Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Rita da Nova

642 Things to Write About (#4)

Esta semana, o livro 624 Things to Write About lançou-me a seguinte premissa de escrita:

Estás a encher uma cápsula do tempo para enterrar no quintal, que será desenterrada daqui a 500 anos. Escreve a carta que colocarias lá dentro para descrever a vida como a conheces hoje.

 

Se quiserem escrever também com base nesta ideia sem serem influenciados pelo meu resultado final, então não avancem mais até terem escrito. Caso contrário, podem ler o meu texto mais abaixo.

 

642-things-capsula-tempo.jpg

 

Querido futuro,

 

Deixei esta carta na esperança que, em 2517, ainda se escreva e fale português da mesma forma - embora tenha quase a certeza que já só se devem usar emojis para comunicar. Custar-me-ia muito saber que a minha Língua Portuguesa e as suas características tão únicas desapareceram para dar lugar a bonecos, mas isso sou eu que sou muito conservadora nesta coisa das palavras.

 

Com ela enterrei alguns objectos que, a meu ver, descrevem muito bem a vida como ela é hoje (leia-se, em 2017). O primeiro é aquela coisa comprida, o selfie-stick (digo em inglês porque “pau de selfie” soa-me a coisas que não interessam para aqui). Serve para tirarmos fotografias a nós próprios: a nós próprios sozinhos, a nós próprios com os nossos amigos, a nós próprios em viagem. A nós próprios, a nós próprios, a nós próprios. Já perceberam onde quero chegar, certo?

 

Dentro da cápsula do tempo podem ainda encontrar um iPhone 6 - apesar de o iPhone X ter acabado de sair, achei que era um desperdício pô-lo debaixo da terra. Sei que devem estar a olhar para este telemóvel como eu olharia hoje para um Nokia 3310 (é normal que não percebam a referência), mas acreditem que nos dias que correm é a nata da nata da tecnologia. É através deste objecto que a geração dos “nós próprios” constrói o seu próprio mundinho em sítios como o Instagram, o Facebook e o Youtube. Por falar nisso, questiono-me se o Facebook já dominará completamente o vosso mundo como eu sempre suspeitei que faria no futuro.

 

E deixei também um livroA Sombra do Vento, do Carlos Ruiz Záfon, possivelmente o meu favorito de todos os tempos. Gostava muito de acreditar que este é o único objecto que ainda reconhecem. E que, mesmo que nos vossos dias as pessoas sejam tão fechadas sobre si mesmas como são agora, os livros continuem a ser a melhor forma de nos abrirmos um bocadinho mais aos mundos dos outros.

 

 

O que é que deixariam numa cápsula do tempo e o que escreveriam na carta que a acompanha? Deixem-me as vossas ideias ali em baixo, nos comentários!