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Rita da Nova

Partes de Roma que me apaixonaram

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No outro dia lembrei-me que nunca vos falei da minha viagem a Roma, já que nessa altura o blog estava parado (e ainda se chamava “Rita à Volta do Mundo”). E fiquei em choque quando me apercebi de que está quase a fazer três anos que visitei esta cidade. Apesar de ter feito Erasmus em Turim, só vim a conhecer a capital italiana um ano depois de regressar a Portugal. Aproveitei um daqueles fins-de-semana grandes de Dezembro e parti à aventura apesar do frio.

 

Não faz muito sentido fazer-vos um roteiro de Roma, já que a internet está cheia de dicas e itinerários muito bem feitos. Se pensarmos bem, há todos aqueles clichés que valem a pena visitar, como o Coliseu, o Vaticano, a Fontana di Trevi ou o Castel Sant'Angelo. Procurem informações sobre estas atracções principais e ficarão bem enquadrados sobre aquilo que não podem perder nesta cidade. Como quero muito falar-vos sobre esta cidade, o que vos trago hoje é um conjunto das coisas que mais gostei em Roma.

 

 

Ver o pôr-do-sol no topo da Scalinata di Trinità dei Monti

Ou seja, do topo da escadaria que existe na Piazza di Spagna. De certeza que conhecem estas escadas, que costumam estar cheias de pessoas sentadas ao final do dia. E, na verdade, chegam mesmo a estar centenas de pessoas a aproveitar o final do dia naquele sítio, numa excelente representação do dolce far niente italiano. Ainda assim, a minha parte favorita foi poder observar o pôr-do-sol lá de cima, já que a vista é absolutamente maravilhosa.

 

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Ver a Basilica di San Pietro pelo buraco de uma fechadura

Esta foi, provavelmente, a melhor dica que me deram quando fui a Roma. Qual ir a Roma e não ver o Papa, qual quê… quem vai a Roma não pode deixar é de subir a Santa Sabina all’Aventino e procurar o Buco Della Serratura. É, nada mais nada menos, do que o buraco de uma fechadura através do qual têm uma vista privilegiada para a Basilica di San Pietro, no Vaticano. Se decidirem subir para espreitar por esta fechadura, aproveitem para passear no Giardino degli Aranci - que tem uma vista igualmente bonita.

 

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Piazza Navona e Rione V

Como em qualquer cidade ou vila italiana, aqui não faltam piazzas para descobrir. A minha favorita é a Piazza Navona, não só por ter uma disposição um pouco diferente do habitual, mais oval, mas porque na altura tinha uma série de decorações natalícias e até um carrossel que se iluminava de uma forma espectacular à noite. Por detrás desta praça situa-se o Rione V, uma das partes da cidade que mais gostei de descobrir.

Roma divide-se, administrativamente, em Rione (diminutivo de “regiones”, ou seja, região). Na pratica equivale quase a um bairro e este, que liga a Piazza Navona ao rio Tevere, é muito característico. Para além de ter ruelas muito sinuosas, em que mal passa uma Vespa, é também uma zona muito artística e trendy. Foi lá que comi um dos melhores brunches da minha vida, num sítio escondido chamado Coromandel. Façam um favor a vocês mesmos e vão de propósito a Roma só para poderem comer aquelas panquecas maravilhosas.

 

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Trastevere

Esta foi a zona da cidade de que mais gostei, tanto de dia como de noite. De dia tem uma vida muito própria e as trattorias chamam-nos a cada esquina; de noite enche-se de animação e pessoas nas ruas. Trastevere está cheia de cantos, recantos e pormenores para descobrir, por isso o melhor mesmo é passearem sem destino ou objectivo. De certeza que vão ser constantemente surpreendidos. Fiquei com muita pena de não ter conseguido arranjar mesa na Trattoria da Teo, um restaurante muito típico e altamente recomendado pelos romanos. Tenho a certeza que vou voltar a Roma e marcar mesa com antecedência!

 

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Bicicletas por todo o lado

Literalmente por todo o lado! Não sou a maior fã de andar de bicicleta, mas acho-as um objecto muito bonito e condiz demasiado bem com a cidade. Ora vejam lá:

 

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A vista do Gianocolo

Mesmo atrás de Trastevere fica algo que não podem perder: o Gianicolo, uma colina com uma vista soberba para quase todos os marcos da cidade. Preparem-se porque a caminhada é longa, mas vale muito a pena.

 

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Os jardins da Villa Borghese

Foi nas últimas horas passadas em Roma, mesmo antes de regressar a Lisboa, que fui passear nos jardins da Villa Borghese. Se gostam de passear em jardins e conhecer parques nas cidades a que vão, então não podem perder este! O lago e o Tempio di Esculapio são a cereja no topo do bolo.

 

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O mundo encantado da Bartolucci

Mesmo no centro, entre a Fontana di Trevi e a Piazza Navona, vão descobrir uma loja pequena mas adorável, que vos vai transportar directamente para a história do Pinocchio. Na Bartolucci só se fazem e vendem brinquedos feitos em madeira e garanto-vos que a criança que há dentro de nós se solta assim que pomos um pé dentro desta loja e oficina. Francesco, dono e artesão, criou o seu primeiro pinocchio em 1981 e continua ainda hoje a criar brinquedos maravilhosos.

 

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Campo de' Fiori

Para terminar este pequeno roteiro alternativo, não posso deixar de vos recomendar uma ida ao Campo de' Fiori. Nesta tradicional praça de Roma vão encontrar um colorido e cheiroso mercado de flores que promete animar logo o dia.

 

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Tenho a certeza que Roma é uma daquelas cidades que merece uma visita de tempos a tempos (e sei que vou regressar brevemente). Que outras pérolas não posso perder? Que restaurantes mais escondidos recomendam? Quero saber tudo!

Os livros da Rita // Os três livros que não consegui terminar

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Durante muitos anos, pela ligação e respeito que tenho aos livros, obriguei-me a terminar todos aqueles que me propunha a ler. Quer os adorasse ou nem por isso, rejeitava completamente a ideia de deixar um livro a meio. Ainda hoje me esforço por lutar contra a vontade de desistir às primeiras dificuldades. Afinal, se tivesse desistido d’Os Maias na descrição do Ramalhete, nunca tinha lido um dos livros da minha vida.

 

Seja como for, durante toda a minha vida houve três livros que deixei a meio. Acredito que não seja uma despedida definitiva: a nossa propensão para ler determinado livro com prazer depende de muitos factores e não exclusivamente do livro em si. Até porque, uma vez que me conheço melhor do que qualquer outra pessoa, sei perfeitamente o tipo de leitura de que gosto e, se não for a minha onda, nem sequer coloco a hipótese de lhes pegar.

 

O que é mais curioso (e dá ainda mais força à ideia de ser preciso o momento certo para determinadas leituras) é que estes três livros tinham tudo para os devorar. Mas vou falar-vos de cada um deles, para perceberem exactamente porquê.

 

Expiação, Ian McEwan

Foi o primeiro livro que deixei a meio - quase literalmente, já que consigo lembrar-me do local exacto onde o marcador ficou durante meses e meses, até ser substituído por um clip. E foi também a primeira vez que tentei ler um livro depois de ter visto a sua adaptação no cinema. Gostei muito mais do filme - ainda hoje é um dos meus favoritos -, mas não consegui passar de uma descrição de uma cena de guerra numa praia. A partir daí nunca mais vi o filme primeiro se tivesse intenção de vir a ler o livro.

 

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Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Lembro-me perfeitamente de ter comprado este livro com o Guilherme, na Livraria Lello, já que era um “must-read” partilhado. Trouxémos a versão em inglês, como fazemos sempre que é possível. Comecei a lê-lo no avião, mas depressa percebi que havia ali qualquer coisa. Possivelmente - racionalizei depois - teve a ver com o facto de ter lido muitos livros em inglês de seguida. Sei que tem tudo para que goste dele, só preciso de estar na disposição certa para que isso aconteça.

 

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One Flew Over the Cuckoo's Nest, Ken Kesey

Esteve na minha “must-read list” durante anos e era um dos livros que mais queria comprar na viagem a Nova Iorque. Encontrei-o na Strand Bookstore, depois de subir e descer escadotes de madeira. Mas cometi o erro de começar a lê-lo depois de ter lido o The Bell Jar e A História Secreta, dois livros muito fortes e intensos. Não é que não estivesse a gostar (pelo contrário), mas senti que nunca iria avançar por falta de disposição e motivação. Precisava de algo mais leve, para ganhar novo fôlego na leitura. Por isso deixei-o provisoriamente de lado e comecei A Amiga Genial.

 

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Isto não quer dizer que nunca mais tente ler estes livros. Significa apenas que estou muito mais relaxada e cedo cada vez menos à pressão de ter que terminar um livro só porque o comecei. Aprendi que, como em tudo na vida, não vale a pena forçar coisas que não têm que acontecer em determinado momento. Tudo tem um contexto certo e por vezes gastamos demasiado tempo a insistir nas coisas quando não é a altura certa para elas.

 

E vocês, como fazem? Obrigam-se a levar um livro até ao fim ou deixam leituras a meio quando não conseguem avançar? Que livros nunca terminaram? Contem-me tudo!