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Rita da Nova

Viena, a magnificência em forma de cidade

 

Viena. Não me lembro de, em altura alguma da minha vida, ter sido confrontada com tamanha grandiosidade. Há uma diferença entre a grandiosidade desmedida e a grandiosidade imponente e simples. Inseriria Viena nesta última categoria, no conjunto dos detalhes sumptuosos e, simultaneamente, tão terrenos.

Todos sabemos que esta é a cidade da música, o refúgio último de todos os grandes compositores. Durante o dia que aqui passei, não houve um momento em que esta arte não se manifestasse. Está em todo o lado: nas pessoas, nos edifícios, nas estátuas, no ar. Aqui, as melodias são constantes: vêm de diferentes direcções, cruzam-se, misturam-se, mas nunca deixam de ter a harmonia própria de uma sinfonia maior que a vida humana.

Engane-se quem pensa que a magnificência só está no exterior dos edifícios desta cidade. O interior das igrejas, por exemplo, é vestido de tal maneira que consegue conjugar na perfeição a simplicidade do espírito com a riqueza dos detalhes. Até os jardins - que na altura em que os visitei estavam cobertos com as cores quentes e a brisa fria do Outono - nos dão a sensação de estar a passear num sítio com uma aura que transcende qualquer um de nós.

Compreendo que seja fácil gostar de Viena. É como se, de um momento para o outro, nos transportássemos para um tempo que não é nosso. Vive-se um tempo que não se sabe ser passado nem se reconhece como futuro; e isso tem o fascínio próprio daquilo que, tal como o vento, se sente mas não se pode ver.

 

 

 
Qualquer cansaço se supera e se transforma num sorriso naqueles minutos que antecedem o momento de partir à descoberta.
 
 
 
 
Associo Viena à cor azul: ao azul das cúpulas que, no fundo branco dos edifícios, contrasta com o céu mas parece fazer parte dele.
 
 
Os jardins só são plenamente belos quando as árvores estão demasiado pesadas para carregar o fardo das folhas amarelecidas mas, ainda assim,  suportam este peso para que a sua cor se reflicta na água.