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Rita da Nova

Palavras Cruzadas // O maior susto da minha vida

Antes de namorar com o Guilherme, eu não era pessoa de ver séries. Ainda hoje tenho alguma dificuldade em prestar atenção a episódios que durem mais do que 30 minutos, a não ser que esteja mesmo muito envolvida na história. Acho que isto acontece porque prefiro, desde sempre, criar os meus próprios universos, dar largas à imaginação para criar personagens e narrativas a seu gosto. Escrever e ler livros sempre foram as minhas formas favoritas de entretenimento; as séries e os filmes foram ficando para segundo plano porque sentia que já estava tudo construído à partida. É a diferença entre participar na história e consumir algo que já não pode ser mudado.

 

Agora já tolero algumas e vejo outras com muito interesse, mas independentemente do grau de ligação que tenho à série, há sempre uma coisa que acontece: adormeço a meio dos episódios. Sim, eu sei, pelo menos metade das pessoas que lerem isto vão achar que é um crime eu existir. É claro que não adormeço logo a meio do primeiro episódio que vemos, normalmente é só quando já estamos no segundo - em dias bons, no terceiro.

 

adormecer-series.jpg

 

(via Pinterest)

 

Porque é que não avisas que estás a adormecer?, perguntam vocês. Porque, quando começa um novo episódio, eu acho genuinamente que não tenho sono suficiente para tal. Só que depois ele chega em formato avalanche e toma conta de mim antes que eu consiga avisar. É por isso que, quando o Guilherme me acusa de estar a dormir, eu abro os olhos muito ofendida e nego até à morte. O meu corpo já adormeceu, mas ainda não avisou o meu cérebro. Tão simples quanto isso. 

 

Houve um dia em que ele se fartou da sequência “Rita adormece - Guilherme pergunta se ela está a dormir - Rita nega tudo”, possivelmente porque isto aconteceu três vezes durante o mesmo episódio. Então decidiu aproximar-se de mim com muito cuidado e ficar a olhar-me de frente, demasiado perto de mim. Acordei e vi um par de olhos muito abertos a olhar para mim e posso dizer-vos que foi um dos maiores sustos que apanhei na vida. Sabem aqueles sustos em que nem conseguem gritar, mas começam a chorar imediatamente? Foi um desses.

 

Se isto resolveu o problema e eu parei de adormecer a meio de uma série? Nem por isso. Mas pelo menos agora ele já não me acusa de estar a dormir quando, claramente, eu só estou a descansar os olhos. Deixa-me ir no sono e logo me faz um resumo do que aconteceu. 

 

Contem-me: isto também vos acontece ou são a pessoa que se irrita por ver o outro adormecer? 

 

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Este é o terceiro post da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com o P.A. e, quem sabe, convosco também. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. O tema desta quinzena foi ideia do P.A. e podem ver também a resposta ao desafio no blog dele. Para a próxima quinzena, proponho escrevermos sobre alguém que vemos recorrentemente na rua, mas com quem nunca falámos (não vale a menina do autocarro, P.A.!)

 

Acompanham-nos nas próximas edições?

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