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Rita da Nova

Os livros da Rita // Os três livros que não consegui terminar

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Durante muitos anos, pela ligação e respeito que tenho aos livros, obriguei-me a terminar todos aqueles que me propunha a ler. Quer os adorasse ou nem por isso, rejeitava completamente a ideia de deixar um livro a meio. Ainda hoje me esforço por lutar contra a vontade de desistir às primeiras dificuldades. Afinal, se tivesse desistido d’Os Maias na descrição do Ramalhete, nunca tinha lido um dos livros da minha vida.

 

Seja como for, durante toda a minha vida houve três livros que deixei a meio. Acredito que não seja uma despedida definitiva: a nossa propensão para ler determinado livro com prazer depende de muitos factores e não exclusivamente do livro em si. Até porque, uma vez que me conheço melhor do que qualquer outra pessoa, sei perfeitamente o tipo de leitura de que gosto e, se não for a minha onda, nem sequer coloco a hipótese de lhes pegar.

 

O que é mais curioso (e dá ainda mais força à ideia de ser preciso o momento certo para determinadas leituras) é que estes três livros tinham tudo para os devorar. Mas vou falar-vos de cada um deles, para perceberem exactamente porquê.

 

Expiação, Ian McEwan

Foi o primeiro livro que deixei a meio - quase literalmente, já que consigo lembrar-me do local exacto onde o marcador ficou durante meses e meses, até ser substituído por um clip. E foi também a primeira vez que tentei ler um livro depois de ter visto a sua adaptação no cinema. Gostei muito mais do filme - ainda hoje é um dos meus favoritos -, mas não consegui passar de uma descrição de uma cena de guerra numa praia. A partir daí nunca mais vi o filme primeiro se tivesse intenção de vir a ler o livro.

 

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Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Lembro-me perfeitamente de ter comprado este livro com o Guilherme, na Livraria Lello, já que era um “must-read” partilhado. Trouxémos a versão em inglês, como fazemos sempre que é possível. Comecei a lê-lo no avião, mas depressa percebi que havia ali qualquer coisa. Possivelmente - racionalizei depois - teve a ver com o facto de ter lido muitos livros em inglês de seguida. Sei que tem tudo para que goste dele, só preciso de estar na disposição certa para que isso aconteça.

 

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One Flew Over the Cuckoo's Nest, Ken Kesey

Esteve na minha “must-read list” durante anos e era um dos livros que mais queria comprar na viagem a Nova Iorque. Encontrei-o na Strand Bookstore, depois de subir e descer escadotes de madeira. Mas cometi o erro de começar a lê-lo depois de ter lido o The Bell Jar e A História Secreta, dois livros muito fortes e intensos. Não é que não estivesse a gostar (pelo contrário), mas senti que nunca iria avançar por falta de disposição e motivação. Precisava de algo mais leve, para ganhar novo fôlego na leitura. Por isso deixei-o provisoriamente de lado e comecei A Amiga Genial.

 

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Isto não quer dizer que nunca mais tente ler estes livros. Significa apenas que estou muito mais relaxada e cedo cada vez menos à pressão de ter que terminar um livro só porque o comecei. Aprendi que, como em tudo na vida, não vale a pena forçar coisas que não têm que acontecer em determinado momento. Tudo tem um contexto certo e por vezes gastamos demasiado tempo a insistir nas coisas quando não é a altura certa para elas.

 

E vocês, como fazem? Obrigam-se a levar um livro até ao fim ou deixam leituras a meio quando não conseguem avançar? Que livros nunca terminaram? Contem-me tudo!

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