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Rita da Nova

Podia nunca se ter feito este 25 de Abril

Tenho mixed feelings em relação a celebrar este dia. Não o 25 de Abril de 1974, claro; mas o dia em si. Isto porque, na noite de 24 para 25 de Abril de 2004, um exército nada pacífico iniciou uma revolução dentro da minha Avó. Barricou-se dentro dela e tomou conta de um dos lados do seu corpo. Ela resistiu com a força de todos os soldados do mundo.

A minha Avó sabia que estava a ter um AVC, mas nem por um segundo se queixou ou apressou os outros. Feliz ou infelizmente, eu não estava com ela nesse dia. Nem estive com ela durante muitos dias - por vontade dela, que não queria alterar a imagem que os netos tinham dela. Eu só tinha 12 anos, mas o medo apoderou-se de mim. Um medo como nunca tinha sentido e como nunca voltei a sentir.

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Hoje de manhã imaginei como teria sido se a minha Avó não tivesse combatido ela mesma, sozinha, aquela revolução. E percebi que não conseguia imaginar um mundo em que ela não tivesse existido para me ajudar a crescer. Para me incentivar a escrever melhor, a ler mais, a viajar para mais longe, a mudar sempre que foi preciso. Hoje, passados 13 anos, é a Avó de sempre: com os olhos e a voz calma que lhe conheço desde que nasci. Perdoem-me, mas por mim, podia nunca se ter feito este 25 de Abril.