz ideia (não se sabe como) de me perguntar se eu queria “ir almoçar à casa da Dona Aninhas”, a vizinha do lado. Aceitei imediatamente a proposta e lá fui, sem acenar adeus àqueles que ficaram sentados à nossa mesa.

- Então, a Ritinha comeu bem? – perguntou a minha Avó, ao meu regresso, já certa de que a resposta seria negativa e viria acompanhada de um “mantenha esse ser diabólico longe da minha sala de jantar”.

- Se comeu bem? Fartou-se de comer. Se ela não jantar, não fique preocupada.

mini-rita-avo

 

 

A partir de então, passei a ir comer à casa da Dona Aninhas quase todos os dias. Para não sobrecarregar a pobre senhora e respectiva família, a Super Avó delineou logo uma estratégia.

Aproximava-se a hora da refeição e tentavam pôr-me a comer. A Rita não queria. Então, faziam a pergunta do costume: “queres ir comer à casa da Dona Aninhas?”. A esta altura, era preciso agir depressa. A minha tia levava-me para a sala, calçava-me os sapatos, dava-me conselhos de como me comportar em casa de outros, pegava-me pela mão e ia entregar-me à porta da frente da Dona Aninhas. Enquanto isso, a minha Avó voava na cozinha, punha a comida que havia preparado dentro de caixas, tupperwares e bolsinhas. Escapulia-se pelas traseiras e passava o arsenal gastronómico por cima do muro ao Senhor Manuel, marido da vizinha, que tratava de pôr tudo em pratos limpos o mais depressa possível.

Quando finalmente regressava ao lar, passadas duas ou três horas, deixava todos boquiabertos ao perceberem que não só tinha comido aquilo que a minha Avó havia contrabandeado pelo quintal, como ainda tinha dado umas belas trincas ao almoço dos vizinhos. Depois disso ainda enfardara um iogurte, uma fatia de bolo e, em dias felizes, uma ou duas peças de fruta.

Moral da história: eu não era “um pesadelo para comer”. Eu gostava mesmo era de fazê-lo fora de casa.

Dom | 04.06.17

Restaurante LOCO: tudo no momento certo

No início desta semana tive a fantástica oportunidade de ir conhecer o Restaurante LOCO, do Chef Alexandre Silva. Sabia que estava prestes a entrar num restaurante premiado com uma estrela Michelin, mas havia muita coisa que desconhecia em relação ao restaurante e ao seu autor.

A primeira coisa que impressiona é o espaço: pequeno, simples mas bem decorado, feito para que se dê atenção à cozinha (que podemos observar durante toda a refeição). E, logo a seguir - como não poderia deixar de ser -, somos presenteados com um excelente atendimento, coordenado ao segundo. Explicam-nos o menu. Na verdade só temos duas hipóteses: ou escolhemos 14 momentos ou escolhemos 18. Arriscámos nesta segunda opção, sem nunca saber o que isso significava.

restaurante-loco

 

 

O LOCO é um restaurante cheio de mistérios. A começar pelo conteúdo do menu, que vamos sabendo à medida que os pratos chegam à mesa, passando pela misteriosa chave que está pendurada no tecto, mesmo em cima de nós. Cada um tem que escolher uma e guardá-la, sinal que anuncia que estamos prontos para começar.

Dividem o jantar em quatro andamentos, cada um com um ritmo e propósito diferentes. Começamos com oito momentos de snacks, onde desde logo se faz um elogio aos ingredientes portugueses e aos pratos em que estamos habituados a vê-los incluídos.

pastel de bacalhau

espargo

mousse de brocolos

mexilhoes

pao com chouriço

ostra

croquete

 

 

Depois disto paramos abruptamente e ficamos à espera dos pratos principais. Sem nunca esquecer que cada um de nós tem uma chave. Eis que nos surpreendem com um primeiro prato principal no mínimo inusitado: o pão. Sim, leram bem, o pão. Um dos alimentos mais nobres da cozinha portuguesa, mas que muitas vezes é colocado em segundo plano. Pois aqui, no LOCO, dão-lhe um momento de fama e acompanham-no das mais deliciosas manteigas, azeite e, como não poderia deixar de ser, molho de bife. Seguem-se outros seis momentos, essencialmente de peixe e marisco, cada um mais delicioso que o outro.

pão

ceviche camarão

lirio

carapau

pargo a vapor

peito de pato

lingua de vaca 

 

 

E chegam à mesa, aos poucos, as sobremesas. Algumas são mais surpreendentes e improváveis, outras são mais comuns - como os petit-four finais acompanhados com café em balão, feito mesmo à nossa frente ao ritmo de uma conversa. Mas todas elas combinam perfeitamente com tudo o que comemos anteriormente, porque continuam o trabalho de elogiar os ingredientes portugueses.

alga-nori

espargo

cenoura

petit-four

 

 

“E a chave?”, perguntam-se vocês e perguntava-me eu na altura. A chave, como tudo neste restaurante, chega no momento certo. Nem mais depressa nem mais devagar do que era suposto. E acreditem que termina a refeição de uma forma bem peculiar. Mas, para descobrirem, terão que visitar o LOCO.

 

E vocês, já conhecem este restaurante? Ou está na vossa lista?

 

 

Loco Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Qui | 01.06.17

Planos para Junho

Nem sempre as coisas correm como as planeamos, mas não é por isso que deixam de aparecer coisas boas no nosso caminho. Aprendi a não planear a longo termo (excepto, talvez, viagens), porque houve uma altura da minha vida em que sofri demasiado por não saber gerir expectativas. Gosto de acreditar que já consigo geri-las um pouco melhor e que sou mais feliz por causa disso.

Isto para vos dizer que, infelizmente, o curso de Escrita de Viagens a que ia assistir em Maio acabou por não se realizar por falta de inscritos. Ainda haveria a hipótese de fazê-lo em Julho, mas as datas coincidem com um festival de Verão para o qual já tenho bilhetes. Tenho a certeza que surgirão novas oportunidades.

De resto, tudo aconteceu mais ou menos como esperado, embora tenha acabado por dar mais umas voltinhas pelo país do que era suposto (acreditam que não passei um único fim-de-semana completo em casa?). E acabei o mês de Maio com uma visita ao LOCO, um restaurante incrível de que vos falarei brevemente.

 

Hoje chega Junho, um dos meus meses favoritos para viver Lisboa - tudo por causa da Feira do Livro e dos Santos Populares. Mas atenção: não estou a falar dos Santos Populares da confusão, mas sim daqueles passados tranquilamente com amigos e sardinhas. E também já tenho outras coisas em debaixo de olho. Brevemente vou experimentar Paddle Surf (desejem-me sorte) e consegui, mesmo à última, lugar no Brunch do Mundo com inspiração no continente Americano.

quote1

(via Pinterest)

 

Ando também aqui a magicar a possibilidade de organizar um workshop de Escrita Criativa, de maneira a partilhar o amor que tenho às palavras. Parece-vos boa ideia? Alinhariam?

E vocês, que planos têm para Junho? Alguém desse lado vai já à Feira do Livro nos primeiros dias? Contem-me tudo!

Pág. 4/4