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Rita da Nova

Os livros da Rita // Herland, Perkins Gilman

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Trouxe o Herland da Escócia, uma compra que foi fruto não só do roteiro que fiz pelas livrarias de Edimburgo, mas também de uma recomendação dada pelo staff da Golden Hare Books. A premissa prendeu-me imediatamente: um grupo de três exploradores descobrem uma sociedade isolada e independente, formada exclusivamente por mulheres.

 

O livro foi escrito em 1915 por Charlotte Perkins Gilman, que decidiu explorar a ideia de uma utopia feminista. O que percebemos com o desenrolar da narrativa é que este país é perfeito exactamente porque nenhum homem exerce poder ou influência na sociedade. Não há guerras, não há conflito, há apenas um conjunto de mulheres a viver com um objectivo comum - a manutenção da comunidade.

 

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O mais engraçado é que acompanhamos a narrativa sempre do ponto-de-vista destes três homens e, com eles, vamos colocando as mesmas questões. Se não existem homens, como é que elas se reproduzem? Como é que conseguem construir edifícios? O que fazem se forem atacadas? E vamos percebendo também que haveria mais vantagens numa sociedade dominada por mulheres do que as que o mundo em que vivemos parece acreditar.

 

Embora o livro tenha mais de 100 anos, continua a ser bastante actual e está escrito num inglês tão acessível que nem me dei conta da antiguidade desta obra. Recomendo vivamente a leitura a quem gosta de utopias, seja homem ou mulher, porque no fundo só vamos conseguir viver uma melhor versão da nossa sociedade se aprendermos uns com os outros.

 

Conheciam este livro? Que outros semelhantes recomendam? 

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Herland by Charlotte Perkins Gilman

Avaliação: 7,5/10

Os livros da Rita // A Rapariga no Comboio, Paula Hawkins

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Bem sei que já venho anos-luz atrasada para vos falar neste livro, mas a vida é assim: não o li quando toda a gente leu e agora preciso de deitar algumas coisas cá para fora. No outro dia vi uma notícia que dizia que A Rapariga no Comboio foi o livro mais vendido em Portugal em 2015. Antes de ler eu não percebia se isto era bom ou mau, mas agora acho que já compreendo o fenómeno.

 

Quando mostrei aqui pelo blog e no Instagram que A Rapariga no Comboio tinha sido uma das minhas pechinchas da Feira do Livro deste ano, recebi uma série de mensagens e comentários contraditórios. Uns diziam que o livro era muito bom, outros que nem valia a pena o tempo gasto. Como é óbvio, o facto de não ser consensual deu-me ainda mais vontade de ler.

 

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A premissa é mesmo muito gira e vou transcrever para que possamos estar todos na mesma página (viram o que fiz aqui?):

 

Todos os dias, Rachel apanha o comboio... No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente. Até que um dia...Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.

 

Basta ver a capa - agora inspirada no livro - para percebermos que estamos perante um thriller. E, na verdade, a estrutura da história, contada através de três pontos-de-vista diferentes, é suficiente para nos prender do início ao fim. Apesar disso, não gostei da escrita em si - só ainda não percebi se é culpa da tradução ou se é mesmo uma incompatibilidade entre mim e o estilo da autora.

 

Não me arrependo de o ter lido, mas certamente que não mudou a minha vida. Foi bom para ler uma coisa mais levezinha e diferente do que é o meu tipo de leitura habitual. Foi, como costumo dizer, “meh”.

 

Já leram A Rapariga no Comboio ou o Escrito na Água, o mais recente livro da escritora? Recomendam? Também já ouvi dizer que o filme é péssimo, é verdade? Contem-me tudo nos comentários!

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A Rapariga no Comboio por Paula Hawkins

Avaliação: 6/10

Semelhante a: A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert por Joël Dicker e Gone Girl por Gillian Flynn