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Rita da Nova

Não voltes onde foste feliz, my ass

Dizem-nos que não devemos voltar aos sítios onde fomos felizes - porque eles mudam, nós mudamos, tudo muda. E, na grande maioria das vezes, não é para melhor. Isso é o que ouvimos dizer, mas eu não acredito. Talvez porque tenha tido sorte nos regressos. Ora, aqueles que me conhecem um bocadinho melhor e que me acompanham no Instagram já perceberam que este post é sobre Turim (permitam-me que lhe chame Torino a partir de agora), a cidade em que fiz Erasmus.

Entre Fevereiro e Agosto de 2012, Torino foi a minha casa. E voltei lá nos dois anos seguintes, mas depois, com outras viagens a por-se pelo meio, Torino nunca mais esteve nos planos. Até Abril deste ano, quando decidi que era hora de regressar e levar o Guilherme comigo. Mas tinha receio: receio que tudo estivesse diferente e que a cidade não tivesse para ele o encanto que tem para mim.

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Todos os medos se dissiparam no momento em que saí do autocarro e respirei novamente o ar daquela cidade. Sabem a expressão “cheira a Lisboa”, que pode parecer parva mas é verdadeira? Diria que Torino tem também uma atmosfera muito própria, talvez por se situar num vale entre montanhas. A confirmação de que tudo estava igual chegou com as primeiras caminhadas pelas ruas direitas da cidade. As mesmas lojas, as mesmas pessoas, a mesma inexistência de wi-fi em todo o lado.

Não acreditem que este post é completamente inocente e que tem o exclusivo propósito de contrariar uma expressão popular. Tenho uma missão e quero deixá-la clara: dar-vos vontade de conhecer esta cidade. Podia apontar-vos mil motivos, mas para já deixo só três. Se mesmo assim não ficarem convencidos, eu continuo a insistir.

 

Cidade mística

Torino faz parte, juntamente com Praga e Lyon, do chamado “círculo da magia branca” e mesmo que sejam como eu e não acreditem nestas tretas, a verdade é que há uma aura mística nesta cidade. Até porque tem uma história espiritual muito forte - é lá que está o Santo Sudário, por exemplo. Mesmo que não sejam particularmente religiosos ou espirituais, há uma igreja em cada esquina e todas valem a pena conhecer. As minhas favoritas são o Santuario della Consolata, que fica num bairro sinuoso chamado Quadrilatero Romano, e a Basilica di Superga, que tem uma vista incrível sobre a cidade.

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Dolce far niente

Bem sei que Torino é vista como uma cidade muito industrial, já que é lá que está grande parte da força produtiva de Itália (sobretudo de indústria automóvel). Mas o centro da cidade é completamente diferente e tem aquele dolce far niente tão típico do país. Desde inúmeras praças com esplanadas, a fantásticos restaurantes onde comer bem e fazer l’aperitivo italiano, passando por jardins maravilhosos, Torino tem tudo aquilo que se quer numas férias para relaxar completamente. Não tem praia, é certo, mas tem dois rios bonitos com margens largas para passear.

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Cultura de cinema e literatura

Como se tudo o que disse não parecesse bem o suficiente, Torino tem ainda uma cultura de cinema e literatura incríveis. Para além do Museu do Cinema - que vos oferece uma experiência interactiva e divertida -, tem frequentemente iniciativas para pôr os habitantes a ler mais. É comum andar na rua e haver não só muitas livrarias, como dezenas de bancas a vender livros em segunda mão. O paraíso dos ratinhos dos livros, como aquela que vos escreve.

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Eu sei que é difícil convencer-vos apenas com um post e três humildes argumentos. E é por isso que estou a preparar um post com um guia de três dias para conhecer Torino como ninguém. Parece-vos bem? 

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