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Rita da Nova

Os livros da Rita // Uma Estranheza em Mim, Orhan Pamuk

Os livros de Orhan Pamuk que li - Museu da Inocência e agora este - são ambos sobre amor, mas não são românticos. E é isso que os torna tão bons. Em Uma Estranheza em Mim acompanhamos a personagem principal entre 1969 e 2012, por isso conseguimos criar uma relação íntima com ele e, ao mesmo tempo, com a evolução da cidade de Istambul.

 

A premissa do livro é simples, mas também dá tanto pano para mangas: Mevlut, a personagem principal, apaixona-se por uma rapariga num casamento e escreve-lhe cartas durante três anos. Depois disso, foge com ela. Acreditem que isto é só o início de muitas das voltas que as personagens vão dar. E quando parece que o livro não consegue surpreender-nos mais, lá somos apanhados na curva.

 

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Os livros da Rita // Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa

“Tens de ler Vargas Llosa” foi uma das frases que mais ouvi ao longo da minha vida de leitora, só que este autor foi sempre ficando para trás na pilha de coisas para ler. Já tinha mais ou menos a sensação de que iria gostar dele, uma vez que a literatura sul-americana tem um lugar muito especial no meu coração. Estava à espera de algum realismo mágico - possivelmente pelo histórico de leituras de Gabriel García Márquez -, mas Travessuras da Menina Má não tem nada disso.

 

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Os livros da Rita // High Fidelity, Nick Hornby

O livro High Fidelity de Nick Hornby ainda faz parte daquela pilha de livros que trouxe de Edimburgo este Verão. Ao contrário de muitos livros, que andam na minha mira há algum tempo, este veio comigo porque já me tinham aconselhado a ver o filme. Não fazia sequer ideia que tinha sido inspirado num livro e, quando o vi, achei curioso e resolvi trazer.

 

Conta a história de Rob Fleming, um trintão londrino e dono de uma loja de discos, que acabou de terminar a relação com a sua namorada Laura. Acompanhamo-lo durante todo o livro em dissertações sobre o amor, as relações e o compromisso. O livro começa precisamente com uma lista das 5 separações mais memoráveis para Rob e, ao início, achei-o um autêntico palerma. Com o desenrolar do livro fui descobrindo o lado mais humano desta personagem, as suas motivações e medos.

 

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Os livros da Rita // Herland, Perkins Gilman

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Trouxe o Herland da Escócia, uma compra que foi fruto não só do roteiro que fiz pelas livrarias de Edimburgo, mas também de uma recomendação dada pelo staff da Golden Hare Books. A premissa prendeu-me imediatamente: um grupo de três exploradores descobrem uma sociedade isolada e independente, formada exclusivamente por mulheres.

 

O livro foi escrito em 1915 por Charlotte Perkins Gilman, que decidiu explorar a ideia de uma utopia feminista. O que percebemos com o desenrolar da narrativa é que este país é perfeito exactamente porque nenhum homem exerce poder ou influência na sociedade. Não há guerras, não há conflito, há apenas um conjunto de mulheres a viver com um objectivo comum - a manutenção da comunidade.

 

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O mais engraçado é que acompanhamos a narrativa sempre do ponto-de-vista destes três homens e, com eles, vamos colocando as mesmas questões. Se não existem homens, como é que elas se reproduzem? Como é que conseguem construir edifícios? O que fazem se forem atacadas? E vamos percebendo também que haveria mais vantagens numa sociedade dominada por mulheres do que as que o mundo em que vivemos parece acreditar.

 

Embora o livro tenha mais de 100 anos, continua a ser bastante actual e está escrito num inglês tão acessível que nem me dei conta da antiguidade desta obra. Recomendo vivamente a leitura a quem gosta de utopias, seja homem ou mulher, porque no fundo só vamos conseguir viver uma melhor versão da nossa sociedade se aprendermos uns com os outros.

 

Conheciam este livro? Que outros semelhantes recomendam? 

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Herland by Charlotte Perkins Gilman

Avaliação: 7,5/10