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Rita da Nova

Casa Modesta: um regresso às origens

Este fim-de-semana pusemo-nos a caminho do Algarve, mas não do Algarve conhecido e descaracterizado. O nosso destino era Olhão, mais especificamente Quatrim do Sul, com a promessa de passar dois dias na Casa Modesta. Queríamos celebrar o aniversário do Guilherme sem grandes confusões. Estava à espera de descanso, sim, mas esta casa e as pessoas que lhe dão vida fizeram deste fim-de-semana um dos mais especiais dos últimos tempos.

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Foi a Guida quem nos deu as boas-vindas, já que o Carlos e a Vânia - os irmãos que reabilitaram a casa - estavam nos Estados Unidos a receber um prémio de arquitectura pelo projecto. Mas apesar do sucesso e mediatismo a que têm sido sujeitos, nada aqui é pretensioso. Abrem-nos as portas para uma casa que, mais do que quatro paredes, é uma história de amor por uma região, pela terra e pelas pessoas que sempre cuidaram dela. E é por isso que o nome - Casa Modesta - não podia ter sido mais bem escolhido.

Porque se há coisa que se quer é modéstia na maneira de viver e de conviver com os outros. Na maneira de pôr um bocadinho de nós em tudo o que fazemos, por mais pequeno que seja. Voltei a Lisboa de coração cheio e com a sensação de ter estado num ambiente de infância, onde não há maldade nem interesses; onde só há a simples e genuína vontade de partilhar.

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Na Casa Modesta, o pequeno-almoço é mais do que fruta fresca da região, pão cozido no dia e bolos acabados de fazer. É mais do que compotas caseiras e produtos vindos da horta que podemos ver pela janela. Aqui o pequeno-almoço também é uma conversa calma com a Guida e sorrisos trocados com a Tânia. Estar à beira da piscina não é apenas molhar os pés na água gelada enquanto o sol nos toca a pele. Estar à beira da piscina é ver a nossa leitura interrompida por morangos e physalis acabados de colher.

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Se algum dia, como sinceramente espero que façam, decidirem visitar este sítio, escolham a época baixa e aproveitem a calma e o calor das pessoas desta casa. Ponham-se nas mãos delas e deixem que vos mostrem um Algarve diferente, um sabor diferente da comida e um lado diferente do ser humano. Prometo que não se vão arrepender. Resta-me agradecer ao Carlos, à Guida e à Tânia por me terem levado, cada um à sua maneira, numa viagem de regresso às origens: da vida, da terra e da honestidade humana.