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Rita da Nova

As minhas pessoas // Guilherme

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“Tens noção que vais perder?”. Foi a primeira coisa que ele me disse quando me viu, cheio de bazófia e triunfo no olhar. A Jonas tinha-me convidado para jogar ao sério aqui no SAPO porque estavam a gravar uns vídeos de promoção aos festivais de verão com pessoas conhecidas (e, vá-se lá saber porquê, comigo também).

 

Não sabia quem ele era, mas tinham-me dito que era comediante. Para mim, com aquela frase inicial, pareceu-me apenas parvo. Mostrei-lhe que não gosto de perder e estivemos 1h10 a olhar um para o outro. Até àquele dia, eu não acreditava que o silêncio pudesse dizer grande coisa. Que, sem palavras, conseguíssemos conhecer-nos tão bem, fazer piadas e até marcar jantares. Nós fizemos isso tudo.

 

O nosso espaço tornou-se, logo ali, demasiado nosso para que alguém conseguisse demover-nos de estar apenas um com o outro. Ele tornou-se aquele sítio da casa em que deixo os sapatos assim que chego. O sítio em que não existe nada mais do que paz. Em que posso não falar, mas nunca deixa de faltar tema de conversa.

 

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É que o amor é uma coisa curiosa. Apanha-nos sem estarmos à espera. Fica a olhar para nós durante largos minutos - não para nos convencer, mas para nos dar tempo de nos apercebermos que já não há volta a dar. Chega devagar, mas mostra-nos que há mais nas pequenas coisas do que aquilo que conseguimos ver. 

 

Só que o amor também é muito como aprender a andar. É-nos natural, mas precisamos que nos expliquem como. Precisamos de confiar na pessoa que nos estende as mãos e diz "vamos". Precisamos de ter coragem para pôr um pé à frente do outro, mesmo que não saibamos muito bem o que raio estamos a fazer. Mais do que ter ajuda para chegar a algum lado, o amor é ter a certeza que podemos andar sempre em frente, para cima e para baixo, para os lados, para trás até.

 

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Faz hoje dois anos que joguei com o Guilherme ao sério pela primeira vez e só espero que haja sempre um empate técnico entre nós. De preferência, a andar sempre em frente e de mindinho dado.

 

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Este é o segundo post sobre as minhas pessoas: aquelas que fizeram e fazem de mim quem sou. As que ensinam - às vezes sem saberem - como andar neste sítio caótico que é o mundo. Espero que gostem tanto de as conhecer como eu gosto de as ter na minha vida.

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