Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Rita da Nova

Auschwitz, um turbilhão de sentimentos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Auschwitz. Não me parece que alguma vez a minha escrita (enquanto reflexo de mim mesma) esteja suficientemente madura para escrever sobre este sítio e, muito menos, para conseguir transmitir o que senti quando o visitei. Aliás, não creio que alguém que não tenha vivido o Holocausto na pele consiga pôr em palavras a verdadeira essência de um acontecimento de tais proporções.

Posso dizer-vos muito poucas coisas que façam sentido porque - e quem já esteve em Auschwitz ou noutro campo de concentração sabe - toda a visita foi acompanhada por uma confusão atroz de sentimentos. Sempre que me recordo das horas que lá passei não me é possível ordenar completa e cronologicamente a sucessão de acontecimentos, tal é a preponderância de sensações contraditórias.

Primeiro que tudo, há a surpresa e a incredulidade. Estamos ali, num local onde foram cometidas atrocidades e, pura e simplesmente, não acreditamos que tudo isso tenha sido possível. Negamos, sentimo-nos como num museu onde nada é real e tudo são recriações. Depois ouvimos relatos, vemos fotografias e objectos. E é aí que a realidade nos cai abrupta e silenciosamente em cima. E dói-nos, dói-nos como se tivesse sido connosco. Apesar disso, sabemos que não foi e esperemos que nunca nos aconteça um terço disso. E é nesse momento, passada a surpresa, a negação e a tristeza, que nos sentimos aliviados.

No fim, fica uma dor de cabeça incrível e passam-nos milhares de pensamentos pela mente. Ir a Auschwitz foi, pelo menos para mim, um momento de ponderação. Foi um convite forçado para pensar muito e colocar grande parte da minha vida em perspectiva. Toda a gente perde qualquer átomo de inocência que ainda tenha, no momento em que entra num sítio assim. É o preço a pagar quando nos confrontamos com o que de pior o ser humano é capaz.

Desta vez deixo-vos apenas as fotografias, sem legenda.

 

 

 
 
 
 
 
 
 
  

2 comentários

Comentar post