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Rita da Nova

Os contrastes naturais de Bucareste

 

Bucareste. Ninguém diz que está no leste europeu, no momento em que começa a passear pelas ruas da capital romena. Há nas linhas direitas desta cidade qualquer coisa de muito grandioso e, ao mesmo tempo, muito próximo do homem. Passear em Bucareste é como estar quase a tocar no céu sem nunca tirar os pés do chão.

 

Aqui há semelhanças evidentes com Paris: os edifícios e as ruas são pequenas miniaturas da cidade francesa e eu diria que, para estarem ao mesmo nível, só lhe falta mesmo uma Torre Eiffel. Não é preciso fechar os olhos para imaginar carruagens puxadas a cavalo em vez de carros ou senhoras de longos vestidos e espartilhos em vez de raparigas com calças de ganga e ténis. Pelo contrário: é preciso estar com eles bem abertos para que não julguemos estar numa cidade e não noutra.

 

 

Apesar de ser ambiciosa na escala, Bucareste convida facilmente a que nos mudemos para lá. O requinte com que nos inunda os olhos é completamente diferente da simplicidade dos seus habitantes. Não é o único contraste: nota-se que toda a vida da cidade flui no sentido contrário ao do seu passado. A modernidade de hoje fecha os olhos às atrocidades de ontem. Abrem-se novas portas e janelas enquanto se trancam salas e se deitam fora as chaves, para que ninguém lá entre de novo.

 

 

Vejo Bucareste como uma tela onde os tons de escuro coexistem com a luz dos mais claros e onde só agora começam a notar-se sombras causadas pelas misturas de tintas.

 

 

 
Se tivesse que escolher uma capital do Leste, apontaria certamente Bucareste.
 
 
 
 
  
  
Os pequenos pormenores - tão enraízados no modo de vida da cidade - são o melhor transporte para outros tempos. Mais do que fazer viajar no tempo, os detalhes são os maiores causadores de sorrisos instantâneos.
 
 
 
As ruas de Bucareste convidam-nos constantemente a deixar as nossas vidas de lado e a abraçar uma vida comum à dos seus habitantes.
 
 
 

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