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Rita da Nova

Fim-de-semana em Lyon // Dia 2

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Nunca fui daquelas pessoas que espera até à meia-noite para fazer anos: deito-me quando tenho sono e acordo quando tenho que acordar. Mesmo que isso signifique aproveitar menos horas de aniversário, a verdade é que é mais especial acordar e sentir que o dia é meu.

 

Tínhamos planeado - com alguma antecedência até - fazer um brunch demorado no APIALES, mais uma dica preciosa da Vera. Foi também ela quem me explicou que, nesta cidade, há um amor tão grande pela comida que tudo é comprado fresco. É por isso que convém marcar mesa num restaurante com alguns dias de avanço - não tanto porque podemos correr o risco de não ter mesa, mas porque os Chefs preferem comprar tudo diariamente e à conta.

 

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Sabia que ia gostar da experiência no APIALES, só não sabia que iria gostar tanto. Nunca mais daqui saía se vos falasse pormenorizadamente de cada prato, mas é importante que saibam algumas coisas sobre este sítio. Em primeiro lugar, o menu de brunch é fixo e igual para todos, mas muda semanalmente e é testado durante os dis úteis, ao almoço. É quase um best of daquilo que o restaurante foi servindo durante a semana.

 

Receberam-nos com uma Mimosa e uma Sopa de Milho, Trigo Sarraceno e Bacon Crocante. O primeiro prato (e o meu favorito) era composto por Ovo Escalfado com Couve-flor e Baunilha e uma Salada de Leguminosas. Ainda antes de podermos escolher um bolo ou torta da vitrine, ainda provámos uma Truta com Caril de Legumes. Um brunch à séria, portanto, que me deixou na disposição certa para aproveitar o dia da melhor forma.

 

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Vocês já me vão conhecendo e têm, certamente, a noção de que eu sou uma control freak, sobretudo no que às viagens diz respeitos. É bem verdade - não consigo partir para uma viagem ser ter noção daquilo que quero ver, dos restaurantes onde quero comer e das livrarias que quero visitar. Ainda assim, nesta ida a Lyon, permiti-me relaxar. É claro que não consegui ir a 100% em estilo livre e sabia que queria ver algumas coisas, mas não me obriguei a seguir um plano.

 

Assim, começámos a tarde a subir até ao Jardin des Curiosités para termos acesso à vista mais bonita da cidade de Lyon. Não estou a brincar, é mesmo maravilhosa e tivemos sorte de apanhar o céu completamente descoberto. E sabem o que é mais impressionante? É que pouca gente conhece este sítio, por isso não só há pouca gente, como dificilmente encontram turistas lá. Ficámos durante largos minutos a admirar a vista e eu senti que valeu bem a pena a subida íngreme até lá chegar.

 

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A caminho da Basílica de Fourvière - que, para quem conhece Paris, é uma Sacré-Cœur em miniatura - passeámos um pouco pelo Théâtre Gallo-Romain, que é uma paragem obrigatória para quem gosta de história e, sobretudo, da época romana. 

 

Estava tanto calor que decidimos abrigar-nos um pouco dentro da própria Basílica. Assim que lá entramos, e para nosso espanto, damos de caras com uma cerimónia religiosa indiana. Não sei ao certo do que se tratava, mas percebi que era uma celebração católica um pouco fora do normal. Se o interior da basílica já é impressionante, foi ainda mais bonito vê-la assim, cheia de gente num festejo diferente.

 

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Depois disto, honestamente, fomos andando. Sem grandes pressas nem planos. Descobrimos a Passerelle des quatre vents e descemos lentamente até à zona histórica de Lyon.

 

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A Place Saint-Jean e área envolvente são o mote perfeito para nos perdermos nas ruas de Lyon. Tudo aqui tem um ar amoroso e calmo, muito por culpa dos edifícios em tons terra. Esta é, possivelmente, a parte mais turística da cidade, mas mesmo assim não senti que fosse impossível andar. Quer dizer, pelo menos até chegar à porta da gelataria Terre Adélice.

 

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A fila era enorme e crescia a olhos vistos, mas o gelado valeu cada segundo de espera. Já no ano passado tinha tido um bolo de aniversário diferente e, apesar de o deste ano não chegar aos calcanhares de um Space Cake comido em Amesterdão, tenho que admitir que foi muito divertido soprar uma vela numa bola de gelado de abóbora e castanha.

 

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Depois de cantar os parabéns (rápido, antes que o bolo derretesse), ainda demos um saltinho ao Musée Miniature & Cinéma, que reune uma série de cenários conhecidos do cinema… em miniatura! Não entrámos mesmo no museu, mas à entrada há uma exposição grátis que já dá para ter uma ideia do que podemos encontrar. O resto da tarde foi passado a respirar a atmosfera de Lyon, sobretudo na zona de Bellecour - Hôtel Dieu e de Croix Rousse, dois barros que embora não sejam centrais, se visitam muito bem a pé e são também muito característicos.

 

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O jantar, num dos restaurantes que fica mesmo ao lado do sítio onde tínhamos jantado na noite anterior, foi simplesmente perfeito. Fazia muito calor, por isso o empregado do Chez Lucien perguntou-nos se nos queríamos sentar no terraço. Fê-lo em francês, obviamente, como aliás aconteceu toda a nossa comunicação durante o resto da noite. Podia falar-vos de tudo o que comi, mas só quero dizer-vos isto: a minha sobremesa tinha figos cozidos em vinho do Porto, com gelado de amêndoa e eu não acredito que haja, no mundo, algo mais perfeito do que isto.

 

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Soube-me muito bem obrigar-me a ter calma e a aproveitar o dia sem estar a pensar nas mil e uma coisas que não estava a visitar ou a conhecer. Lyon foi uma cidade muito simpática comigo: acolheu-me muito bem e ajudou-me a receber os 26 anos numa nota muito tranquila e positiva. Mas não pensem que acabou! Ainda vos trarei o terceiro dia deste fim-de-semana prolongado, que foi rico em aventuras e passagens secretas.

 

Até lá, deixo-vos uma pergunta: que formas criativas têm de festejar aniversários?