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Rita da Nova

Os livros da Rita // A Amiga Genial (volumes I & II)

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Se acompanham as minhas Instagram Stories certamente se aperceberam de que ando numa maratona feroz com a tetralogia da Elena Ferrante. Da? Do? Na verdade, é apenas um pseudónimo e não se sabe ao certo se quem escreve é uma mulher ou um homem, nem há quaisquer pistas relativamente ao seu verdadeiro nome. Honestamente, não sei se não será melhor assim. Li algumas entrevistas em que ela (?) explica que só assim a sua escrita consegue ser genuinamente livre.

 

E é-o, de facto. Há muito tempo que não ficava assim tão presa na forma de escrever de alguém. Comecei o primeiro livro a medo, porque temia estar numa fase em que nada me cativava, mas a partir das 50/60 páginas, não consegui parar de ler. De tal modo que li os dois primeiros volumes em menos de nada e já vou no terceiro.

 

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A Amiga Genial não começa com grandes promessas narrativas, cativa-nos antes pela carga humana que existe em cada personagem. Passa-se no pós II Guerra Mundial, em Nápoles, e conta-nos a história de duas amigas: a Lila e a Lenù, que é também a narradora. A premissa é simples: já velhota, Lenù recebe um telefonema do filho de Lila, a dar-lhes conta do desaparecimento da mãe. Isto parece não a surpreender e dá-lhe o mote perfeito para contar esta história de amizade.

 

Nos dois primeiros livros - A Amiga Genial e a História do Novo Nome - acompanhamos a vida destas duas personagens num bairro pobre, desde a infância até ao final da adolescência. E à medida que tudo acontece, queremos sempre saber cada vez mais. Elena Ferrante conduz-nos pelas vidas e intrigas deste bairro, sobretudo pela história de amor-ódio entre estas duas mulheres, e só abre o jogo no momento certo.

 

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A vida era assim e ponto final, crescíamos com a obrigação de torná-la difícil aos outros antes que os outros a tornassem difícil para nós.

 

Tenho recomendado estes livros a toda a gente que me pede sugestões de leitura, já que a escrita é bastante equilibrada: vai ao mais íntimo do ser humano de uma forma simples e quase poética. De certeza que vou terminar os outros dois muito rapidamente, por isso hei-de contar-vos o que achei. Até lá, fiquem com esta ideia de leitura de Verão.

 

Já leram alguma coisa da Elena Ferrante? Que leituras semelhantes recomendas?

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A Amiga Genial by Elena Ferrante

Avaliação: 8,5/10

 

História do Novo Nome by Elena Ferrante

Avaliação: 9/10

Os livros da Rita // Os três livros que não consegui terminar

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Durante muitos anos, pela ligação e respeito que tenho aos livros, obriguei-me a terminar todos aqueles que me propunha a ler. Quer os adorasse ou nem por isso, rejeitava completamente a ideia de deixar um livro a meio. Ainda hoje me esforço por lutar contra a vontade de desistir às primeiras dificuldades. Afinal, se tivesse desistido d’Os Maias na descrição do Ramalhete, nunca tinha lido um dos livros da minha vida.

 

Seja como for, durante toda a minha vida houve três livros que deixei a meio. Acredito que não seja uma despedida definitiva: a nossa propensão para ler determinado livro com prazer depende de muitos factores e não exclusivamente do livro em si. Até porque, uma vez que me conheço melhor do que qualquer outra pessoa, sei perfeitamente o tipo de leitura de que gosto e, se não for a minha onda, nem sequer coloco a hipótese de lhes pegar.

 

O que é mais curioso (e dá ainda mais força à ideia de ser preciso o momento certo para determinadas leituras) é que estes três livros tinham tudo para os devorar. Mas vou falar-vos de cada um deles, para perceberem exactamente porquê.

 

Expiação, Ian McEwan

Foi o primeiro livro que deixei a meio - quase literalmente, já que consigo lembrar-me do local exacto onde o marcador ficou durante meses e meses, até ser substituído por um clip. E foi também a primeira vez que tentei ler um livro depois de ter visto a sua adaptação no cinema. Gostei muito mais do filme - ainda hoje é um dos meus favoritos -, mas não consegui passar de uma descrição de uma cena de guerra numa praia. A partir daí nunca mais vi o filme primeiro se tivesse intenção de vir a ler o livro.

 

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Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Lembro-me perfeitamente de ter comprado este livro com o Guilherme, na Livraria Lello, já que era um “must-read” partilhado. Trouxémos a versão em inglês, como fazemos sempre que é possível. Comecei a lê-lo no avião, mas depressa percebi que havia ali qualquer coisa. Possivelmente - racionalizei depois - teve a ver com o facto de ter lido muitos livros em inglês de seguida. Sei que tem tudo para que goste dele, só preciso de estar na disposição certa para que isso aconteça.

 

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One Flew Over the Cuckoo's Nest, Ken Kesey

Esteve na minha “must-read list” durante anos e era um dos livros que mais queria comprar na viagem a Nova Iorque. Encontrei-o na Strand Bookstore, depois de subir e descer escadotes de madeira. Mas cometi o erro de começar a lê-lo depois de ter lido o The Bell Jar e A História Secreta, dois livros muito fortes e intensos. Não é que não estivesse a gostar (pelo contrário), mas senti que nunca iria avançar por falta de disposição e motivação. Precisava de algo mais leve, para ganhar novo fôlego na leitura. Por isso deixei-o provisoriamente de lado e comecei A Amiga Genial.

 

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Isto não quer dizer que nunca mais tente ler estes livros. Significa apenas que estou muito mais relaxada e cedo cada vez menos à pressão de ter que terminar um livro só porque o comecei. Aprendi que, como em tudo na vida, não vale a pena forçar coisas que não têm que acontecer em determinado momento. Tudo tem um contexto certo e por vezes gastamos demasiado tempo a insistir nas coisas quando não é a altura certa para elas.

 

E vocês, como fazem? Obrigam-se a levar um livro até ao fim ou deixam leituras a meio quando não conseguem avançar? Que livros nunca terminaram? Contem-me tudo!