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Rita da Nova

Ter | 09.10.12

Primavera em Praga

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Praga. A minha primeira experiência mais a leste deixou-me muito perto do paraíso arquitectónico. Diz-se que as torres e as cúpulas checas foram inspiradas no modo italiano de fazer edifícios. Os meus olhos ficaram constantemente pregados no cimo, nos pontos mais altos da cidade, para mim os mais bonitos de todos. Não é que tenha uma escala monumental, mas os picos dos edifícios são fascinantes.

 

A parte mais antiga é do mais medieval que se pode imaginar. A possibilidade de nos aparecerem ao lado cavaleiros e damas dessa época torna-se tão plausível como um espirro depois de uma corrente de ar. Ao mesmo tempo, vemos os sinais de modernidade nas roupas das senhoras que passam na rua, cada uma mais elegante que a anterior.

 

O misticismo paira por cima das nossas cabeças como uma nuvem carregada de água, prestes a rebentar. Praga rima com cinzento: cinzento de magia e de secretismo. E, ao mesmo tempo, existem aqueles pormenores azuis e dourados que dão encanto ao conjunto. As pessoas parecem mover-se de acordo com esta premissa: nem demasiado depressa, nem demasiado devagar. Tem um ritmo próprio, que nos convida a demorarmo-nos um pouco mais nas suas paredes e nas margens do rio.

Calcorreei as ruas de Praga numa Primavera mais fria do que  o normal. É fácil de o fazer, sem nos cansarmos. E agora volto lá, já no final deste mês, esperando que o Outono me acolha com a mesma intensidade.

 

  
Uma vez disse, algures, que terei sempre um fascínio pelo ponto mais alto de qualquer coisa.
 
 
 
 
Quem for a Praga e não se perder nos detalhes é porque anda distraído com coisas menos importantes. 
 
 
  
O Castelo de Praga não saiu das histórias de encantar, mas maravilha mais do que se assim tivesse sido.
 
  
  
Os rios são mais do que um manto de água a atravessar uma cidade. São braços de conforto que a envolvem.
 
  
  
Em Praga não fomos nós que entrámos numa história fantástica. Foi ela que entrou, irremediavelmente, em nós. E dificilmente sairá.
 
  
  
Vale a pena pregar os olhos na Torre do Relógio, ao meio-dia. Todos os dias. 
 
 
Seg | 08.10.12

Paris num manto de chuva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paris. À chuva. Foi assim que a vi e vivi. Já muito se disse sobre esta cidade, para alguns a mais bonita de todas. Será sempre arriscado escrever sobre Paris. Mas é um risco ainda maior e quase inevitável aquele de nos apaixonarmos por ela.

Não é que a cidade precisasse, mas a chuva deu-lhe um encanto especial. A magia natural do reflexo de um sol tímido nas poças de água que fazem ninho no chão. A melhor sensação foi a de andar sem guarda-chuva, levar com as gotas na cabeça e sorrir, mesmo arriscando uma forte constipação. Afinal, estava em Paris.

Normalmente é visto como um destino romântico, para partilhar a dois, mas eu fui sozinha. Sim, claro que teria sido bom subir à Torre Eiffel ou passear ao longo do Sena com alguém. Para mim, contudo, Paris foi um reencontro comigo mesma. Estive num constante maravilhamento. Não sei se haverá outra cidade no mundo que consiga aquilo que esta faz tão bem: ser grandiosa e, ao mesmo tempo, estar à medida do homem.

Ali respira-se arte. Parece que tudo foi criado com o máximo de perfeccionismo, desde os edifícios às pessoas. Talvez as pessoas sejam uma das suas maiores riquezas: a diversidade fica-lhe bem e é bonita de ver.

Gosto sempre de recordar o momento em que fui a Sacre Coeur, para mim a parte mais bonita da cidade. Parece que o tempo não passou por aquelas ruas, mesmo que estejam cheias de turistas. Quase que se fundem com a vida daquele chão, por onde passou grande parte da massa artística de Paris. Subi a pé até à Basílica, com o cheiro da chuva a aproximar-se. Ainda não tinha chovido nesse dia.

Assim que cheguei, um senhor estava a tocar e cantar a música "Wish you were here", dos Pink Floyd, desde já uma das minhas músicas preferidas. Deixei-me ficar ali, estarrecida, a olhar para a vista. Continuei ali, mesmo quando as gotas de água começaram a cair do céu. Deixei-me simplesmente ficar. Nunca me senti tão acompanhada numa viagem.

Ficou muito por absorver, como sempre fica em sítios assim, tão carregados de história e vida. Mas também Paris não é cidade de se ir só uma vez na vida.

 

 

 
Torre Eiffel mascarada de Paz. E em todas as línguas.
 
 
Louvre, onde o antigo e o novo se fundem naturalmente.
 
 
As cores de Paris serão sempre das mais bonitas do mundo.
 
 
Não quero tirar mérito à Notre-Dame, mas Sainte-Chapelle tem em beleza aquilo que lhe falta em tamanho.
 
 
L'amour à Paris.
 
 
Há cenários mais parisienses que a própria cidade no seu conjunto.
Sab | 06.10.12

Veneza, a cidade encantada

 

Numa cidade em que as gôndolas substituem os carros, não é de espantar que as pessoas pareçam voar em vez de andar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Veneza. Teria sempre que começar um blog sobre as minhas viagens com este destino. Um dia disseram-me que se sobrevaloriza esta cidade. "Não é tão nada do outro mundo quanto se julga" e "até cheira mal", deram-me como argumentos. Confesso que nessa altura perdi toda e qualquer vontade de lá ir. Óptimo, achei, porque gosto de me gabar de fugir ao que é cliché.

 

 

E a viagem surgiu meses depois, estava eu a fazer Erasmus em Turim (sobre esta seria preciso um blog inteiro, de tão direito que me foi ao coração). Uma colega polaca sugeriu a viagem. Dois dias, apenas isso. E eu aceitei, mesmo havendo a possibilidade de irmos só as duas. Gosto de viajar assim, em grupos pequenos ou até sozinha. Lá fui, tentado neutralizar ao máximo as minhas expectativas. "O que for, será", pensei.

 

 

Ainda convenci uma amiga portuguesa a ir connosco, o que não foi uma tarefa nada difícil. E pusémo-nos a caminho, as três, prontas para um fim-de-semana na outra ponta do norte de Itália.

 

 

Agora digo-vos: não estava preparada para o que vi. Se houve um destino que me deixou constantemente de boca aberta, foi Veneza. Ali respira-se história em cada ruazinha magra e sinuosa. É fácil perdermo-nos e é isso que a cidade quase que nos exige. Convida-nos a ir cada vez mais longe, a virar à esquerda e à direita num labirinto que não acaba mais.

 

 

Sempre que me recordo de Veneza não consigo deixar de imaginar que, um dia, alguém a recortou das ilustrações de um conto-de-fadas e decidiu colá-la ali, naquele cantinho. 

 

O melhor que há a fazer é guardar o mapa na mochila e seguir sempre em frente, embrenharmo-nos no coração da cidade. Ela pede que respiremos uma vida mais antiga que o próprio mundo, carregada de romance. É um sítio sem igual e voltarei lá, nem que seja para me encontrar onde me deixei ficar perdida.

 

 

 
 
Em Veneza tudo é um reflexo constante do que foi, é e será.
 
 
 
Piazza San Marco, onde a imponência mora nos detalhes.
 
 
 
Momento "os animais são nossos amigos". E este era especialmente afável.
 
 
 
Numa cidade em que as gôndolas substituem os carros, não admira que as pessoas pareçam voar em vez de andar.
 
 
 
As pontes são as paredes do labirinto que é Veneza.