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Rita da Nova

Escócia // Dias 5 & 6

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Estamos oficialmente a meio do diário de viagem pelas Higlands escocesas e hoje vou falar-vos do que fizemos no quinto e sexto dia. Se ainda não tiveram oportunidade de ler os primeiros dois posts que fiz sobre a roadtrip, podem por-se a par de tudo aqui e aqui.

 

DIA 5 // Ben Nevis, Mallaig, Kilchurn Castle e Loch Awe

Lembram-se de vos ter dito, no último post, que o nosso quarto dia na Escócia tinha terminado sem conseguirmos um sítio para jantar, mas que o dia seguinte tinha começado com um pequeno-almoço bem escocês? Acordámos relativamente cedo e pusemo-nos a caminho de Spean Bridge, a vila mais perto da casa do lago em que tínhamos dormido na noite anterior.

 

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Sentámo-nos no The Bridge Cafe e não estou a exagerar quando classifico a comida como “verdadeiramente escocesa”, já que os menus de pequeno-almoço tinham todos salsichas, ovos, bacon, cogumelos, tomate, feijões e pão e mesmo o small breakfast era uma autêntica alarvidade. Teria sido incapaz de começar o dia assim, por isso pedi apenas um flapjack (uma barra de muesli feita com aveia e passas) e comi algumas das torradas que vieram com o prato do Guilherme. Depois disto precisávamos muito de andar (ele mais do que eu), por isso procurámos alguns passeios de trekking por perto. 

 

Ali bem ao nosso lado estava a montanha mais alta do Reino Unido, o Ben Nevis. Posso dizer-vos que é mesmo muito impressionante e, embora tenhamos pensado em subir até lá a cima, sabíamos que iria demorar horas. Foi então que encontrámos um percurso junto ao sopé da montanha, que prometia levar-nos até às Steall Falls.

 

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O percurso é relativamente perigoso, sobretudo quando chove (como foi o caso), mas faz-se muito bem. A cada passo há uma paisagem mais bonita que a anterior e, assim que chegamos finalmente ao fim e vemos a cascata a descer de uma montanha, sentimos que valeu cada passo e cada gota de chuva na cara. Este passeio demorou-nos a manhã inteira e já era quase hora de almoço quando regressámos ao carro.

 

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Tínhamos marcado mesa no Cornerstone, na vila piscatória de Mallaig, mas sabíamos que íamos chegar pelo menos meia hora atrasados. Ficámos tão embrenhados no percurso de trekking que perdemos completamente a noção das horas. Ligámos para o restaurante a avisar do atraso e a senhora que nos atendeu desfez-se em simpatias connosco. Pediu-nos que não nos apressássemos, pois a mesa estaria lá à nossa espera. E estava mesmo: uma mesa com vista para o porto, onde nos serviam peixe muito fresco e nos trataram muito bem.

 

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Depois de uma volta pela vila, acabámos por escolher ver alguns pontos que ficavam no caminho até ao sítio onde íamos dormir - o Falls of Lora Hotel, que fica perto de Connel. Por isso fizemos o mesmo percurso que tínhamos percorrido para almoçar, mas com paragens no Glenfinnan Viaduct (onde, no Harry Potter, filmaram o comboio passar a caminho de Hogwarts), na cidade de Fort William, em Glencoe e o no Loch Leven. Gostávamos de ter feito o percurso de comboio e passar mesmo pelo viaduto, mas só havia lugares no comboio dali a uns três dias. Por isso, se planearem uma viagem a esta zona e vos interessar fazer este passeio, não se esqueçam de comprar os bilhetes com antecedência.

 

Ainda antes de fazermos check-in no hotel, decidimos ver o Kilchurn Castle, que se situa nas margens do Loch Awe - um dos lagos mais bonitos que vi em toda a viagem. Estacionámos o carro e tivemos que fazer um percurso lamacento, com muita chuva e vento a bater-nos na cara, mas o castelo (ou aquilo que sobre dele) é muito bonito e foi muito engraçado ver os campistas a assentar arraiais junto das ruínas, para passarem a noite naquele sítio maravilhoso.

 

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O Falls of Lora não podia ser mais escocês e foi isso que adorei neste alojamento. A decoração não é propriamente minimalista: combina cores fortes com madeiras escuras e motivos de caça, mas tudo é tão genuíno que nos dá uma verdadeira vontade de ficar por ali. Tanto que acabámos por jantar mesmo no restaurante do hotel e não nos arrependemos.

 

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DIA 6 // Oban, Loch Lomond e Callander

Mesmo andando quase sempre de carro, a esta altura da viagem já começávamos a acusar algum cansaço, então decidimos fazer menos coisas e ter um dia mais calmo. Começámos por tomar um pequeno-almoço lento e sem pressas no hotel e, depois, fomos visitar alguns sítios ali perto. 

 

Começámos pelo Dunstaffnage Castle, que éramos para ter visto no dia anterior - mas depois da molha que apanhámos no Kilchurn Castle decidimos que era hora de fechar o dia. E ainda bem que o fizemos, porque este novo dia apareceu soalheiro e sem vento. Passeámos junto ao castelo e ao lago que lhe faz vizinhança - na Escócia os lagos e os castelos parecem andar sempre juntos - e pusemo-nos a caminho de Oban.

 

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Ora, Oban é uma cidadezinha amorosa, cheia de pormenores encantadores. Depois de tanto tempo a ver campos verdes, cascatas, ovelhas e vacas, soube bem passear por um sítio tão bonito como este. Andámos sem grande destino e acho que me soube especialmente bem por causa dessa ausência de planos.

 

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Ainda antes de entrarmos oficialmente na zona do Loch Lomond e do Trossachs National Park, onde nos esperava o alojamento dessa noite, parámos para tomar café noutra vila muito amorosa - Inveraray. Fica situada numa das margens do Loch Fyne e fez-me lembrar Lugano, na Suíça. Como pontos mais conhecidos existe uma prisão e um castelo, sendo que ambos podem ser visitados.

 

Tínhamos comprado comida para almoçar junto ao Loch Lomond, por isso fomos entrando dentro do parque natural e descemos a margem do lago até encontrarmos um sítio para fazer o piquenique. Encontrámos o Firkin Point, já ocupado por algumas pessoas com a mesma ideia que nós, e que, para além de mesas para comer, tinha ainda um percurso ao longo da margem para percorrer depois de almoço.

 

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Já almoçados e depois de uma bela caminhada, percorremos todo o parque até chegarmos a Callander - onde fica a Lubnaig Guest House, que nos acolheu nessa noite. Este foi, possivelmente, o alojamento que mais gostei em toda a viagem. Fomos muito bem recebidos pelo Stefano e pela Francesa, dois italianos de Roma que decidiram mudar-se para a Escócia e abrir a sua casa a visitantes. Os nossos anfitriões foram uma presença muito subtil durante a nossa estadia e tinham sempre uma palavra ou um sorriso simpático para nos devolver. Escusado será dizer que dormimos que nem pedras nessa noite. No dia seguinte, ao pequeno-almoço, descobrimos o talento que o Stefano tem para a cozinha, mas sobre isso falo-vos no próximo (e último) post sobre a nossa primeira semana na Escócia.

 

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Como não poderia deixar de ser, preparei-vos um mapa com os pontos todos de que falei, para terem uma melhor noção geográfica do trajecto que percorremos nestes dois dias:

 

 

E pronto, já só falta um post sobre a nossa roadtrip pelas Highlands, depois disso é altura de vos falar da magnífica cidade de Edimburgo. O que têm achado até agora? Quais os pontos que vos despertaram mais curiosidade?