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Rita da Nova

As mil e uma ruas de Sarajevo

sarajevo

 

Sarajevo. «Ai filha, onde é que tu te vais meter? Isso não é nada seguro», diziam-me os que mais se preocupam comigo e, acima de tudo, aqueles que ainda se lembram da guerra da Bósnia. É a própria cidade que faz questão de nos lembrar daquilo por que passou, mesmo que de forma muito subtil. Sarajevo é como uma mulher curvilínea, que anda de uma maneira muito sua, fazendo com que nos percamos no seu jogo de cintura.

O mais impressionante em Sarajevo é o confronto constante com o seu passado recente. À medida que caminhamos quase que tropeçamos, literalmente, em cemitérios espalhados pela cidade. As campas estão em todo o lado: entre as casas ou no meio de um parque. Basta pouco tempo e uma observação rápida para perceber que marcam o lugar onde estão sepultadas pessoas novas, demasiado novas. Assim que se sobe a um ponto alto da cidade, a vista corta a respiração. Somos obrigados a pensar no que se passou e a pôr as nossas próprias vidas em perspectiva, nem que por breves instantes.

A sensação de passear nas mil e uma ruas de Sarajevo foi uma agradável surpresa. A parte mais antiga transporta-nos para outra ponta do mundo, um sítio qualquer onde as mulheres andem maioritariamente tapadas e tenham que se cobrir para entrar numa mesquita. Podemos demorar-nos num Bazar que - ainda que não seja nada do que foi - nos remete para uma história que não é a nossa mas à qual adorariamos pertencer. Acima de tudo, já não há perigo: é possível estar num café ou num banco de jardim sem sentir qualquer medo. É como uma fénix que começa a renascer das cinzas.

 

 
 
Sarajevo é como uma Turquia em miniatura que espreita no meio da Europa.
 
 
 
Se há um grande responsável pela etnicidade da cidade, é o Bazar.
 
 
 
Há nesta cidade um aviso constante: um aviso contra as maiores atrocidades cometidas pelo ser humano. Um aviso para nós e sobre nós mesmos.
 
 

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