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Rita da Nova

Palavras Cruzadas // Um estranho de todos os dias

Um dia destes sento-me à frente dele e pergunto-lhe o que tanto escreve. Pensei uma vez, no meio das infinitas vezes que passei pela janela daquele café. Via-o sempre sentado ali, junto ao vidro. Sempre virado de frente para a porta, com folhas e cadernos em cima da mesa e de caneta em riste.

 

Para ser honesta, nem sempre o vi a escrever. Havia momentos em que, quando passava por ele, estava simplesmente a olhar para o infinito. Com aquele olhar perdido de quem tem ideias dentro da cabeça, mas nada no papel.

 

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Se o queria apanhar tinha que passar por ali exactamente entre as 8h45 e as 9h10, coisa que fiz durante quase dois anos da minha vida. Foram raras as vezes em que aquela mesa estava ocupada por outra pessoa ou não estava ocupada sequer. Mas sempre que estava lá, tinha uma hipótese diferente na minha cabeça sobre o propósito daquelas palavras todas.

 

A certa altura convenci-me de que estava a escrever um livro, era a explicação mais plausível. Com isso surgiram-me mais perguntas: será que era o primeiro? De que género seria? E sobre o quê? Mas nunca tomei coragem para me sentar à frente dele e perguntar-lhe de uma vez por todas o que tanto escrevia. E depois a vida aconteceu, passou por nós e eu nunca mais percorri aquele caminho de manhã.

 

De vez em quando pergunto-me: será que já publicou o livro? Também se cruzam recorrentemente com alguém na rua, tanto que já se tornou parte da vossa rotina? Partilhem as vossas histórias na caixa de comentários!

 

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Este é o quarto post da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com o P.A. e, quem sabe, convosco também. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. O tema desta quinzena foi ideia minhae podem ver também a resposta do P.A. ao desafio no blog dele. Para a próxima quinzena, estou completamente nas mãos dele (bring it on!).

 

Continuam a ler-nos nas próximas edições?

Palavras Cruzadas // O maior susto da minha vida

Antes de namorar com o Guilherme, eu não era pessoa de ver séries. Ainda hoje tenho alguma dificuldade em prestar atenção a episódios que durem mais do que 30 minutos, a não ser que esteja mesmo muito envolvida na história. Acho que isto acontece porque prefiro, desde sempre, criar os meus próprios universos, dar largas à imaginação para criar personagens e narrativas a seu gosto. Escrever e ler livros sempre foram as minhas formas favoritas de entretenimento; as séries e os filmes foram ficando para segundo plano porque sentia que já estava tudo construído à partida. É a diferença entre participar na história e consumir algo que já não pode ser mudado.

 

Agora já tolero algumas e vejo outras com muito interesse, mas independentemente do grau de ligação que tenho à série, há sempre uma coisa que acontece: adormeço a meio dos episódios. Sim, eu sei, pelo menos metade das pessoas que lerem isto vão achar que é um crime eu existir. É claro que não adormeço logo a meio do primeiro episódio que vemos, normalmente é só quando já estamos no segundo - em dias bons, no terceiro.

 

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Palavras Cruzadas // Um sonho recente

Durante muito tempo sonhei que, em momentos de aflição, conseguia voar. Agora que penso seriamente sobre isso, acho que era mais levitar do que outra coisa. De qualquer das formas, permitia-me fugir de situações desagradáveis ou de perigo e podia continuar no meu sonho sem ter de acordar. Essa faculdade mágica que tinha apenas nos meus sonhos foi desaparecendo aos poucos e deixei de conseguir voar. Até que, meses depois de conhecer o meu Pai, voltei a conseguir fazê-lo.

 

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Palavras Cruzadas // Músicas de Natal

Tenho uma relação muito estranha com o Natal. Assim à primeira apetece-me dizer que odeio esta época do ano: a falsa felicidade, a hipocrisia nas relações humanas e a obrigatoriedade de oferecermos coisas uns aos outros.

 

Tudo se enche de vermelho - possivelmente a cor de que menos gosto - e nem a comida consegue convencer-me. Perdoem-me, mas quem gosta verdadeiramente de sobremesas (e de comer no geral), não pode contentar-se com vinte doces que só sabem a açúcar e em jantar bacalhau com batatas.

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